"Quem medirá o calor e a violência do coração dos poetas, quando capturados e aprisionados no corpo de uma mulher?" Virgínia Woolf

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Carta não enviada nº 17 - Hoje a noite não tem luar

Luar,

Espatifados os pedaços de espelho que eu quebrei. Todos rasgados os poemas que eu te fiz. Corto a laranja com vontade cortar algo em mim, talvez o amor que por você me habita. Insone, infante, inconformada... E o tarot me revelava o arcano "Os enamorados" e sua dualidade... Hoje entendi....
De que adianta você me amar agora, se a minha vaidade requer um amor de berço - almagêmico. E porque sou tão atroz em te culpar?
Meu supereu não me deixa ver nada para além da estupidez - inocente - de teus amores cariocas-capixabas... Inocente? Eu hoje tenho ódio de sacos de dormir, do Rio de Janeiro, da marca resende, de bichos grilos, de eventos imbecis de movimentos sociais , ofício baldado - (eu odeio Marx), ódio de 'boas notícias" na madrugada, também de uma tal de Michelle Rodriguez que eu nem conhecia e nem fazia questão de conhecer; de química, que eu sempre tive asco... Etc, etc, etc...
E porque odeio tanto eles? Porque eles me venceram, mesmo que por um momento. Uma vírgula de dúvida em meu texto faz com que eu amasse (nos dois sentidos) e jogue fora e comece outro texto. Não poderia me casar...
Não adianta... Como diz Miller, o amor verdadeiro responde a pergunta quem sou eu... Você agora representa para mim um furo no meu eu narcísico. Meu eu resoluto em vaidade não corresponde à imagem que você me deu. Nada dói mais que um ego ferido.

Se espera que o vento leve a ira e lhe traga de volta a teoria que completa sua prática, saiba que esta teoria aqui abandonou a práxis, de volta para meus livros, meu recôndito...

Sim, minha justiça é quase sentença de morte... Sou compreensiva em vários aspectos, neste não.

Este meu poema antigo cabe perfeitamente neste momento:

Mais vale dois pássaros azuis voando
que um rosa na mão prestes a voar,
mais vale teu olhar de desprezo,
que teu olhar em outro olhar...

São 5:05, ainda não consegui dormir.

Stella Graal

Saiba mais sobre esta e as outras cartas: Sobre as "Cartas não enviadas" 


11 Comentários:

sinestesia delirante disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
sinestesia delirante disse...

"aonde está você agora além daqui, dentro de mim?"
07:44 ainda não dormi...

Adriano César Curado disse...

Eu adoro esses seus textos, acho que estou ficando viciado (rs). A exploração do universo interior e a busca de soluções, onde tudo parece impossível e improvável, fazem a tônica dessas postagens.

Um beijo, minha amiga.

Esquizóide disse...

Raquel, me odeie por favor?
Sabe que sou sadomasoquista e tenho fantasias estranhas...
É uma das mais belas declarações de amor que já li.
A propósito, foi Luar quem me pediu pra ler.

Anônimo disse...

Se hoje a noite não tem luar...
o eclipse de uma dor, talvez,
a lhe assombrar...

E assim são tantas as luas,
sombrias, esquecidas, feridas,
perfazendo, incansáveis,
a solidão de órbitas perdidas.

Assim, hoje a noite não tem luar,
e ainda que a dor lhe faz minguar,
crescente a lua, em nova fase,
há de acordar para sonhar
a boa nova de um céu estelar
em luminosa órbita com o seu mundo amado a girar...

Pois, lua de dor e pesar, outrora cheia,
de luz e amor agora brilhará à mancheia...

Raquel Amarante disse...

Trânsito do dia: "Sol e Lua entram em harmonia permitindo uma consciência mais crítica acerca das coisas que estão em sua vida, mas que não servem mais. Este é um momento de depuração muito forte, em que o joio é separado do trigo e, deste modo, você pode renovar sua vida, jogando fora o lixo (físico e mental)."

Depurando...

Juliana Lira disse...

Essas cartas nao entregues sao verdadeiras declaraçoes.
Amor e odio acabando tendo a mesma termiçao. Enfim...
desejo uma boa noite de sono hoje, porque mais uma noite insone e vamos virar zumbis. (a insonia também bateu aqui)

Beijos

Anônimo disse...

Ah, amiga Stella, que com amor e fúria viu o 'dark side of the moon' na noite dos namorados, - do seu enamorado? - de uma noite sem Luar...

Agora, contudo, sua carta se extravia nas estrelas e regendo-se na dança dos astros você, como uma sibila enluarada, moteja e vaticina um arcano dos cosmos: "Sol e Lua entram em harmonia... este é um momento de depuração..."

Oh, irmão Sol e irmã Lua que entram em harmonia, façam o céu ficar mais belo com o encontro de Luar e de sua estrela Stella agora purificados!

sinestesia delirante disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
sinestesia delirante disse...

Depurando as dores, de mãos dadas com o tempo, o luar e a Estrela, mais maduros com certeza, caminham juntos... Felizes; amados; amantes!

Fernando Santos (Chana) disse...

Belo poema...Espectacular....
Cumprimentos

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