"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

sábado, 28 de maio de 2011

Sabor de vinho



Minha alma é em verso,
meu verso é em prosa,
minha flor é a rosa,
minha rosa é o espinho,
meu espinho é o amor...
Sabor de vinho.

(Raquel Amarante)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Ensaio sobre a Loucura


A loucura é um caminhar no escuro, e quem caminha no escuro perde a luz que clareia os olhos, mas não perde a visão. Pior que perder a visão, é tê-la em abundância no escuro, instaura-se o mal-estar de enxergar o que não se quer ver, a cor da onipresente ausência. Antes fechar os olhos de súbito e refugiar-se na clareira imaginária de dentro, ou mesmo, entrever o pensamento de um escuro mais ameno, mais familiar, o escuro recôndito de todo ser.
 O escuro de fora é aturdido, rechaçado, totalmente isento de luz. É este o escuro pai imaginário do medo infantil. É este o escuro tido por descaminho, malquisto pelos “cavaleiros da luz”. É este escuro o lugar da procura, do tatear paredes em busca do apagador que acenda o sentido, tão mais desejado que a vida!
Quem anda no escuro sabe mais do que nunca que não se vai adiante no fundo negro sem fantasiar o caminho, sem precisar de apoios, sem “trombar” nos móveis e monstros. Vencidos os primeiros estranhamentos do escuro, refratário de cápsulas vaga-lume com efeito breve e viciante, mergulham num universo de sentido pleno, não isento de escuro, não isento de dor. Só o silente escuro permite que se ouça vozes desesperadoras que gritam na vizinhança (“Vozes Veladas Vozes”). Só no escuro que se vê para além dos olhos, e que se crê tanto no que se vê, que montanhas são removidas por meio destes. Só o escuro apaga a visão superficial, do aparente, e aprofunda na crueza tão virgem e vital do ser. O escuro não cega, o que dizer da luz?.. É Este escuro capaz de suscitar um tato tão mais sensorial que o próprio sentir corporal.
É possível desenhar tão melhor o sentido da luz no escuro... Isso porque a luz sem escuro desconhece seu apelo em ser o que é. Os lúcidos nunca entenderão o escuro, não o enxergam, estão tão cheios de luz! Os que caminham no escuro não enxergam a luz, mas, o que é a luz que atravessa os olhos senão alheia ao que vê? Uma luz de outrem, uma luz em terceira pessoa, uma luz reflexo-irrefletida... O louco tem sua luz própria, e ela pisca, e brilha, e induz.

Os homens que não podiam subir em palanques
Narrador 1: E eis a normalidade ensaiando seu discurso de posse do homem, quando a loucura o toma por inteiro e este começa a divergir dos outros. Na cor da pele e cabelos ressoava uma insuportável diferença, era inconcebível tê-lo no meio de nós, normais. Internado, viu-se no lugar que lhe cabia, onde não poderia incomodar ninguém.
Narrador 2: Num dia de sol claro, em meio ao banho de sol, este homem sobe num palanque, (banco) da sua prisão, como se subisse no palanque vida! Em meio à multidão de seguidores, dois,  e com uma voz estrondosa, grita: Os loucos devem ser mantidos fora de alcance de palanques! Logo, um funcionário da prisão, tirou-lhe do seu tablado e disse: Então venha cá, Napoleão, venha cá... Ninguém deu conta da normalidade do louco...  Enquanto isso, alguns governantes e religiosos sobem em palanques em favor da Luz. “Guiam” os povos. Muitos estão cegos de lucidez!

(Raquel Amarante - 2011)

sábado, 21 de maio de 2011

Carta não enviada nº 13 - Eu não quero respostas




Sofia,

Sem  mesmo saber que lhe perguntei, você me respondeu. Mas não era sincronia. Sabia que ia chegar a hora de você dizer desta questão...
Mas, sei lá... Ainda soa como se não tivesse respondido. Não gosto de respostas! Mesmo as suas... Quem diria... Doravante, perguntarei menos...
Mentira! Não consigo... A dúvida é minha arte. Nada que faço advém de respostas... Você também é uma pergunta, mesmo buscando, também não quero respostas que dizem de você. Antitético isso, sim... Como todo não querer é um querer...
Abraço fraterno,

Stella  

Saiba mais sobre esta e as outras cartas: http://raquelamarante.blogspot.com/2011/03/cartas-nao-enviadas-n-0.html

terça-feira, 17 de maio de 2011

"O amor é paciente"



Eu não tenho portas,
só tenho janelas.
É difícil entrar.
É difícil sair.

(Raquel Amarante)

Auto-análise nº 1



Giro
em torno
do giro.


(Raquel Amarante)


"Todo homem é um tolo por pelo menos 5 minutos todos os dias; a sabedoria consiste em não exceder este limite." (Elbert Hubbard)

"Existem duas tragédias na vida. A primeira é  não conseguir tudo aquilo que desejamos. A segunda é consegui-las." (George Bernard Shaw)

domingo, 15 de maio de 2011

Psicanálise pura, a religião


Tire a sandália dos pés e veja
quão fálicos são!
Por medo da conversão
religiosos de outras crenças
abominam esta religião.
E o Humanismo os acolhe!
Lá vem Rogers, com toda sua empatia
“Tornar-nos pessoas” “conscientes”
Por que não?

Não era pra psicanálise ser ópio
mas, à Saint Simon¹,
eis tão dogmática!
Inexorável.
Estática.
Na onisciência da
 neurose, psicose, perversão.
Quem haverá de transpor
o umbral totemico da civilização?

12 mandamentos oprimem
198² conferências não.
Projeção?
Brinco.
Rio... Chiste.
Ilusão? Talvez...
Não freudiana.
Mas pós...
Assim também, não deísta...
Mas pós...
N’outro sentido
Pós especifica. [Limita]
E os olhos extasiados
ficam cegos com a luz em demasia,
mas não acordam do sonho.

“Tá recalcado,
em nome de Freud.”³
Amém!

(Raquel Amarante N.)

¹ Criador do “Novo Cristianismo”, como uma religião sem teologia e sem Deus.
² Número simbólico
³ Frase Taffareliana

“Toda religião estranha é pura invenção humana, enquanto a deles próprios é uma emanação de Deus” Karl Marx (Em A ideologia alemã)

“Em primeiro lugar, os ensinamentos merecem ser acreditados porque já o eram por nossos primitivos antepassados; em segundo, possuímos provas que nos foram transmitidas desde esses mesmos tempos primevos; em terceiro, é totalmente proibido levantar a questão de sua autenticidade.” FREUD (Em O futuro de uma ilusão – Obras Completas – Volume XXI)


segunda-feira, 2 de maio de 2011

O poeta é verdadeiro


O poeta é verdadeiro
e por ser tão verdadeiro
sabe porque dói tanto sê-lo.

Raquel Amarante N.

Canções do Varal

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