"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

sábado, 14 de janeiro de 2012

Citando Mara Medeiros - Cartesiano


Risquei vários traços
Cortes precisos, incisivos,
Fatias finas, frias,
Cirúrgica, lúdicas...

E a vida foi dividida,
Dissecada, desossada,
Compartimentada,
Departamentalizada.

Cada pedaço, a seu tempo,
Distribuído em momentos,
Ganhou cada qual sentimento,
Novo cometimento.

Vida própria, imprópria
Para o convívio – declínio
Tudo tão examinado,
Cada lado do quadrado!

Pobre anfíbio, pobre ambíguo,
Ora água, ora terra,
Ora inteiro, ora partido.

Saudade do tempo antigo,
Em que a vida era o que era:
Completa, inteira, contígua.


Mara Medeiros (Saiba mais sobre seu trabalho clicando em seu nome)
09.12. 2002

Tela: Nostalgia - De Sofia Dyminski (Saiba mais sobre seu trabalho clicando em seu nome.)

10 comentários:

  1. Maroca, minha amiga.
    Leitura agradável sempre...

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  2. ... leitura agradável... sempre.
    Assim também a nós, cara Raquel, à medida que lemos vamos conhecendo e apreciando os versos de sua amiga Maroca. Por isso, nosso agradecimento.

    Brincando seriamente com o poema de sua amiga Maroca, perguntamos confusos se a vida é uma pétrea ordem utópica, ou, se de fato ela realmente existe a nossa revelia, simplesmente.
    E, se existe, o que é viver? Será um sonho não-sonho de fazer e não fazer que se faz vivendo e revivendo-se?

    Isso não quer dizer que viver seja somente deixar-se tanger pelo acaso e força contingente da vida dando loas ao "deixar a vida me levar, vida leva eu", mas, bem ao contrário, que a vida em suas múltiplas e singulares expressões também guarda a melodia da escrita canção: viver é sonho, planejamento e ação.

    "Ah, viver "cartesiano" que a tudo quer dá uma ordem e, loucura de razão ainda maior! vai a vida sistematizando, operando e reduzindo em racionalizadas e estanques caixinhas de propósitos-sentidos minimamente calculados, não sabe que a vida é muito grande, e que seu peso incorpóreo é incomensurável e que só cabe no infinito limite de ser ela mesma uma caixinha de surpresa!?"

    P.S. I: Como é bom te ver novamente passeando pelo quintal e estendendo novas peças íntimas nos varais, acho até que o que o te impediu de lavá-las antes foram as benquistas chuvas que no fim de ano e início deste caíram abençoadas sobre o Sertão.

    P.S. II: Perdoe-me, cara poetisa, se do espaço reservado e, certamente oferendado à sua amiga Maroca, eu avacalhei com uma maçante digressão sem pé nem cabeça.
    Sory a você e a amiga homenageada também.

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  3. Lindo poema.A vida é movimento.Até a rotina que teimamos em estabelecer como permanente tem sua rota desviada quando menos se espera.É aí que reside a beleza da vida: a diversidade, a surpresa, o sonho, o revés e o recomeço.
    Parabéns pelo post.Um lindo domingo querida.Bjs Eloah

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  4. Amiga,
    Identifico-me bastante com este poema...
    A vida e suas encruzilhadas sempre me inquieta, em meio as possibilidades e destinos que nossos corações vão concretizando sem ver...
    Mara tem uma coisa... Parece que ela já anteviu tudo... Parece que ela já sabe como a vida é... Fico extasiada com o que ela sabe sobre a existência...
    Minha existência é tão trôpega de entendimento... Mara vai me elucidando caminhos poéticos e extra poéticos...

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  5. Amiga,

    Me sinto sempre muito bem vinda neste varal quando vejo que vc se faz presente. Até mais presente que eu. Vc, meu maior presente. A poetiza mais nobre que me visita e me encanta com seu vanguardismo perceptivo poético...

    Obrigada!

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  6. Eloah, saudades!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Obrigada por sua presença..

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  7. Carol, obrigada querida!!
    :) Qto tempo...

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  8. Ah, a vida, amiga Raquel, quando se trata do tão belo presente que ela é até mesmo parece ser verdade sobre existirem mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe pensar, entender e crer a nossa vã filosofia de viver.

    Obrigada amiga pelas belas e calorosas palavras, mas, em realidade vc sabe, e talvez mesmo não queira revelar, que é a sua poesia uma árvore frondosa e de belos frutos em cuja sombra se acomoda os débeis ramos dos meus meus versos agarrados às suas raízes tal qual, tal qual...
    Ah, "Vanguardismo perceptivo poético"... sei, rsrs

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  9. Parece que leu Lao Tsé, pois usa sua luz e diminui seu brilhantismo. Mas eu enxergo muito bem, tá...

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