"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Rocha Filosofal



Quando rio,
há no Rio, explicação.
Não, dentista não!
Janeiro é um mês
que já está no passado.
Mas, que bom seria
se este Janeiro estivesse aqui do lado!
A poesia é um pouco do Rio que me visita.
É o rio que corre no corpo de quem se excita...
E o poeta se transfigura em verso quente...
Verso que versa de todo jeito
que corta dentro, fora, detrás pra frente.
Pedra que Drummond não achou em seu caminho.
Pobre! Não há Rocha nas Minas Gerais.
Eis a Rocha Filosofal!
Reflexo Da busca.
Na medida do impossível...
Eis o exímio da palavra!
Vice-Rei não mais. Acre dito!
Ver Tudo pelos ares, hoje, me satisfaz.
Leio-te, sigo seu ritmo de Liberdade.
Marítimo...
Pairo atônita, é a Alquimia dos seus versos...
A magia da sua poesia...
Antes, Elaera, não é mais?
_ Adoro este verbo no pretérito!
No fim começo a
ver o começo no fim...
Tragicomédia,
Seria, o fim no começo...
Mas, sorrio...
Só Rio...
Caminho esperando o
caminho a manhã...
Ainda sigo com o corte
de não ter o Corte
no submarino.
Supero! Me espelho
em sua armadura de dragão.

Estive investigando o outro e o outro...
Vinícius, Bandeira, Quintana...
O geminiano
com gêmeos como ascendente,
acende a luz do verso no link...
E os vence!

Uma salva de palmas
Pra suas pralarvas!

Raquel Amarante N.

Confissões de uma amadora (Com partes censuradas)


Não sou uma mulher tão doce
nem por isso tão amarga
não sou de tuas mãos rabisco
nem falo amor aos ventos
meu coração tão arisco
só queria dominar meus sentimentos.
Sou liberdade envolta em grades
quase fora de mim sou enjaulada.
Sou tão firme como uma casca
de ovo
atro\ \pelada
(...)
Sou mesmo incompreendida
doida varrida, confusa e descontrolada,
sou boa, mas tô ferida,
por isso não me chame de indelicada.

(...)

Raquel Amarante N.  (2009)

Ode ao xadrez



Eu fui desmatando
o pouco dos outros
que existia em minha vida.

Eu fui lhe deixando
ser muito mais
que eu em mim.

Eu fui assassinando
minha própria espécie
pra conservar você.

Eu fui dedicando
todo o meu canto...
todo o meu verso...
todo o meu ser...

Eu fui vendo teu barquinho
ancorar mais ao norte...
coração descalço, espinho,
e foi sangrando mais meu corte.

Eu fui chorando feito criança
quando perde o amigo imaginário.
Eu fui perdendo no imaginário,
o sentido de “amigo.”

Eu te coloquei
como peça principal do meu xadrez
e fui perdendo peões, cavalos,
torres, bispos, Rei.

Eis o fim do jogo?
O da vida real não,
apenas mais um xeque-mate
em meu coração.

Me resta agora
jogar sozinha,
amar sozinha...

O amor é uma espécie
que não entrará em extinção...
Porque eu te amo.

Raquel Amarante (2007)










P.S: Céus! Eu escrevi isso? O tempo vai mudando tudo... O que será que permanece intacto neste texto?...

"Na canção que vai ficando
 já não vai ficando nada:
 é menos do que o perfume
de uma rosa desfolhada"

Cecília Meireles




terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Falocrática, Falocrítica


Minha poesia atípica
diretiva
racional.
Explicita a ação-reação do meu lobo frontal.
Onde o formal e o informal fazem sexo
e o romantismo fica à luz do século.
apagado, no passado.
E o verso-curto dá curto-circuito
o intuito é bom, o verso é fortuito...
E o amor é efêmero...
E o efêmero...
é eterno.
(É feminino)
E o feminino... Falocrático.
Falocrítico
Falo.
Critico.

Raquel Amarante N.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Inconsciente

              
                              à Thereza

Por trás do ato
há o inato?
Existe escolha?
Escolho o verso
porque é o inverso
eu o determino!
Eu o determino?

Raquel Amarante N.

Marilena Chauí - Sobre a verdade


A verdade não pertence a ninguém, ela é o que buscamos e que está diante de nós para ser contemplada e vista, se tivermos olhos do (espírito) para vê-la. (Marilena Chauí)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Citando Flávio Colares

Furtei essa postagem do Blog de um amigo meu, Flávio Colares.

Entrem aí no link para conferir as crônicas do Flávio: http://flaviocolares.blogspot.com/

Esta crônica que lhes apresento é muito compatível com meu modo de pensar o mundo.

Reflete todas as inúmeras vezes que digo: "Depende do referencial" ou "tudo é relativo"...
Curtam...

DEPENDE DO PONTO DE VISTA


Hoje por acaso ouvi uma conversa entre duas mulheres :
Uma contava para a outra sobre a reação do filho pequeno ao ver pela primeira vez alguém usando uma máquina de escrever.
O garoto, radiante disse:


Puxa mãe, que troço avancado !
ele digita e já imprime ao mesmo tempo !!!


É, tudo depende do ponto de vista ...


Flávio Colares (12/08/2010)
http://flaviocolares.blogspot.com/2010/08/depende-do-ponto-de-vista.html

Perda de Identidade


Meu Vista virou XP
não roda mais jogos 3D.
O que dizer de um ser humano
que não se vê
nem A nem B?

Raquel Amarante N.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Voz do poeta


       Aos poetas montesclarenses

Se meus versos se calarem
no amanhã...
Que saibam que fui profeta
desse “desacontecimento”.
Ou proclamem nas sobras
da ordem e do progresso
mil séculos sem poetas
em favor do meu silêncio.

Raquel Amarante N. 2008 - Psiu Poético

                                                  



ZOOLÓGICO



Achei que me conhecia
Carregava o mesmo livro
De tempos passados.
A vida nos traz
aos mesmos zoológicos
da infância.
E nos mostra
Que nem livres somos
Para apontá-los...
Somos tão presos quanto...
Somos tão bichos como...

Raquel Amarante N. 2009*

Inteligências


Spielberg criou a inteligência artificial,
Goleman, a emocional,
 Gardner, as múltiplas,
 Cury, a multifocal,
só está faltando alguém criar a inteligência eleitoral!

Raquel Amarante N.

Era assim... Já não é mais

                                 À Manoel Bandeira

Se eu pudesse declamar alegria
Seria palhaço, não poeta.

Raquel Amarante N.


Mundo surreal

Esta foi uma das primeiras poesias que escrevi na vida:



O campo era estrelado de nobres flores
Os pássaros ritmados, sabiam cantar Caetano
O arco-íris, iludido, coitado! Não tinha cores.
Na gaiola uma menina cândida gorjeando

Os rios falavam catalão afluentemente
O sol fazia plantão quando a noite surgia
A formiguinha lá, era eminente
A lua romântica não inspirou mais poesia.

O passado do futuro não era o presente
O tempo parava no sinal fechado
O inverno trazia uma neve quente
O verão congelava o casal de namorados.

Raquel amarante N. 2005*


Candidato Honesto



Vou lá buscar a inadaptação de minha espécie
Vou ser a decepção Darwiniana.
Vote zero, zero, um.

Raquel Amarante N.  2010*

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Clarice Lispector


O que sei é prosa
O que não sei, poesia
Misturam-se o que sei e o que não sei
Sei o que não sei
Não sei o que sei.


Raquel Amarante N.

Fenomenopoesia


Poesia prosaica
a minha.
E Freud
sustenta o argumento
da fantasia,
quando tudo aqui
é reduto de consciência.
É fenômeno.
Husserl-poesia.

Raquel Amarante N.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Vieram me perguntar se eu me apaixono


Se eu pirar
e disser que te amo,
entenda que tudo que eu digo
é um pouco segredo.

Se eu acordar ao teu lado chorando
não se assuste
com a menina que do quarto estranho tem medo.


Se eu beijar devagar
não se irrite
com meu ritmo brando de adentrar o seu mundo.


Seu eu calar eternamente...
não creia que estou n'outro plano

estaria por certo, em você
 viajando...


Seu eu te olhar bem nos olhos

retribua e
sorria...
Que eu estou te paquerando...




Se me apaixono?

Não seria melhor,

por quem me apaixono?

E eu te diria...

Pelo inapreensível.

Guarde isso!

Raquel Amarante N.


Vampirismo


Já pensou se o mínimo que lhe ofereço
possa ser o máximo que posso lhe dar neste dia.

Raquel A.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Chamo de Percepção existencial intensificada



Depois da Perda...

“as pessoas desenvolvem uma nova apre­ciação para o valor da vida. E um novo conjunto de prioridades.(...) aprendem a sorver de suas próprias fontes criativas, a vivenciar a mudança das estações e a beleza natural que as cerca. Talvez o mais importan­te de tudo, ganham um aguçado senso de sua própria finitude e, em conse­qüência, aprendem a viver no presente imediato, em vez de adiar a vida para algum momento futuro."
Irvin Yalom (Mentiras no divã)

Separação



Competência pra derrubar o copo de vidro
Competência pra catar os cacos
Competência pra colar pedaços
Incompetência pra voltar a beber no copo.

Um favor e um casamento



Incompetência para dizer não.
Incompetência para dizer sim.
Competência pra arrepender depois.

Raquel Amarante N.

Seu texto

Esbarro num texto
bem feito.
Faz bem sentir seu efeito!
E eu deito no leito
desse texto,
meio sem jeito,
rolo neste tecido até chegar
nas margens dos seus braços
e suas mãos reescrevem-me
reinauguram em mim a semântica
que faltava em minhas expressões.
Seu texto-vivo
dilata pupilas e corações...

Raquel Amarante N.


Canções do Varal

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