"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

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sexta-feira, 4 de março de 2011

Aqui jaz



Aqui jaz
Sobre o pé de mangueira
a corda
Acorda!! É o grito desesperador de sua mãe.

Aqui jaz
O silêncio do pai
negando o acontecido.
Aos prantos por dentro
de um olhar, ressequido

O alcanso com o violão.
Não!
Você não está mais aqui!
Você que se privou de si...


Aqui jaz
Os meus dedos que pressionam
as cordas melancólicas..
Melancólicas, as cordas
ou o meu coração?


Não é preciso partitura
a esta altura da vida, que se lança
A tablatura é o bastante nesta canção.
que a compreensão não alcança.


Aqui jaz
Meus sentimentos desencontrados
Em versos angustiados
Anti-algo
hostil, ameaçador, agente motivador

Aqui  não jaz
a homofobia,
ou os demônios atribuídos ao ato.
Ou as especulações de um fim inato.

Aqui não jaz
um suicídio.
Uma narrativa que começa no fim
Tudo aqui tem certo cheiro de estopim...

Aqui, agora, jaz
Um choro, já com o violão guardado
Da simbiose de um sofrimento não partilhado

Aqui jaz, no fim
O olhar rechaçado sobre o livro:
 “Eu não tenho que resolver tudo”
E um procedimento cartesiano sobre a vida
Que ainda não concebeu direito
a morte.

Raquel Amarante N.

Um comentário:

  1. Teresinha Oliveira9 de agosto de 2011 09:57

    Gostei e entendi :) Morte é coisa estranha mesmo, e cada um a encara sobre diferentes prismas. Até a não-morte que a ronda adquire significado. Teresinha Oliveira.

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