"Quem medirá o calor e a violência do coração dos poetas, quando capturados e aprisionados no corpo de uma mulher?" Virgínia Woolf

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Citando Henriqueta Lisboa

Modelagem / Mulher


Assim foi modelado o objeto:
para subserviência.
Tem olhos de ver e apenas
entrevê. Não vai longe
seu pensamento cortado
ao meio pela ferrugem
das tesouras. É um mito
sem asas, condicionado
às fainas da lareira
Seria uma cântaro de barro afeito
a movimentos incipientes
sob tutela.
Ergue a cabeça por instantes
e logo esmorece por força
de séculos pendentes.
Ao remover entulhos
leva espinhos na carne.
Será talvez escasso um milênio
para que de justiça
tenha vida integral.
Pois o modelo deve ser
indefectível segundo
as leis da própria modelagem.


  Extraído de Pousada do Ser (1982)


  TELA: SUBMISSÃO - MIZA PINTOR (CLIQUE AQUI)

9 Comentários:

Eloah disse...

Quanto tempo querida.Lindo teu Post.A questão dos direitos da mulher vem tendo avanços paulatinamente.Como diz um dos versos do Modelagem/mulher
" Será talvez escasso um milênio para que de justiça tenha vida integral."
A luta continua. Desistir jamais! Afinal não podemos, nós mulheres, aceitar a modelagem de objeto, independente de credo, cor, ou cultura.Um forte abraço e uma semana encantada e recheada de inspiração.Bjs Eloah

Anônimo disse...

Agosto...
que chegou de repente,
e de motivo sem gosto
tirou-nos a contra-gosto
de sua poesia o bom gosto.

Ah, que hiato de desgosto...

Não, de forma alguma, agosto não é o mês do des..., em verdade, o seu sabor vai a gosto dos nossos temperos que escolhemos e preparamos com ingredientes mágicos do dia a dia...
Agosto só teve desgosto, ideal que se diga, para dar sabor ao gosto da rima que se quis usar no verso lá em cima. rs.
Ora, me desculpe! Só agora vejo o quanto escrevo inutilmente e, o mais grave, percebo o quanto desvio do assunto e desvirtuo do poema em questão... Mas é que a sua ausência, cara amiga poetisa, soprou seco como o frio invernal de agosto, hiato de sua presença.
Andavas e andavas, que os seu varais não sabiam e se calavam desertos, e não mais íntimos, no externo frio do inverno.
Agracia-nos seu retorno, se acaso hibernava, primavera faz-se em sua volta. Venha "modelagem/mulher" fazer existir sua poesia ainda que em escasso milênio, para que de justiça tenha vida integral eclodido o "casulo androgenado", pois, " é preciso entender este corpo de borboleta, tão encerrado na visão lagártica do mesmo"... modelagem de graça e poder de que só elas têm para ser "agora que são elas".

Anônimo disse...

"Será talvez escasso um milênio
para que de justiça tenha vida integral."
Isso é muito tempo pra mostrar que a gente é gente e pronto. Mas, acho que aos poucos vamos avançando, saindo da ferrugem das tesouras e da fuligem do fogão...
adorei o post, bom pra refletir sobre nossa condição quanto mulher.
Beijokas doces

Teresinha Oliveira disse...

Não gosto quando colocam a mulher nessa situação de pobre vítima de uma sociedade maxista. Até pq isso não é real. Foi? Sim, claro que foi. Mas as coisas mudaram. E obviamente continuarão mudando. Daqui a poucas décadas os homens estarão escrevendo poesias como essa.

Teresinha Oliveira. disse...

ERRATA: MaCHista. É a pressa !!!

Raquel Amarante disse...

Eloah, quanto tempo mesmo! Ótimo tê-la aqui.. Bjão

Raquel Amarante disse...

Amiga, amiga...
Andava mais com saudade de você e de suas poesias comentários que propriamente do varal...
Ótimo TÊ-LA comigo aqui...
É a presença mais poética deste lugar...
Um grande abraço de boas vindas novamente...

Raquel Amarante disse...

Bjokas Marly!!!
Ótimo recebê-la!

Raquel Amarante disse...

Teresinha, qto tempo...
Irei te visitar... BjOS

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