"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

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terça-feira, 7 de junho de 2011

Carta não enviada nº 14 – Excerto do meu primeiro romance



Caro amigo Ernest,

Há um conluio entre os meus personagens, não sei o que fazer... Acho que não deveria mais criar... Não tenho o mesmo gozo. Eles eram meus amigos, sabe... Os mais íntimos! Esforcei-me  para abdicar do meu direito sobre eles. Anseio por uma liberdade sem igual, dei a eles este meu sentimento, não era para estes se revoltarem! Entendo-os, a revolta é um indício da não passividade frente a liberdade, entretanto, hoje chego a uma tangível conclusão: Não basta dar liberdade depois de ter criado, eles querem ser livres-intocados. Apetecem a auto-criação, sofrem por não tê-la. Sofrem por temor à morte... Acho que a auto-criação lhes daria um sabor maior de controle, sabor este que nós deuses-escritores sabemos não ser possível. Eles,  amigo Ernest, querem  tocar na criação para experimentar a eternidade... No fim, o grande problema deles é com o avantesma da morte, esta, que sempre lhes aprisionará do dissabor do príncipe da incerteza, o tempo.

Homero*

*Personagem do meu primeiro romance.

Saiba mais sobre esta e as outras cartas: Sobre as "Cartas não enviadas" 

23 comentários:

  1. Olá Raquel
    Muito bom. Os personagens querem vida própria, e se perde o controle sobre eles.
    Bjux

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  2. "É difícil ficar adulto"


    Lindo!!!!!!!!!!!!

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  3. O tempo é um banco de areia no mar da vida. (Shakespeare)

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  4. O dilema entre criador e criatura.

    Lindo!

    Bjs!

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  5. as coisas mais doces demoram a amadurecer.
    Beijo.

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  6. (...)
    Que enredo abissal de trama cortante e de entrelinhas de um fogo invisível, a senhorita uma neófita virginal da pena em prosa fora arrumar em seu primeiro romance, hein?
    Que dor profunda e infinita deve ser essa dos "deuses-escritores" no exato momento da criação e por toda a história: liberdade, poder e "auto-criação"... ah, que palavra mais esdrúxula, dona escritora - de quem ainda não sei o nome - e todas suas implicações tanto possíveis quanto inimaginadas, belas e terríveis...
    Mais uma vez confesso não consigo me atentar para isso, é de toda e insolitamente uma coisa aterradora.
    "Deuses-escritores" cuja dor da dúvida perfura-se na perfeita consciência e a da impotência a ferir a incomensurável onipotência... "Auto-criação, Existência e, ... Auto-destruição".
    Ah, não pensemos nisto, ou, penses tu, jovem escritora de virginal romance, com as tuas personagens para a criação e a decifração do mistério, quando obra e criador se fruem em uma só essência do finito e da imortalidade. E esta obra, as tuas personagens, agoniza-se na "enxaqueca" do mistério dessa consciência e rebeldia, e em sobremaneira tu, que és o próprio princípio e sentimento da consciência delas.

    Bem, julgo que nada mais posso eu te dizer, talvez somente te desejar que a sorte e a sapiência tão pertinentes dos "deuses-criadores" possam ir conduzindo sua pena no instante de feitura das belas e tortas escritas da tua obra para à elevação das entrelinhas certas da tua escritura.

    Boa Sorte,
    Jovem e inominável escritora
    em teu romance, e espero que
    possas me presentear com um exemplar.

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  7. Gostei, e especialmente deste trecho lindo:
    " Não basta dar liberdade depois de ter criado, eles querem ser livres-intocados."

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  8. Thanks for the kind comment on my blog. I wish I spoke Portuguese.

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  9. depois de criados, eles tornam-se deuses...


    =)

    bjs, linda.

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  10. Desejamos a todos os Portugueses um Feliz Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Nós também celebramos este dia no blogue da “Associazione Culturale Luís de Camões” – Un ponte fra Italia e Portogallo (Milão – Itália): ”10 Giugno: Giorno del Portogallo, di Camões e delle Comunità Portoghesi - 10 de Junho: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”.
    Estamos também no Facebook!.
    Um grande abraço

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  11. Oi Raquel...
    Depois de criado... Tudo parecer ter asas!
    Aproveito para desejar que não somente o dia 12 mais todos os dias de sua vida sejam repletos de muito amor!
    Um beijo carinhoso

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  12. Estou participando de um concurso literário e preciso de votos. É simples. Se você tiver facebook entre na sua conta e acesse este link:
    http://www.conteconnosco.com/trabalho-detalhe.php?id=622

    Daí é só logar na página do lado direito no topo "login with facebook" e votar no botão vermelho abaixo da foto. Para ir ao texto vai na categoria escrita, na segunda página. O texto é M. de Ricardo Barbosa.

    Conto com sua ajuda!

    Pode votar todos os dias até o final de julho, você também concorre a prêmios.

    Obrigado!

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  13. Romances, ou contos, psicológicos é só pra quem sabe mesmo. Você sabe. Muito bom!

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  14. Olá Raquel

    Pase a visitar tu blog y leerte.
    Tengo publicado un acróstico sobre la melancolía te invito a leerlo.
    Feliz día.

    Beijos, Besos

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  15. Agradeço aos comentários dos amigos!!!

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  16. Sra. Anônima,

    Presentearei se um dia vier a publicar. Agora, aí sua identidade de anônima será revelada..rsrs

    ""Deuses-escritores" cuja dor da dúvida perfura-se na perfeita consciência e a da impotência a ferir a incomensurável onipotência... " FANTÁSTICO...
    A liberdade é tão controversa...

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  17. Cá venho retificar, pra que não pareça dúbia, a afirmação presente no primeiro comentário relativa a "uma escritora de pena virginal", pois com essa expressão queria, e quero, dizer sobre uma escritora no instante "nupcial" da concretização do seu primeiro romance, diga-se, o de estréia.
    Agora, sobre a identidade da pretensa romancista, confesso que de início não entrevi nenhum pseudônimo assim como depois conjeturei às lembranças de Stella Graal, e da própria poetisa Raquel que agora sei que é a autora inconteste do "Exerto" prenúncio do vindouro romance. Oxalá.

    Também sobre o presente, há de assinar-me um exemplar na noite de autógrafos quando eu, sem medo, vou te revelar que não passo de uma "Esfinge sem segredo". Aguardemos-nos.

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  18. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    Eu não tenho nenhuma idéia de quem vc possa ser, se é que eu te conheço pessoalmente.
    De qualquer forma, sua presença aqui é muito marcante..rs
    Ahh! E... Acho muito improvável que publique esta coisa que ando chamando de romance.
    Não sei se dou conta de continuá-lo... (É muito angustiante escrevê-lo.)
    Quanto a "uma escritora de pena virginal" rs. Eu saquei.. Digo, entendi.. Da minha forma, claro!

    "Esfinge sem segredo"
    Quanto mistério!!! rsrsrrsrsr
    Tenho controlado bem minha curiosidade, não acha?

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  19. Acho. E não é que acho também que a gente nunca se achará!
    Ou melhor, ou muito...
    À espera do livro.

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