"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

sábado, 29 de dezembro de 2012

Não por acaso...

antes,
foste o papel
a vítima fatal 
do amor.
hoje,
computa dor.

(Raquel Amarante)

******************************************
Acrescento à poesia, a réplica-comentário de quem mais entende deste blog:


"antes,
foste o papel
(...)"
hoje,
a vítima fatal
do amor
virtual
computa dor.

... que não computa.

talvez amor
com puta dor.
Perfeita neh ;)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Citando Mara Medeiros: ABRAÇO

Meu olhar te abraça
sempre que te vê
meu coração te abraça
sempre que te sente
meu pensamento te abraça
sempre…

(Mara Medeiros)


P.S: A poesia 'Abraço' me abraça por que sinto exatamente o que ela expressa...

Clique no nome da poetisa Mara para conhecer melhor seu trabalho mara... ;)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Amarante

queria
amar
só no sobrenome.

(Raquel Amarante)
#sqn

Tempo

Faz
hora extra
porra.

(Raquel Amarante)

P.S: coração agradece.

Morte

porque
você não morre
também!

(Raquel Amarante)

Vó,
me dá 50 anos
de sua experiência
pra eu voltar a ver a vida
feito criança.

(Raquel Amarante)

Violão

preferia tocar seu corpo...
embora ambos,
tão musicais...

(Raquel Amarante)

MST

deu até vontade de ser sem terra
só pra você lutar por mim.


(Raquel Amarante)

Maquiavel


já pensei em todos os meios
o amor, que era o fim,
virou mesmo fim.

(Raquel Amarante)

Aprendi

a
prefixo de negação
prende
ato de prender

aprende o amor...

(Raquel Amarante)


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Escravos bem pagos

estudar, estudar, estudar...
trabalhar, trabalhar, trabalhar...
pra ser alguém na vida.
Alguém sem vida.

(Raquel Amarante)

"Quem não sonhou em ser um jogador de futebol"

de gole em gole
de gol em gol
de go em go.

(Raquel Amarante)

Natalino

quis duvidar,
mas Deus ta nos seus olhos
e resplandece.

(Raquel Amarante)

Voo de rapina

aterriza Raquel
aterriza.

(Raquel Amarante)

literATURA

livros esquálidos
pessoas magras
de conteúdo.

Raquel Amarante

Doçura

alivia
o peso da consciência,
inocência.

(Raquel Amarante)

sábado, 22 de dezembro de 2012

Era de aquário

desponta liberdade
viver é eternidade
sempre.
toda felicidade se conserva
pra quem entende a vida
como a deusa Minerva.
sol inda não nasceu em aquário
já sinto as correntes soltarem
e a excentricidade do cenário.
A era dos ventos
de ir e vir
de extrapolar o firmamento
e se descobrir
na originalidade
de cada passo em falso.
felicidade tem nome de revolução
nenhum ideal é vão
nenhum ideal é vão
até que o carro capote
pelo ideal de velocidade
saudam com louvor a morte
em favor da deusa adrenalina
É preciso mais lucidez
na alforria.
Respirar o ar
antes de mergulhar
pra saber pr'onde voltar.

Ama o homem
antes de amar a humanidade.

(Raquel Amarante)




domingo, 16 de dezembro de 2012

Renitente

Uma estrela apenas.
O céu economiza.
Cigarros acendem a noite.
O sol não quer nascer.
Amor disse adeus, faz tempo.
Não há inspiração.
Nem lamento.
Apenas o silêncio,
renitente.
A espera da lua cheia
de esperança.
a dança...
o olhar...
a alquimia...
a poesia 
também não quis ficar.
Somente o silêncio,
renitente.
Hipoteticamente,
mil e uma alternativas
nenhuma confusão
nenhuma dúvida
nenhuma inclinação
primeira vez na vida,
paira a certeza
sem âncora
converte-se em silêncio,
renitente.
Se o silêncio falasse,
gritaria faz tempo
um brado de amor
ávido
pungente
apolíneo e dionisíaco
da beleza triste de coração
que dispara
renitente.

(Raquel Amarante)



Somente leia a poesia acima se estiver disposto a apreciar o video abaixo que foi uma das fontes de "desinspiração" para tal inscrição poética nomeada Renitente.


As quatro estações - Marcelo Camelo e Sandy





quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Carta não enviada nº 20: Flash back na pista de dança

Oi Túlio, Oi Plínio,

Ta, eu já sabia da possibilidade de encontrar um de vocês nesta ocasião especial. Pra falar a verdade, eu já sabia que ia encontrar a ambos, mas não imaginava como seria. É tão estranho... Tanto tempo se passou, tantas coisas aconteceram... Eu não sou mais a mesma, como sempre... É engraçado nós três na mesma pista de dança. Não pude deixar de perceber seus olhares e rir por dentro da disputa que travaram, sempre travaram... Eu me senti a Stella de antes... Eu era um bocado histriônica, quem diria... Qual mulher não gosta de ser disputada? Mas, em alguns momentos doeu meu coração ao perceber o quanto por acaso ou não eu tenho pagado pelos erros que cometi com vocês. Excepcionalmente com você, Plínio. A gente muitas vezes não percebe que talvez represente muito para os outros e faz muitas bobagens. Bateu uma dor extrema lembrar do quanto já te provoquei estando com o Túlio. Mas, não é sobre isso que quero falar, quero dizer de algo que muito me inquietou. Ta, você já estava bêbado Plínio, mas eu acredito mais em bêbados que em quaisquer outras pessoas. Você disse que precisava conversar comigo e eu conheço este seu olhar... Você me olhou tão bonito que, de fato, eu pude ver muito amor em seus olhos... Isso é assustador... Eu queria ter ficado mais tempo com você lá e conversado, não foi possível. Eu queria ouvir de você aquilo que outras pessoas me contaram. Eu queria ouvir de você o quanto eu "estraguei sua vida", o quanto eu fui covarde e fria, o quanto eu fui impiedosa com seu amor. Sim, eu confesso meu jeito manipulador quando não amo, e quando amo também... Quando fui embora você me acompanhou com o olhar até o carro. Olhar já desesperançoso e triste. Apaixonado. De todos os olhares que já recebi, ninguém nunca me olhou como você sempre me olhou... Olhar de menino ao ver o tão sonhado playstation 3 na vitrine. Abobalhado. Tropeça nas palavras ao conversar comigo...
Você me idealizou como a mulher que dormiria ao seu lado todas as noites, e isso é dolorido quando não é possível. Hoje eu sei... Repito que isto é assustador para mim. Não a presença de vocês. Mas, depois de tanto tempo, saber que vocês receberiam meu abraço, afago e beijo como na primeira vez... Assusta-me pensar que eu também possa continuar amando quem eu amo hoje ao longo dos anos... Amar por toda a eternidade e me remeter a flashbacks que conservem íntegra a imagem do ser audaz que amo.
Sabe o que eu penso mesmo? Montes Claros é pequeno demais pra todos nós, precisamos desaguar com força na serenidade de outros aMares.

Mas, carrego a indelével certeza de que em coração não se manda. Shit!


Stella

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fones de ouvido

Há um silêncio surreal indômito.
Há um pulsar de sensações trôpegas.
Há uma rebeldia à revelia de olhares pudicos.
Há um som alto, estridente, ligado aqui dentro.
Há uma canção áspera que arrepia meus pelos.
Há uns graves e agudos crônicos, e épicos.
Há um subterfúgio na identificação dos instrumentos.
Há um orgão tornando lúgubre a melodia, ritmo e harmonia.
Há um "When you feel so tired, but you can't sleep"
"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia."
Não ouço ninguém.
Ninguém ouve o som que emana aqui em alto e sensível tom.
Ainda bem que

fones de ouvido.

(Raquel Amarante)

sábado, 3 de novembro de 2012

Carta não enviada nº 19 – Encontro Marcado, com o eu aqui de dentro


Fábio

Eu sinto muito. Sou uma xícara com asa quebrada. Não poderia dar-te meu braço em uma dança ou na simples companhia de um caminhar. Eu já machuquei muitos meninos e você é tão lindo... Mas, sensível como os outros... Ando repleta de sentimentos ambíguos, acelerados, mal digeridos. É tudo tão oculto, tão vasto, tão efêmero... O céu, a noite, o coração... De que adianta tantas flechas e corações abertos se eu não tenho boa mira. Desculpe minha indiferença. Você é tão gentil, seus olhos riem, dá até uma vontade de chorar... Moço bonito, infelizmente não dá... Eu até me comportei bem. Vesti-me de lady, delicada e meiga, pisquei da forma certa, mas, eu preciso organizar as cartas do tarot que deixei em cima da  minha cama. O golfinho... Ele sempre prediz um novo mergulho, ele sempre me leva para as águas certas, eu preciso entender estes sentimentos todos... Entender... Vagueio pelo não saber e sempre chego no mesmo lugar, a minha necessidade de entender. Algo dói muito, meu caro. Não posso simplesmente te beijar, te devorar como se fosse a última noite. Afinal, de que adianta salgar a língua com o suor do corpo do outro se nem é possível estar lá depois, recolhendo o sal das lágrimas, aquele que só os travesseiros dão testemunho... 
O dia estava transcorrendo tão perfeitamente e eu, na exuberância dessas propostas todas, mas, me dei conta de que ainda não me conheço. Quando estávamos sentados e você me olhava e perguntou como eu me vejo depois de formada, eu quis chorar. Um aperto sofrido ocorreu em meu peito, engoli a seco... Eu me lembrei dos meus planos antigos, dévà jus invadiram meu cenário aqui de dentro...(...) O modelo “mais sóbrio” de família possível, o mundo quadrado... Eu queria um bom conhaque, uma bebida de efeito rápido, uma tesoura, um lexotan, ouvir Raul em outro sistema planetário... Há perguntas que paralisam, essas são as mais importantes da nossa existência. Por alguns meses eu havia esquecido da minha existência... Existir é sempre tão inusitado, é deparar-se com a finitude, com os medos, as incertezas. Eu preciso entender a verdade desta existência, meu caro. Não quero viver na exacerbação de sentimentos, eu quero o sentido, a direção, o motivo. “Perder-se também é caminho”, mas, tal máxima só tem me levado para fora de mim e eu não sou assim... Absorta, sou mais de dentro...
Gostaria que não se importasse. O encontro de amanhã, eu marquei comigo mesma.

Stella


A música que diz tudo... Pra ouvir com a alma:
 

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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Amor em alto amar...

em resposta a Flávio Colares


gosto das ondas mais violentas.
nos levam...
nos deixam...
nos matam...
nos fazem ver o mar
por dentro.

(Raquel Amarante)

domingo, 9 de setembro de 2012

O homem que atuou

Viu-se encantado
com seu novo roteiro,
jamais antes pensado,
fez da vida um filme.

(Raquel Amarante - 2010)

toda a pólis aplaudiu DE PÉ

Esquemas


Minha vida esquemática
Esbarra sempre na matemática
do vazio da irresolução.
Necessidade de engenharia
de esquemas, fluxogramas e projetos
Enquanto o fluxo sanguíneo é controverso
E a alma fluída, vagueia pela “Vaga música”
Uso da canção como “ancoragem”
Para mais um esquema em memória frágil
Quero retornar a sentimentos através do acorde
lançado sobre minha audição.
Essa, tão
inaudível aos berros, aos pais, à multidão.
Gritos não são ouvidos.

(Raquel Amarante - 2010)

Saudade


para além do corpo
evade.
o corpo é passaporte,
a alma, viagem
a saudade, transporte.
e o amor,
o amor é a morte.
mata, dói, invade.
desapossa o corpo.

(Raquel Amarante - 2010)

Mulher– “De flor a fruto”

                                             à Affonso Romano de Sant'Anna

Donzela, bela, pálida, morta
Ou
Mulata de coxa grossa
Crise existencial...
Que soy dio?
Nem fruto, nem flor
Sou grama,
gramática
Profética,
herética
Errática.
Numa singela apatia
da pressa
de ser tantas...

( Raquel Amarante - 2010)

domingo, 2 de setembro de 2012

Associação LIVRE


Vai-te por se só, sem bolsa, destino, lucidez. Vai-te lá menor, nesta música pavorosa de teu coração. Seja ilustre contigo mesma, seja abstrata e mate as borboletas, barbáries - versejai acrósticos-revolução. Não se retenha na caixa de fósforos, não míngüe os sentimentos extra lunares, não atire a pedra no caminho de poetas. Nunca deixe a ilusão de fora, a casa que você é, você mora. Ah meu Deus, que medo de ser! De repente ninguém mais me entende, eu não entendo os campos, os mastros, as cirandas da infância. A vida circunda pela travessia sem pé, neste mato há coelho, não é? Eu sei de tudo. Tudo me é claro. Noite em claro, nem me perco, nem me ganho. Acho que a Deus persigo, nem Paulo sou. A morte é tão incompreensível, eu sou tão sensível. A vida é tão pacata, ora vivo, ora morto, até pra quem ora. Ora a gente implora: Quer ser vivo. O verso é opaco, tristeza esparsa, remorso vão, cai a alegria – gota a gota –num coração, poroso, amoroso, fugidio, meu. 

(Raquel Amarante)

Vide Bula

venha saber se sua marca
é Prada, Gucci ou Louis Vuitton...
Ou se sua parca
imagem
não vale um toston
o tempo não é time
caridade não é caridon
kibon kibon kibon

(Raquel Amarante - 2007)

Poesia é Liberdade

Esta terra onde cantam palmeiras
e tem sabiás.
É onde posso crasear como eu quiser
os meus “as”.

(Raquel Amarante - 2008)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Abre-te ave

Abre-te ave
perpetua a essência magna
existência
do poder das asas.
Vê pelos ares
leves ventos mais pesados
que o corpo-pássaro
a voar
feito pipa em festa de ventos julhina.
Mãe, perdoe a natureza
fez o céu sem limites
e muito mais sem limites
os pensares, quereres,
as aves gente.

(Raquel Amarante)

O corte

O fio de cabelo
medita a navalha


as pontas duplas


os fios frágeis


as incertezas,
descabeladas


os dois caminhos,

tesoura, corte
a lua nova

a esperança
de que a mudança
convença o espelho
de lá de dentro.

(Raquel Amarante)




domingo, 8 de julho de 2012

Carta não enviada nº 18 – A gente se sabe...

Raquel,


Andares e andores... Sacraliza os beijos nos rostos amigos e os lugares perdidos do seu não pensar. Pesa-lhe todo estado de mal-estar e todo o mal-estar do Estado. Acabrunha-lhe, inclusive, o dever do devir...

...Cascatas e corais, e os mesmos perigos... O saltar e o vermelho-veneno...


Asas enormes, 
e normas.



Amém ao santo céu desanuviado, enquanto o espírito-corpo jaz molhado, de cerveja.


Não existe pouco caos...


Acorda ou dorme ou morre ou viva, ou... Transcenda.


Stella


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Dormir é uma piada


Dormir é uma piada
pra quem ama.
Dormir em camas separadas.

(Raquel Amarante)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Carta não enviada nº 17 - Hoje a noite não tem luar

Luar,

Espatifados os pedaços de espelho que eu quebrei. Todos rasgados os poemas que eu te fiz. Corto a laranja com vontade cortar algo em mim, talvez o amor que por você me habita. Insone, infante, inconformada... E o tarot me revelava o arcano "Os enamorados" e sua dualidade... Hoje entendi....
De que adianta você me amar agora, se a minha vaidade requer um amor de berço - almagêmico. E porque sou tão atroz em te culpar?
Meu supereu não me deixa ver nada para além da estupidez - inocente - de teus amores cariocas-capixabas... Inocente? Eu hoje tenho ódio de sacos de dormir, do Rio de Janeiro, da marca resende, de bichos grilos, de eventos imbecis de movimentos sociais , ofício baldado - (eu odeio Marx), ódio de 'boas notícias" na madrugada, também de uma tal de Michelle Rodriguez que eu nem conhecia e nem fazia questão de conhecer; de química, que eu sempre tive asco... Etc, etc, etc...
E porque odeio tanto eles? Porque eles me venceram, mesmo que por um momento. Uma vírgula de dúvida em meu texto faz com que eu amasse (nos dois sentidos) e jogue fora e comece outro texto. Não poderia me casar...
Não adianta... Como diz Miller, o amor verdadeiro responde a pergunta quem sou eu... Você agora representa para mim um furo no meu eu narcísico. Meu eu resoluto em vaidade não corresponde à imagem que você me deu. Nada dói mais que um ego ferido.

Se espera que o vento leve a ira e lhe traga de volta a teoria que completa sua prática, saiba que esta teoria aqui abandonou a práxis, de volta para meus livros, meu recôndito...

Sim, minha justiça é quase sentença de morte... Sou compreensiva em vários aspectos, neste não.

Este meu poema antigo cabe perfeitamente neste momento:

Mais vale dois pássaros azuis voando
que um rosa na mão prestes a voar,
mais vale teu olhar de desprezo,
que teu olhar em outro olhar...

São 5:05, ainda não consegui dormir.

Stella Graal

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terça-feira, 15 de maio de 2012

Moc hole city

Já não tão claros, os horizontes.
Sob coronéis, sob picaretas,
jaz, buracos aos montes.

(Raquel Amarante - 2011)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Aparentemente

Uma carteira de cigarros, por favor.
Que meu vício mesmo,
é acender os fósforos.


(Raquel Amarante)

domingo, 13 de maio de 2012

Depreciação

vida apressada
apreçada
inapreciada

apreço o produto
aprisco do lucro bruto
a prece a deus capital

- deus está morto -

a publicidade diz:
ele vive!
para toda a eternidade.

|para toda a eternidade.|

desapressa
pra pensar

nós, é que já morremos.


(Raquel Amarante)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Se a vida fosse um círculo

Se a vida fosse um círculo
e não um quadrado,
nem medo eu teria
de estar ao seu lado,
e descer ladeira abaixo.

Mas o mundo não é círculo,
é quadrado.
Horizonte in-certo risco
precipício enevoado.
Tenho medo.

(Raque Amarante)

Óleo sobre tela:  O abraço do mar III - Ricardo Paula
(Saiba mais sobre sua obra clicando em seu nome)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Levitativa


a imagem que eu transpassaro
voa
num voo alto
distante pousa
nem bato asas
só coração.
como me veem?
ando descalço
sem pés no chão.

(Raquel Amarante)


domingo, 22 de janeiro de 2012

All star converse

Such a Rush by Coldplay on Grooveshark
Leia esta poesia ouvindo "Such a Rush" - Coldplay 
"Tanta pressa para chegar a lugar nenhum"



Fugindo das aulas
porque aulas não fazem sentido.
Fugindo de almas pobres
de música,
porque elas morrem primeiro.
Fugindo deste cenário escolar
gregário,
que eu não me agrego.


_ Mãe, amanhã eu me nego a voltar.
Eu queria mesmo era pegar meu all star
e ir morar com os índios.

(Raquel Amarante - 2004 - 15 anos de idade)


******************


Excerto à Clarice*

Longe da civilização
perto do coração             
                          selvagem.]
 porém íntegro.


(Raquel Amarante - 2012)


sábado, 21 de janeiro de 2012

Eu não sou daqui

Vida,

transformo-te em arte

pois tal me devora.

Transformo-te em sede

pra beber agora.

Carrega meus superlativos

na grandeza das páginas

do meu gibi.

Adjetivo pátrio pariu-me in subversion

_ Eu não sou daqui... Eu não sou daqui...

Meu corpo engessa a alma,

mas é também corpo celeste

nessa tal ânsia por viver...



"E agora, José?"

Vou existindo no gerundismo

de estar sendo mais que o próprio ser...



(Raquel Amarante)






The evening gown - Obra de René Magritte  - Pintor  Surrealista Belga -  (Saiba mais sobre seu trabalho clicando em seu nome)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Prece pressa apreço


um vigor evoluído
a raiz de um dente
a coragem da semente.
um coração sempre aberto
pra ser partido.
um apelo ao Universo
contra toda distinção perversa.
um violão apenas,
como sinal da inteligência.
umasóessência
de todo ser vivo.

(Raquel Amarante)

Ilustração de Annie Ink*
*Esta é uma das minhas ilustradoras favoritas. Aprecio seu modo "nonsense" e contemporâneo de fazer arte...
Conheçam seu trabalho clicando em seu nome.





sábado, 14 de janeiro de 2012

Citando Mara Medeiros - Cartesiano


Risquei vários traços
Cortes precisos, incisivos,
Fatias finas, frias,
Cirúrgica, lúdicas...

E a vida foi dividida,
Dissecada, desossada,
Compartimentada,
Departamentalizada.

Cada pedaço, a seu tempo,
Distribuído em momentos,
Ganhou cada qual sentimento,
Novo cometimento.

Vida própria, imprópria
Para o convívio – declínio
Tudo tão examinado,
Cada lado do quadrado!

Pobre anfíbio, pobre ambíguo,
Ora água, ora terra,
Ora inteiro, ora partido.

Saudade do tempo antigo,
Em que a vida era o que era:
Completa, inteira, contígua.


Mara Medeiros (Saiba mais sobre seu trabalho clicando em seu nome)
09.12. 2002

Tela: Nostalgia - De Sofia Dyminski (Saiba mais sobre seu trabalho clicando em seu nome.)

Poema-pretexto

Recrie-se
nas folhas em branco
nos elogios-contexto
nos finais de semana complexos
nos abraços açoites
nos intervalos de tempo do jogo
no não local, não hora, não lugar
Revele-se
Ao seu próprio pensamento
Ao ser cortado no trânsito
Ao  dançar no escuro da boate
Ao ouvir expressões em francês
Ao  não amar alguém, e só.

(Raquel Amarante)

Fotografia de Chadwick Gray e Laura Spector - Projeto: "Anatomia de Museu" - New York



Canções do Varal

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