"Quem medirá o calor e a violência do coração dos poetas, quando capturados e aprisionados no corpo de uma mulher?" Virgínia Woolf

terça-feira, 7 de junho de 2011

Carta não enviada nº 14 – Excerto do meu primeiro romance



Caro amigo Ernest,

Há um conluio entre os meus personagens, não sei o que fazer... Acho que não deveria mais criar... Não tenho o mesmo gozo. Eles eram meus amigos, sabe... Os mais íntimos! Esforcei-me  para abdicar do meu direito sobre eles. Anseio por uma liberdade sem igual, dei a eles este meu sentimento, não era para estes se revoltarem! Entendo-os, a revolta é um indício da não passividade frente a liberdade, entretanto, hoje chego a uma tangível conclusão: Não basta dar liberdade depois de ter criado, eles querem ser livres-intocados. Apetecem a auto-criação, sofrem por não tê-la. Sofrem por temor à morte... Acho que a auto-criação lhes daria um sabor maior de controle, sabor este que nós deuses-escritores sabemos não ser possível. Eles,  amigo Ernest, querem  tocar na criação para experimentar a eternidade... No fim, o grande problema deles é com o avantesma da morte, esta, que sempre lhes aprisionará do dissabor do príncipe da incerteza, o tempo.

Homero*

*Personagem do meu primeiro romance.

Saiba mais sobre esta e as outras cartas: Sobre as "Cartas não enviadas" 

23 Comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Raquel
Muito bom. Os personagens querem vida própria, e se perde o controle sobre eles.
Bjux

Alê disse...

"É difícil ficar adulto"


Lindo!!!!!!!!!!!!

Guilherme disse...

O tempo é um banco de areia no mar da vida. (Shakespeare)

Eraldo Paulino disse...

O dilema entre criador e criatura.

Lindo!

Bjs!

Lilian disse...

as coisas mais doces demoram a amadurecer.
Beijo.

Anônimo disse...

(...)
Que enredo abissal de trama cortante e de entrelinhas de um fogo invisível, a senhorita uma neófita virginal da pena em prosa fora arrumar em seu primeiro romance, hein?
Que dor profunda e infinita deve ser essa dos "deuses-escritores" no exato momento da criação e por toda a história: liberdade, poder e "auto-criação"... ah, que palavra mais esdrúxula, dona escritora - de quem ainda não sei o nome - e todas suas implicações tanto possíveis quanto inimaginadas, belas e terríveis...
Mais uma vez confesso não consigo me atentar para isso, é de toda e insolitamente uma coisa aterradora.
"Deuses-escritores" cuja dor da dúvida perfura-se na perfeita consciência e a da impotência a ferir a incomensurável onipotência... "Auto-criação, Existência e, ... Auto-destruição".
Ah, não pensemos nisto, ou, penses tu, jovem escritora de virginal romance, com as tuas personagens para a criação e a decifração do mistério, quando obra e criador se fruem em uma só essência do finito e da imortalidade. E esta obra, as tuas personagens, agoniza-se na "enxaqueca" do mistério dessa consciência e rebeldia, e em sobremaneira tu, que és o próprio princípio e sentimento da consciência delas.

Bem, julgo que nada mais posso eu te dizer, talvez somente te desejar que a sorte e a sapiência tão pertinentes dos "deuses-criadores" possam ir conduzindo sua pena no instante de feitura das belas e tortas escritas da tua obra para à elevação das entrelinhas certas da tua escritura.

Boa Sorte,
Jovem e inominável escritora
em teu romance, e espero que
possas me presentear com um exemplar.

Sandra Ribeiro disse...

Gostei, e especialmente deste trecho lindo:
" Não basta dar liberdade depois de ter criado, eles querem ser livres-intocados."

Caroline Hagood disse...

Thanks for the kind comment on my blog. I wish I spoke Portuguese.

Fernand's disse...

depois de criados, eles tornam-se deuses...


=)

bjs, linda.

Associazione Culturale Luís de Camões disse...

Desejamos a todos os Portugueses um Feliz Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Nós também celebramos este dia no blogue da “Associazione Culturale Luís de Camões” – Un ponte fra Italia e Portogallo (Milão – Itália): ”10 Giugno: Giorno del Portogallo, di Camões e delle Comunità Portoghesi - 10 de Junho: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”.
Estamos também no Facebook!.
Um grande abraço

Tatiana Moreira disse...

Oi Raquel...
Depois de criado... Tudo parecer ter asas!
Aproveito para desejar que não somente o dia 12 mais todos os dias de sua vida sejam repletos de muito amor!
Um beijo carinhoso

R.B.Côvo disse...

Estou participando de um concurso literário e preciso de votos. É simples. Se você tiver facebook entre na sua conta e acesse este link:
http://www.conteconnosco.com/trabalho-detalhe.php?id=622

Daí é só logar na página do lado direito no topo "login with facebook" e votar no botão vermelho abaixo da foto. Para ir ao texto vai na categoria escrita, na segunda página. O texto é M. de Ricardo Barbosa.

Conto com sua ajuda!

Pode votar todos os dias até o final de julho, você também concorre a prêmios.

Obrigado!

Alvarêz Dewïzqe disse...

Romances, ou contos, psicológicos é só pra quem sabe mesmo. Você sabe. Muito bom!

Poseidón disse...

Olá Raquel

Pase a visitar tu blog y leerte.
Tengo publicado un acróstico sobre la melancolía te invito a leerlo.
Feliz día.

Beijos, Besos

Raquel Amarante disse...

Agradeço aos comentários dos amigos!!!

Raquel Amarante disse...

Sra. Anônima,

Presentearei se um dia vier a publicar. Agora, aí sua identidade de anônima será revelada..rsrs

""Deuses-escritores" cuja dor da dúvida perfura-se na perfeita consciência e a da impotência a ferir a incomensurável onipotência... " FANTÁSTICO...
A liberdade é tão controversa...

Raquel Amarante disse...

Hi Ms. Hagood,

Welcome!

Raquel Amarante disse...

Obrigada Alvarês, Tati...

Raquel Amarante disse...

Poséidon,

Visitarei sim..

BJ

Anônimo disse...

Cá venho retificar, pra que não pareça dúbia, a afirmação presente no primeiro comentário relativa a "uma escritora de pena virginal", pois com essa expressão queria, e quero, dizer sobre uma escritora no instante "nupcial" da concretização do seu primeiro romance, diga-se, o de estréia.
Agora, sobre a identidade da pretensa romancista, confesso que de início não entrevi nenhum pseudônimo assim como depois conjeturei às lembranças de Stella Graal, e da própria poetisa Raquel que agora sei que é a autora inconteste do "Exerto" prenúncio do vindouro romance. Oxalá.

Também sobre o presente, há de assinar-me um exemplar na noite de autógrafos quando eu, sem medo, vou te revelar que não passo de uma "Esfinge sem segredo". Aguardemos-nos.

Raquel Amarante disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Eu não tenho nenhuma idéia de quem vc possa ser, se é que eu te conheço pessoalmente.
De qualquer forma, sua presença aqui é muito marcante..rs
Ahh! E... Acho muito improvável que publique esta coisa que ando chamando de romance.
Não sei se dou conta de continuá-lo... (É muito angustiante escrevê-lo.)
Quanto a "uma escritora de pena virginal" rs. Eu saquei.. Digo, entendi.. Da minha forma, claro!

"Esfinge sem segredo"
Quanto mistério!!! rsrsrrsrsr
Tenho controlado bem minha curiosidade, não acha?

Anônimo disse...

Acho. E não é que acho também que a gente nunca se achará!
Ou melhor, ou muito...
À espera do livro.

Raquel Amarante disse...

rs
Aqui já é um lugar de encontros.

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