"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

domingo, 31 de julho de 2011

Sobre a morte

O sol se põe sobre o corpo ainda vivo
O sol homenageia o sangue vermelho que no asfalto corre.
O sol é partícula de luz sobre a "escuridão" de quem morre.
O sol se despede e a noite surge sem alívio.


O sol já não existe
O sol nasce tão triste
O sol agora é só.

(Raquel Amarante)

sábado, 30 de julho de 2011

A mulher que não exprimia

à Ignácio de Loyola Brandão

Ela espremia com suas mãos, seu jeito materno, todas as laranjas que via... Passava o dia inteiro espremendo... Foi quando um dia, não tinha mais laranjas em sua casa para espremer e então viu-se espremendo suas próprias mãos. Seu marido, quando chegou do trabalho, não acreditou no que viu. Como pode, mulher burra! Esbravejou. Como pode espremer suas próprias mãos!!! Calada, consentiu a perturbação do marido, afinal, ele estava mais do que certo. No dia seguinte, a mulher de dedos machucados deu sua última espremida. Nada disse, apenas espremeu-se toda, virou suco. Seu marido ao chegar do trabalho notou sua falta e estranhou...
Ao ver o suco sobre a mesa, levou-lhe à garganta e bebeu sedento. Levado pelo descontentamento, não hesitou em dizer: Some e ainda faz um suco ruim desses!

(Raquel Amarante)

Conheça ou relembre de uma postagem irmã dessa (clique aqui >>): O homem que bebia cianureto


Imagem extraída das fotos do *Grupo de Ninguém, clique na foto para ter mais informações.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

“Agora é que são ELAS”

Acompanhe a poesia com esta canção:  Shania Twain - Man, I feel like woman


                   à Regina Navarro

Não me dê amor
estou farta desta convenção.
Dê-me tudo que termina em ÃO
Paixão
Contração e dilatação
Tesão
Coração não!
Não me venha com órgãos sem vértices...
Não me vista
Dispa
Não me toque
Frema
Mas,
não me provoque
um edema.
Desamarre seus preconceitos
Interprete meus cheiros
Enterneça sua resistência
                                             por um instante.]
Enrijeça seu tônus
e levante a bandeira
                                      deixai que ela seja a conquista]
Não deixe pistas
Deixe só o corpo...
Depois vá todo
Logo!
Sem nunca ter estado
Sem vanglória, sem vitória
Sem o lodo do seu medo
Sem amor nenhum
Sem pronome de posse
Sem olho no olho
Sem beijos de despedida
Vá feliz, Vá!
Vá procurar a imperatriz
que vai reinar em sua vida
A garota da sua história...
A que vai ser a mãe dos seus filhos.
(Raquel Amarante)

P.S:  Aos que pensaram ser o “eu lírico” de  uma meretriz, lamento muito,  é apenas o “eu lírico” de uma mulher isenta do olhar castrador machista.

                                                           **** Poesia feminina *****

à Regina Navarro


É preciso se libertar do casulo androgenado
É preciso entender este corpo de borboleta,
                                                           tão encerrado na visão  lagártica do mesmo... ]

Pra que servem estas asas?
Pra que servem estas asas?

(Raquel Amarante)

P.S 2: Neologismos... Por que não?

Cárcere confessional




Não prenda minha poesia no meu corpo, meu corpo não dá conta dos desejos da minha poesia.


Haikai : Universal

Não me entenda como confessional
Fora de mim
há mundo também.

(Raquel Amarante) 

Despir



Você e o vento
têm o mesmo desejo
levantar meu vestido.

(Raquel Amarante)

Liquidez?


                                                                     à Bauman e Sérgio Sant'Anna
  
É tarde de mais...
Mas senhorita Scott?
Não pode entrar rapazinho!
Mas eu paguei, está aqui meu bilhete!
Não pode entrar, está atrasado meia hora.
Senhorita Scott, só desta vez, eu prometo que não acontecerá novamente.
Não é assim que as coisa funcionam aqui.
Por favor senhora Scott! Eu preciso muito!
Tudo bem. Mas só desta vez.
Trouxe a camisinha?
Sim.
Ponha e entre.

(Raquel Amarante)


 Tela de João Alves -  A minha prostituta

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dumb (Mudo)


You’re a dumb, stupid.
Why can’t you like me?
Why do you just desire my body?
I need your heart.
I need be loved by anyone who gives me caresses and say beautiful words, and not a person who wants touch me and kiss me without love.
You’re a scoundrel but I don’t forget you.
Shit!

***by Natasha


Mudo

Você é um burro, estúpido.
Por que você não pode gostar de mim?
Por que você apenas deseja o meu corpo?
Eu preciso do seu coração.
Eu preciso ser amada por alguém que me dê carinho e que diga palavras bonitas, e não por uma pessoa que quer me tocar e me beijar sem amor.
Você é um canalha, mas não me esqueço de você.
Merda!

Textos e poesias em Inglês


Tenho a felicidade de trazer um novo tipo de postagens para o blog...

Textos em inglês de uma amiga querida: Natasha* (pseudônimo).  

Femininos e pujantes, seus escritos revelam os sentimentos “ao sabor do corpo” e “à flor da pele”...
Ao nível do aMar, esses nos fazem retornar ao estado plácido de encantamento de outrora, às nossas memórias... Mas também, às indesejadas decepções...
Chamo-os de femininos, por voz de “eu - lírico”, mas tais escritos enunciam o sentir... E o sentir não se distingue por identificações de gênero...
Que os caros leitores do blog façam uma boa degustação de tais textos.
Beijo poético.

Raquel Amarante

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Citando Mara Medeiros - "Marrom 4.3"

Leia esta poesia ouvindo:  Creep - Karen Souza

Da última vez eram 43...

Não sei dizer se passaram dias, meses ou anos...
Parei de contar.
Parei de calcular.
Parei de especular.
Começo a examinar.

Levo pro chuveiro, apertada ao peito, a sacola de planos.
Ou seriam sonhos?
Medonhos?
Tristonhos?
Risonhos?
Agora enfadonhos!

No fundo, bem no fundo, há um girassol amarelo.
Era pra ser rosa!
Era pra ser bossa!
Era pra ser fossa!
Era pra ser joça!
Era pra ser troça!
Era pra ser prosa!

A velha sacola se desmancha, pano podre,
Esvai-se entre meus dedos:
Desfaz-se um sonho inteiro...
Despencam os ponteiros...
Agora é pesadelo:
A tinta pra cabelo,
O ralo, o chuveiro!

Olho atordoada para o rio
em tom castanho 4.3.
Arrasta os fragmentos
Da sacola, dos lamentos,
E também dos tais momentos...
Pois que sim, houve momentos,
Uns de contentamentos,
Mais de constrangimentos.

Eu crio cegamente no mundo cartesiano.
Ilusão de ótica!
Ilusão de ética!
Ilusão caótica!
Ilusão patética!
Ilusão compartimentada!

Na tão preciosa sacola
O mundo era plano,
Redondo o sonho,
Fugaz o direito,
Servil o dever.

Percebo a contragosto, nada estava organizado.
Não há perfeição,
Nem compartimentos,
Não há rimas,
Nem contrapontos,
Não há ritmo!

Entre tufos de cabelos tintos em marrom perfeito,
Marrom 4.3 – Chocolate profundo,
Avisto o girassol, em amarelo profuso,
Contraste combinado à cor que engana o mundo.

O girassol sussurra, depois fala, depois grita:
“A vida é essa inquietude,
Essas incertezas, essa mistura de tudo...
Dos sonhos e dos planos,
Do querer, do desistir,
Do ser e do devir.
É esse infinito de horas
Que a tinta nos teus cabelos
Esconde do mundo inteiro,
Mas, não da tua alma.”

“Que desperdício!”,
Penso,
Enquanto morrem os contrastes,
Enquanto a chuva de água e de lágrimas
Cai, torrencialmente, sobre tudo...
Enquanto isto, penso, sobretudo,
Nas canções que não vou tocar,
Nos livros que não vou ler,
Nas bocas que não vou beijar,
Nas flores que não vou ver,
Nas chuvas que não vou tomar,
Nos amores que não vou ter,
Nas coisas que não vou realizar,
Penso, sobretudo, sobre tudo.

Da última vez eram 43...
Não sei dizer se passaram dias, meses ou anos...
Carrego pro chuveiro, apertada ao peito, a sacola de planos.
No fundo, bem no fundo, há um girassol amarelo.
A velha sacola se desmancha, podre pano, olho atordoada para o rio de tom castanho.
Eu crio cegamente no mundo cartesiano.
Na tão preciosa sacola percebo a contragosto, nada estava organizado.
Entre tufos de cabelo tintos em marrom perfeito, o girassol sussurra, depois fala, depois grita:
“Que desperdício!”



P.S: Terei o prazer de postar algumas poesias de minha amiga Mara Medeiros, a começar com esta linda descrita acimaClique em seu nome e saiba mais sobre ela.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Amor de passarinho



Deixa eu fazer meu ninho
em suas asas.

(Raquel Amarante)


:) Ouçam a música abaixo:
Nara Leão - Fiz a cama na varanda - Prenda Minha

O que é o amor?



O amor é um verso preso na garganta.
 Se não sai, angustia.
Se sai,
ou espanta
ou encanta
ou poesia.

(Raquel Amarante)

Video: Falando de amor -  Miucha e Tom


domingo, 3 de julho de 2011

Canções do Varal

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