"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Carta não enviada nº 17 - Hoje a noite não tem luar

Luar,

Espatifados os pedaços de espelho que eu quebrei. Todos rasgados os poemas que eu te fiz. Corto a laranja com vontade cortar algo em mim, talvez o amor que por você me habita. Insone, infante, inconformada... E o tarot me revelava o arcano "Os enamorados" e sua dualidade... Hoje entendi....
De que adianta você me amar agora, se a minha vaidade requer um amor de berço - almagêmico. E porque sou tão atroz em te culpar?
Meu supereu não me deixa ver nada para além da estupidez - inocente - de teus amores cariocas-capixabas... Inocente? Eu hoje tenho ódio de sacos de dormir, do Rio de Janeiro, da marca resende, de bichos grilos, de eventos imbecis de movimentos sociais , ofício baldado - (eu odeio Marx), ódio de 'boas notícias" na madrugada, também de uma tal de Michelle Rodriguez que eu nem conhecia e nem fazia questão de conhecer; de química, que eu sempre tive asco... Etc, etc, etc...
E porque odeio tanto eles? Porque eles me venceram, mesmo que por um momento. Uma vírgula de dúvida em meu texto faz com que eu amasse (nos dois sentidos) e jogue fora e comece outro texto. Não poderia me casar...
Não adianta... Como diz Miller, o amor verdadeiro responde a pergunta quem sou eu... Você agora representa para mim um furo no meu eu narcísico. Meu eu resoluto em vaidade não corresponde à imagem que você me deu. Nada dói mais que um ego ferido.

Se espera que o vento leve a ira e lhe traga de volta a teoria que completa sua prática, saiba que esta teoria aqui abandonou a práxis, de volta para meus livros, meu recôndito...

Sim, minha justiça é quase sentença de morte... Sou compreensiva em vários aspectos, neste não.

Este meu poema antigo cabe perfeitamente neste momento:

Mais vale dois pássaros azuis voando
que um rosa na mão prestes a voar,
mais vale teu olhar de desprezo,
que teu olhar em outro olhar...

São 5:05, ainda não consegui dormir.

Stella Graal

Saiba mais sobre esta e as outras cartas: Sobre as "Cartas não enviadas" 


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