"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

sábado, 30 de abril de 2011

Psicologia Social nos aguilhões do Vate



                                                                 À Flávio (O clarividente)


Oh profeta!
Pessoas são dardos.
Pessoas são fardos.
Meu caminho é de pedras,
não de pessoas!
Oh infante Sinope!
Guarde seus caprichos na bolsa,
que seu caminho é de gente,
que apaga a vela
pra acender a morte,
que acende a dor
no coração em corte,
que sangra, chora, reza
implora.
Até que não sobre mais
PEDRA
Sobre
pedra.


Raquel Amarante N.
(Ano: 2011)
P.S: Baseada na poesia “Socialismo Utópico (in Bíblia)”  - 2008  (A postagem anterior)

Socialismo Utópico (in Bíblia)



“Não restará
PEDRA
Sobre
  pedra.”



Raquel Amarante N.
(Ano: 2008)

Toda sentença




Toda sentença é de morte
porque toda sentença
é de indiferença.

Raquel Amarante N.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Amor com amor se paga"


Hoje eu quero te amar.
Quero te fazer feliz.
Quero olhar em seus olhos
e dizer:
Você é tudo que eu sempre quis!

Raquel Amarante N. *2009


P.S:Nunca canso de assistir este video acima!

domingo, 24 de abril de 2011

De Rio Letes a Geração Prozac



Cooperar com a morte e esquecer a vida.
Cooperar com a vida e esquecer a morte.
Esquecer,
pra não entender.
Esquecer,
pra esquecer.
Nenhum copo desse rio vai matar essa sede do nada.
Nenhum comprimidinho vai matar essa fome de tudo.
O pintor, com suas cores quentes, mente.
A memória apagada ressurge, sintomática.
E a vida se repete novamente,
amarela-apática.

Raquel Amarante N.

“Ter que se iludir, ao se encontrar
 como mecanismos de uma bruta ilusão
E não sentir o que real, o que é viver.
O que é ser, se já não sente?
Se ser drogado é ânsia de não ter querer.
Pra que fugir? Se os problemas sempre vão amanhecer
com você.
E não
tem fim” 

Música: DROGAS - Catedral



sábado, 23 de abril de 2011

A paixão segundo o próprio corpo



evaporam a água - Os corpos
Que defesa têm - os corpos?
Aja anticorpos
contra nosso
próprio corpo,
ou deixe que a nudez
nus vença.

Raquel Amarante N.



Exílio



Se me condenassem
a viver ao teu lado.
Que bem me fariam
viver exilado.
Porque tão doce
seria a sentença,
de ver, entre as grades, o sol
que é a tua presença.

Raquel Amarante N. *2008

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Tomates na estrada



Quando eras pequenina
Ninguém te olhou menina.
Cresceu feito tomate de fezes.
Onde estão seus pais, menina?
_ Não sou filha de ninguém,
não sou para ninguém alguém.
Que cagada!
Hoje já não mais menina
planta tomates na estrada.

Raquel Amarante N.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O poeta


O poeta acordou
seu pão sujo engoliu
seu estômago sujo rejeitou
e despejou sua sujeira
numa calçada limpa.

Raquel Amarante N.

domingo, 17 de abril de 2011

Presente de uma amiga anônima - Surfistemo-emos!


Surfistinha, não me arrisquei subir em sua prancha,
medo de afogar-me nas águas
molhar-me e sentir o sal ardente a queimar das suas águas,
pois era cada palavra...
desbocada, despudora, debochada
[palavrinha, palavrão!...

Oh, Surfistinha, subi sim, contigo em sua prancha!
pegando cada onda,
sua louca palavra deslancha...

Mas, onde? Como? e Por que?
No mar das palavras, ó Surfistinha,
neste mar infinito que abraça e se confunde com o horizonte,
tranquilo, profundo, furioso...

Surfa, surfa, surfa, ó Surfistinha
no seu balé impúdico de bailarina suja e encantadora em alto mar, lançada no mar,
tal qual a mais pura oferenda à Iemanjá...

Surfa, surfa, surfa, ó Surfistinha
tirando onda
na crista da onda
do seu mar
desbocado, despurado, debochado
[livre e complexa no canto de sereia fascinante da sua palavra...

Oh! Pois não é que a tua p* palavra
rodando bolsinha
nas ondas do grande mar
era apenas a doce sina,
simplesmente e tão somente,

da palavra em pureza...


***Autora Anônima

Carta não enviada nº 12 - Foi-se ou Foice e ficou



*Mas eu preferia que não tivesse ido, ou que não tivesse ficado
assim...
     (...)

Davi,

Eu sei que esta carta não chega mais. Eu sei que seus olhos vermelhos eu não tenho mais. Eu sei, que há dias em que a gente não acorda mais. Mas... Saber nada alivia! “Entender é sempre limitado”¹ e viver, é ter raízes frouxas, eu sei! A gente vai deixando que a enxada de cada dia capine em nós os excessos, para renascermos mais uma vez, complexos matos. Daí, nos rancam pelas raízes e plantam outros, apropriados - por certo tempo. Mas... Mais difícil, sabe, mais difícil, mesmo, é compreender os que não as criam. Não criam raízes...
Você nunca me disse nada, nenhuma frase. Seu silêncio e olhar sorumbático – sempre, sempre pareciam dizer tudo.
Você e as paredes... Sempre colado nelas. Sempre de camisa branca. E as paredes brancas... Eu confundia você com elas... Com as paredes!
Você, mais uma vez, não disse nada, não deixou carta. Você, que sabia escrever tão bem... Nenhum desenho você deixou, nenhuma marca. Crime perfeito contra si, contra mim, contra todos! Vejam só, minha indignação... “Contra”, quem sabe você não chamou de “a favor”. E o que chamo de burrice, quem sabe, não chamou de amor     próprio.

Sem entender.
Tentando entender.

Stella






¹Clarice Lispector

Saiba mais sobre esta e as outras cartas: http://raquelamarante.blogspot.com/2011/03/cartas-nao-enviadas-n-0.html

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ato falho do dia: Sex appel da Psicologia



Por que toda psicologia é sensual,
digo,
social”

*Frase da Silvia Lane, digamos.. Inconscientemente parafraseada..


Raquel Amarante N.


P.S: Lembra Robert, Psicólogo...! rs

Avesso


Eu vesti a vida
do lado avesso.
Dizem que dá um azar danado!
Agora estou eu aqui
tentando achar o outro lado
da vida.


Raquel Amarante N.

domingo, 10 de abril de 2011

Surfistinha


Pai,
poupe-me do imperativo!
Minha palavra é livre...
Quase puta
na esquina
rodando bolsinha!
Dou
porque não tenho pretensão
que ela seja só minha.
Deixai que ela fique
de quatro
pra ver o mundo num ângulo reto.
Porque meu ser em palavra
é um ser complexo!

*Mas sem o tal de Édipo!

Raquel Amarante N.

sábado, 9 de abril de 2011

Amor Transferencial (a resistência irresistível)

                                       
                                          à tantos...


Eu perdi esta aula,
 mas sei TUDO disso!
Quem é Freud, Lacan
 ou qualquer outro
no jogo do bicho,
[pra entender melhor que eu
deste amor-lixo?]
A transferência é quase
como um pacto com o diabo.
No início, belle époque...
Depois de um tempo de manejo
Triste époque...
No fim,
engolfado no arrependimento
Por qué?Por qué?

 E a voz taciturna“terapêutica”
não soa, mas ouço no ermo silêncio um...
 _Lamento muito! É o tratamento...


Raquel Amarante N.


P.S: Minha experiência em pactos é meramente uma pesquisa não-participante.

"O sujeito fala de um lugar"

“Eu amava como amava um cantor, de qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor” Oswaldo Montenegro (Lua e flor)

“Meu amor é um grande raio, galopando em desatino” Djavan (Faltando um pedaço)


“Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão”. Tom Jobim (Sei lá)

Carta não enviada nº 11 - Ausência Inominada



O ar está rarefeito, ou é o efeito da síndrome de abstinência total da tua presença? Ao certo não sei lhe dizer o que sinto, também sou uma dúvida nos sentimentos. Você, nem imagem tinha... Imagem não é nada mesmo... Não era preciso ser alguém, ser visível, identificável... Não é preciso nomear as estrelas... Elas brilham e basta! Belamente iluminam noites inteiras... Espero que a nuvem que transpôs seu brilho, retirando-o (a) do meu campo atentivo, se vá logo, e logo, logo te tenha aqui de novo comigo, amigo (a).

Stella

terça-feira, 5 de abril de 2011

Álbum de casamento



Mãe, quem é esta aqui?
Ah.. É a filha de dona Carmen, hoje ela mora em São Paulo.
E este?
Qual?
Este aqui!
É seu tio, Ana!
Tio?
Tio Walter, do Araçuaí.
Hum...
Mãe,
esta aqui não é Janete?
É.. É sim. Tá novinha, né?
E quem é este que tá abraçando ela?
Era um namorado dela, não lembro o nome dele...
Namorado? Mas ela não gosta de... Mulher?
É... Ana, mas... Nem sempre foi assim...
Manhê...
Oi...
E estes dois aqui? De mãos dadas... Eles se casaram?
Sim, se casaram sim, mas já se divorciaram.
Hum...
Oh mãe,
quem é este altão aqui?
Não aponta menina!
Oras, mas por quê?
Ele já faleceu! Faz mal.. Fecha este álbum, vai!
Faz mal? Por que faz mal?
Ahh... Faz mal Ana.
Faz mal como?
Não é bom filha...
Mas por quê? O quê que acontece?
Ahhhh Ana!!! faz mal. Não sei... Faz mal! Não é bom apontar para pessoas mortas...
Mas mãe, por quê? Alguma pode vir do além? (risos)
Não Ana! Só
não
é bom!
Não é bom pra quem, pra mim ou pra pessoa?
AHHHH.. NÃO SEI!!! NÃO SEI, ORAS!!! Você faz muitas perguntas!!!

sábado, 2 de abril de 2011

Citando Khalil Gibran sobre "O TRABALHO"



"O trabalho é o amor feito visível. E se não podeis trabalhar com amor, mas somente com desgosto, melhor seria que abandonásseis vosso trabalho e vos sentásseis à porta do templo a solicitar esmolas daqueles que trabalham com alegria.

Pois se cozerdes um pão com indiferença, cozereis um pão amargo, que satisfaz somente a metade da fome do homem"

Khalil Gibran - "O profeta"

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ensaio sobre a Ética em quatro linhas



Se a cada dia,
cada um no mundo,
repensar seus versos,
poderão nascer dias mais poÉTICOS.

Raquel Amarante N.

Citando Paulo Freire



“Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade”. Paulo Freire

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