"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Catexia

E se a porta
não for um portal?
E se a alma
não for imortal?
E se o amor
for só poesia?
O que é verdadeiro, afinal?
Noite ou Dia?

(Raquel Amarante)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mulher

Ser o que não se pode ser
avessa ao existir
qual buraco que engole os passos
qual vácuo, fissura
que não cabe em si.
Coser uma torneira no corpo
só pra desaguar um poder frouxo,
fingir um pouco de prazer com o outro
só pra sustentar um lugar de sentir.

A onipresença do falo
conjugou ao corpo não fálico
um lugar de anti-verbo
e a palavra mulher
fez-se vento
como o próprio pensamento
expatriado
não conseguiu compor-se em corpo.


O poder despojado do corpo
fez nascer fluidez visceral e inquietante
nos seios, vestidos e sentimentos
e a mulher fez-se dançante, errante...
no bravio mar de inconstância
num amar tempestuoso...
E toda falta de essência
conduz-lhe a dançar
qualquer música que se encarregue de tanger
um molde de existência.

Redundante é o vazio do ventre
completude é o germinar do feto
é o aceitar a falta
é o afaga a dor do parto
o partir do epitélio.
Mas há seres oblíquos
que abstêm-se de crias
de faltas,
de nexo...
Longínquos desgostos...

Renunciar a semente
jazer briofitamente
não ser mulher
existir na cadência de um corpo
feminino falocrático
despido de velcro
volver-se no mistério do
terceiro sexo.

Gerar um vazio mais complexo
engolidor
professor
de gozos mortíferos.

(Raquel Amarante)

Pintura: Mulher nua lendo, Robert Delaunay, 1915.

domingo, 16 de outubro de 2011

Citando Diva Cunha

Antes que esta lâmina
fira definitivamente
os legítimos anseios
façamos um pacto:
eu me entrego toda
meio a meio.

(Diva Cunha - Livro: Armadilha de Vidro)

Amava o amor

Por amor pude ver a ilusão
Não pensava ser tão pouco o esplendor
Não amava o ser
amava o amor.

(Raquel Amarante)

sábado, 15 de outubro de 2011

Nau frágil

E nem quero retornar ao barco
que se afundou.
Não sei nadar de amor...

(Raquel Amarante)

Canções do Varal

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