"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

quinta-feira, 31 de março de 2011

Carta não enviada nº 10 - O quadro a ser pintado, ou não.


Eulália,

É mesmo a vida que vai nos motivando a ir embora...
É mesmo esta vida que nos torna gente de fora
da gente.
O que era essencial?
 A falta é essencial. "Sine qua non"...
Já viu alguém a quem nada lhe falta? Se sim, me apresente pra eu fazer um Benchmarking...
Um abraço.

Stella

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Carta não enviada nº 9 - O oposto



Ângelo,

Faz muito tempo que não lhe vejo... O que anda aprontando?
Sabe, que eu gosto de conversar com você... Nossas constituições de materiais diferentes, idéias e crenças que se chocam... Em extremos opostos nos encontramos... Você aprendeu muitas coisas primeiro que eu... E tinha razão sabe... Não é duro admitir isso! Só seria se você estivesse perto..rs
Vejo que o tempo e o ESPAÇO me protege... Vejo que você só queria respostas, como eu...
Um coisa lhe antecipo... Por enquanto, não será mais preciso morder meu calcanhar... (rs)

Stella

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quarta-feira, 30 de março de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Mulheres X Homens: Amor




O amor dá a mulher duas asas,
e ao homem,
 quatro patas.


Raquel Amarante N.  *2008

Citando Cruz e Sousa - Divina






Eu não busco saber o inevitável
Das espirais da tua vi matéria.
Não quero cogitar da paz funérea
Que envolve todo o ser inconsolável.

Bem sei que no teu circulo maleável
De vida transitória e mágoa seria
Há manchas dessa orgânica miséria
Do mundo contingente , imponderável.

Mas o que eu amo no teu ser obscuro
E o evangélico mistério puro
Do sacrifício que te torna heroína.

São certos raios da tu’alma ansiosa
E certa luz misericordiosa,
E certa auréola que te fez divina!

Cruz e Souza

quinta-feira, 24 de março de 2011

Em quase tudo



A priori,
 sou uma negação.
 A posteriori,
  não.

Raquel Amarante N.

Inquietação



 É que toda inquietação  nasce na alma.
 Alguém me dê o significado de alma,
 porque basta não ter o significado
da minha inquietação.

Raquel Amarante N.


sexta-feira, 18 de março de 2011

O homem que bebia cianureto



Bebia cianureto todos os dias.
Morreu aos cento e sessenta e dois anos.
[Uma ervilha estriada
de herança mendeliana
o fez engasgar.]



Raquel Amarante N.

P.S: Não creia em tudo que lê.

N fatos reais


Eu matei, porque alguém me matou primeiro.
Eu me vendi, porque alguém me vendeu primeiro.
Eu não sou ninguém, porque ninguém
nunca me olhou como um ser inteiro.

Eu quero a prisão,
que é o único conceito que tenho de família.


Raquel Amarante N.

Etern.


Nenhum ponto final
é sinônimo de fim.
Não existe fim
na folha.


Raquel Amarante

Sectarismo



Um brinde aos desencontrados!
Porque maior desencontro nesta vida,
não é perder-se no coração do mundo,
é senão ser perda do próprio coração...

Raquel Amarante N.

2007


Extraído de “Amor na contramão”



E quando a presença se fizer ausente
na lápide do descompasso vital
reinarás em tua mente
celestes lembranças,
porque o amor é livre e latente,
ave que bem alto, na imensidão, se lança,
Mas a saudade é persistente,
num simples passo o alcança.


Raquel Amarante

Ano: 2007

Carta não enviada nº 8 - Vossa magnificência



Valentina,

O que permeia minha mente quando lhe escrevo é toda a falta de intimidade com a sua pessoa. Não comecei esta carta com pronomes de tratamento, pois sempre quis quebrar as barreiras da conveniência. Há um interstício, sim, entre a sua fala hermética e minha indagação pouco formal. A gente é tão diferente... E tão igual.

Era tudo o que eu queria dizer a você...

Stella
 

Carta não enviada nº 7 - Fica frau...



Paula,

Toma um pouco de minha atenção, agora. Mas, sem perguntas, por favor. Abdiquei da coadjuvância, faz tempo que eu sou assim... E ao mesmo tempo, faz tempo que eu tenho sido tantos outros eus-em-mim. Lhe escreverei novamente para dizer tudo o que você representou e representa ainda. Vou terminar esta carta falando sua língua, como nos velhos tempos....
Tchau, fica frau”

Stella
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Carta não enviada nº 6 - IRA!




Plínio,

Na realidade eu gostaria de conversar diretamente e a sós com você. Eu sempre quis conversar a sós com você, de forma que eu tivesse certeza que seria a sós mesmo. Porquê?
Bem, no a sós seria pouco provável que o ambiente influenciasse a ponto de me irritar. Quando te escrevi daquela vez não queria que fosse um monólogo, você está me entendendo?
Pois bem, acho que só tenho uma coisa para lhe dizer, que jamais diria de outra forma: Ahh como eu tenho raiva do que eu fiquei sabendo depois....


Raq... Stella (Ato falho)

*2009

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domingo, 13 de março de 2011

sábado, 12 de março de 2011

Citando o Rocha



SEM TIDO


Lá fora a lua brilha,
o vento uiva
e pessoas buscam.

Ah, eu quero entender o mundo...

Ou apenas
fazer um poema profundo.


Fábio Rocha – Livro: Vice-Rei  (28/12/2001)

quinta-feira, 10 de março de 2011

NA BALADA



Eu vejo gente em CAPS LOCK
eu vejo gente “a última bolacha do pacote”
eu vejo gente por apenas R$9,99
eu vejo gente de graça
eu vejo gente sem graça
eu vejo gente só a cachaça...

eu vejo gente só a cachaça...

eu vejo gente só a cachaça...

E eu não to vendo mais nada.
Tô preferindo ver gente morta.


P.S: *No bom sentido, é claro!

Raquel Amarante N.

Genética X Engenharia Genética


 Um jpeg casou-se com um gif
e teve bitmaps, pngs e tiffs.

Raquel Amarante N.  2007*

domingo, 6 de março de 2011

Carta não enviada nº 5 - O livro que eu não procurava


Kauã,

Lembro-me como se fosse hoje de como lhe conheci. Na biblioteca... (rs) Não se conhece gente como você em bibliotecas... Você também morava (mora) nelas como eu...
Engraçado, você, sabe... Ficou me encarando na biblioteca e depois em todo lugar que me via, me cumprimentava com um oi e um beijo demorado no rosto. E eu... assentia meio... acanhada, talvez.
Depois de anos que nos cumprimentávamos assim, eu decidi perguntar seu nome...KKKKKKKKKKKKKKKK
Ai amigo... Acho que já nos conhecemos de longa data em nem mesmo sabíamos ...

Stella

Carta não enviada nº 4 - Nada mais que isso



Túlio,

Você vai estranhar quando isto chegar na sua caixa de correspondências. Mas sou eu mesma! Não se impressione. Pelo menos parte de mim foi até você...

Stella

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Carta não enviada nº 3 - MediÚNICA



Saudosa Lilith,

Há quantas luas não lhe vejo...
Amiga mística, esotérica, que a muitos dá medo...rs
Sinto saudades de você dizendo que minha aura está azul ou furta-cor..KKKKKKKKKK
E que o meu maior dom é a compreensão... KKKKKKKKKKKK Hahã...
Ou quando dizia enquanto conversávamos que, espíritos nos faziam companhia... Urgrrr..
Lembra dos nossos códigos... Você, interrogação, N, exclamação e eu, reticências...
Saudades...
Lembra do filme premonição... E quase que eu perdia duas amigas no centro da cidade...
Lembro-me de suas poesias, versos longos... Prometi publicá-las... Não esqueci...
Será que ainda escreves?

Stella

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Carta não enviada nº 2 - Espero que entenda...



Flávia,

Esta não é a 1ª vez que te escrevo, mas ainda não sei como começar esta carta. Falta-me as palavras cinestésicas em meu vocabulário. Talvez eu tenha que comprar outro vocabulário, ou talvez tenha que comprar outros sentimentos. Ainda não estou preparada para falar-lhe, espero que entenda.

Stella

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Carta não enviada n° 1 - Estreito corredor



Olá Iago,

Há algumas coisas que nunca lhe falei...
Como, por exemplo, que meu amor por você foi a primeira vista, que brega naum... Mas foi. Pois quando lhe vi naquele extenso corredor, com seus cabelos que batiam nos ombros, eu só consegui ver você...
Seus olhos grandes amendoados e seus lábios cor de morango destoavam no corredor, e depois de algum tempo estávamos juntos, pela força do meu pensamento. Mas de tão fugaz de que foi, veio e "passou", tornou-se, denovo, estreito, o corredor...
Eu te devo tanto... Você me deve tanto...
Estamos quites tá...

"Se lembrar dos tempos
dos nossos momentos
lembre da nossa música."
Comp. Liminha, Vanessa da Mata


Um abraço,

Stella

sexta-feira, 4 de março de 2011

Carta não enviada n° 0



Aos amigos leitores deste blog,

Hoje, introduzo o gênero carta no varal. São as peças mais íntimas que lhes apresento. Cartas não enviadas que tenho escrito há algum tempo. Destinam-se a pessoas que passaram por minha vida e, de alguma forma, transpassaram-na. Trouxeram, deixaram algo. E sabe o que eu faço com algo?
Nada! É este algo que faz alguma coisa em mim... Comigo...
Amigos, amores, conhecidos, pessoas esperadas e inesperadas que já compartilharam momentos, fluxos de pensamentos comigo, serão trazidos, ressuscitados nestas correspondências, ou talvez agora, circulares.
São cartas, mas algumas, podem até levar o nome de bilhetes, breves, mas que passam uma mensagem inteira.
Usarei pseudônimos para tratar os destinatários, mas não os deixarei solitários, usando um pseudônimo também.
Muito prazer,

Stella Graal

*** Tenha acesso a todas as cartas já postadas, clique aqui: "Cartas não enviadas"

Ensaio sobre a Raquel leitora



A leitura não saia de mim quando aprendi as primeiras letras. Lia cartazes, outdoors, placas, Kama Sutras, eu lia tudo... Os livros infantis me proporcionavam viagens profundas... Eu havia encontrado o lugar para onde deslocar minha ensandecida fantasia... E Freud, iria gostar de saber disso!
Foi bem pequena que conheci Roseana Murray, Olavo Bilac, Vinícius de Moraes... Como é importante que os escritores não se esqueçam do público infantil! Eu gostava de livros, com gravuras, é claro! Sempre tive uma percepção bastante visual. Quem me conhece sabe...
Eu colecionava charges de jornais... Ninguém as entendia... Eu gargalhava sozinha, meus coleguinhas nada entendiam.... (“que louquinha”...). Li trocentas vezes Aventuras da  família Brasil de Luís Fernando Veríssimo. Super indico!
O primeiro livro que ganhei foi o Pequeno Príncipe, numa versão mais infantil que a original, A-do-rei... Só que tinha pouquíssimas páginas, e era, de fato, as imagens que proporcionavam a leitura...
Hoje, já não mais com os livros-figuras, já consigo imaginar suficientemente as imagens explícitas e implícitas que as palavras carregam...
Grandes autores já passaram pelas minhas mãos... Uhuu! É que o que fiz com eles é muito subjetivo... Muitos vagam dentro de mim... Mas dentro de mim, ainda há vagas... Lembro-me, nostalgicamente, dA morte do leiteiro, dA cartomante, das Fábulas Fabulosas, das crônicas de Rubem Alves, dos livros de Walcyr Carrasco, do humor de Millôr, de Veríssimo, Cacaso, Leminski... Nem Monteiro Lobato foi enjeitado... Fui conhecendo Drummond, Ana Maria Machado, Pedro Bandeira, Ganymédes José... Até chegar em titio Machado, como chamara entre amigos o Grande Machado de Assis! Hum... Existe uma Raquel antes e depois de Machado de Assis...
Confesso também que alguns ignorei: Castro Alves... Minha xará, primeira mulher da “Academia”: Rachel de Queiroz, os neoclassicistas e realistas-naturalistas e...
Já, Oswald Andrade, Manoel Bandeira, Álvares de Azevedo, Carlos Drummond de Andrade, Lygia Fagundes Telles, Rubem Braga, Fernando Pessoa, Cora Coralina, Pablo Neruda, José Saramago, todos caminham comigo, contra o vento, sem lenço e sem documento...
Ainda não concebi como “devia” alguns conterrâneos... Fernando Sabino, Adélia Prado... Quando conceber, aviso-lhes...
Duas mulheres fazem total diferença em minha noção literária: Cecília Meireles e Clarice Lispector... Uma é gênese, a outra, o apocalipse! Precisaria de outro post pra falar deste amor além do conjugal que tenho por elas...

Céus!!! Como pude me esquecer de Mário Quintana... Justo daquele que recitei em alto e bom som várias de sua poesias... Aquele que tem cheiro de poeta mineiro...
Não posso deixar de lembrar do meu gênero favorito, não, não é a poesia... É a metáfora... O mito... A fábula... Deixo meu carinho especial a Aristóteles e Platão, os pais; aos filósofos, os filhos; e aos escritores amados, Franz Kafka e Ignácio Loyola Brandão, dentre outros...
Será que vocês lembram que de sertão não gosto de falar... O que dizer de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego... Já disse que de sertão não gosto de falar... É demais pra mim...
Só não vou falar dos autores que estou lendo de uns 3 anos atrás pra cá, (Os estrangeiros, os contemporâneos, os de auto-ajuda...) a eles reservo um post especial.

Raquel Amarante N.

Aqui jaz



Aqui jaz
Sobre o pé de mangueira
a corda
Acorda!! É o grito desesperador de sua mãe.

Aqui jaz
O silêncio do pai
negando o acontecido.
Aos prantos por dentro
de um olhar, ressequido

O alcanso com o violão.
Não!
Você não está mais aqui!
Você que se privou de si...


Aqui jaz
Os meus dedos que pressionam
as cordas melancólicas..
Melancólicas, as cordas
ou o meu coração?


Não é preciso partitura
a esta altura da vida, que se lança
A tablatura é o bastante nesta canção.
que a compreensão não alcança.


Aqui jaz
Meus sentimentos desencontrados
Em versos angustiados
Anti-algo
hostil, ameaçador, agente motivador

Aqui  não jaz
a homofobia,
ou os demônios atribuídos ao ato.
Ou as especulações de um fim inato.

Aqui não jaz
um suicídio.
Uma narrativa que começa no fim
Tudo aqui tem certo cheiro de estopim...

Aqui, agora, jaz
Um choro, já com o violão guardado
Da simbiose de um sofrimento não partilhado

Aqui jaz, no fim
O olhar rechaçado sobre o livro:
 “Eu não tenho que resolver tudo”
E um procedimento cartesiano sobre a vida
Que ainda não concebeu direito
a morte.

Raquel Amarante N.

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