"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

domingo, 12 de outubro de 2014

Astronômico

Há um caos harmônico
em cada mapa astral.
E projéteis arquitetônicos
no céu, afinal,
a vida é magnética.
Por vezes, patética.
Escorregamos na casca que jogamos
amamos o que não compreendemos
nos achamos nos risos que convergem
no olhar que contagia
ao sabor do toque
que diz "te quero"
Somos o que queremos.
Tem vezes que eu só quero sexo.
e um dia depois, 
quero apenas que o esmalte 
não saia da unha, 
no outro, quero amor eterno,
e me convenço, o terno já basta.
algumas outras, celebro a distância
e outras vezes,
só quero música alta,
ou não sentir aquela falta.
Tem dias que só queremos
viver, e não pensar,
cantar no The voice
dançar como o Michael
tocar feito Clapton
Tudo sem sair do quarto.
A vida é magnética.
Por vezes, patética.
Somos astros da nossa história
sempre a nos mover
sob estímulo de forças invisíveis
que nos atraem.

(Raquel Amarante)



terça-feira, 16 de setembro de 2014

Encontros no Shopping Montes Claros num dia comum


Um corte em V nas costas, decote no vestido azul royal, parecia até verão. Um belo e magro declive lombar. Com uma pinta de mistério, de beleza ou talvez, insinuação? Carregava sacolas de lojas, estava num shopping, no Montes Claros...

Passou pelo cenário de mesas quase vazias, crianças corriam pelo shopping porque é julho. Ouviu alguém gritar: Lorena! E este alguém se aproximou e fitou-a com encantamento. Esboçou-se no silêncio um estranhamento quando a moça foi dizendo seguidamente: “Lorena, que bom revê-la!”, “Como está linda esta ex do meu irmão!”, “Caio está ali, vou chamá-lo” , “Caio, olha quem está aqui, Lorena, a sua ex!”.

Aproximou-se ela e o Caio da Lorena, ambos olhavam-na com encantamento, o Caio calado. Até que o silêncio daquele instante foi quebrado. 

_ Marcela, eu não me chamo Lorena e não sou a ex do seu irmão. Não se lembra de mim? Luiza, sua ex-colega do colégio, do ensino fundamental e das séries iniciais. Está lembrada?

Marcela esboçou seu mais altivo e sedutor olhar, olhou nos olhos de Luiza e deu-lhe um abraço ávido e aconchegante como se fosse um encontro de família. Luiza foi envolvida naquele abraço e expressou sua ternura no mesmo pois se encontrara com uma colega que não via há muitos anos. 

Marcela olhou-a, abraçando-a e aproximou seus lábios dos lábios de Luiza, beijando sua boca de súbito e de forma envolvente, bradou: Como você está linda! 

Luiza, totalmente desnorteada, lembrou-se que não poderia esperar nada mais, nada menos de Marcela... O Caio apenas observava calado. Enquanto as pessoas que passavam apreciaram a cena com reprovação... 

Marcela: Mas então, quanto tempo... O que anda fazendo?

Luiza: Acabo de me formar e estou só relaxando um pouco.

Marcela: Formou-se em que?

Luiza: Em Matemática.

Marcela: Acho isso surpreendente... Eu acabo de chegar do Sul. Estava morando em Florianópolis. (Pegou nas mãos de Lívia) e disse: “Estou de volta! A gente se vê... Montes Claros é pequena e os sonhos enormes.” Sorriu e saiu.

Marcela parecia ser a mãe do inesperado... Sempre... Luiza sentou-se na praça de alimentação e nostalgiou-se por algum instante...

Marcela, mulher desde os 6. Desde o prézinho o algo de um ‘feminino’ vivia nela. Nos cuidados com a pele, os esmaltes e nas sobrancelhas que iam sendo feitas. Altiva, menina muito bela. Chata e cri cri para Luiza que achava idiota ela fazer os meninos carregarem a cadeira dela como uma rainha, durante o recreio. 

Marcela criou o primeiro clube de meninas da escola, aos 6 anos de idade. Existiam critérios para se entrar neste clube, que a Luiza não lembrava porque achava maior babaquice. As meninas tinham que se vestir de maneira parecida, combinar cores, esmaltes e a Marcela era a líder e coordenava as atividades do clube. Este clube estava dando um bafafá na escola, Luiza quis conhecer, mas uma das regras era que as meninas deviam andar sempre juntas, compartilhar os lanches, passar o recreio dentro da sala num local específico e jurar segredo para tudo que acontecia no clube. Luiza não gostou das regras, afinal, eram umas menininhas “pats” e isto era notório desde aquela tenra idade. Parecia uma mini maçonaria de garotas pats. E a Luiza nunca gostou de ficar presa em grupos, mas se encantava com a forma que os grupos iam se formando, feito equações polinomiais.

Admirável é que a Marcela desde pequena parecia dominar Maquiavel, além de muito inventiva, carregou por muitos anos a imagem de melhor ser temida que amada. Muitos a odiavam, mas sempre a respeitavam. As garotas queriam a aprovação dela para tudo... Ela tinha uma vastidão de seguidores e naquele tempo nem se falava em twitter, facebook... Como é que um serzinho daquele tamanho podia ter tanto poder?.. (risos)

Marcela mudou no ensino Médio, mantinha-se sedutora dos pés a cabeça, nobre, magérrima e caucasiana, de longos cabelos negros, nariz com a finura de agulha, mas com um quê de cortesã em seu olhar e muito aplicada no estudo das Línguas e Letras.

Todavia, sempre carregava algo de esnobe, inatingível, cáustica no sarcasmo e só tratava os seus com estima. Adorava e dominava a vernácula, quando se tratava das indiretas e de uma semântica ambivalente...

Obviamente, Luiza e Marcela não eram amigas, tampouco próximas. Luiza era um tipo de estudante ocasional que não tinha cadernos e sentava-se do lado oposto de Marcela e suas amigas, e não ligava para nada do que Marcela achava primordial. Luiza nem mesmo se lembrava de uns papos e propostas que Marcela apresentava no segundo ano, num tempo em que Marcela estava estranhíssima... 

Este é o esboço de uma história que não termina nem começa aqui. Talvez Luiza tenha que pegar seu all star azul e calçar para poder se aclimatar com a ideia de escrevê-la. Enquanto isso, Marcela beija o espelho com seu batom tom de canela, mas nunca se acostumou com a ideia de ser tão branca a ponto do carmim soar sempre tão melhor que o marrom.


(Raquel Amarante)



terça-feira, 9 de setembro de 2014

É Primavera

não sou responsável
pela ferida
que lhe dói
aberta pela vida.

regue mais água
se envolva
que o tempo é propício
para nascerem belas flores.
brotarem os melhores amores...
esqueça de vez essas chagas
que traz teu destino tão cármico
que fez teu mercúrio retrógrado
pois veio aprender a amar de novo
a confiar de novo
a perdoar de novo
receba as flores desta vez.
receba as flores desta vez.
É primavera!

(Raquel Amarante)







_______________________________
Ela ainda nem chegou, a primavera, mas já antecipou em mim a poesia de um equinócio onde brotam novos amores. E que é preciso celebrar toda nossa capacidade de florir, de amar, de sorrir pós o já demodê outono/inverno. ;)




domingo, 17 de agosto de 2014

Meu filho, fica aí

Cê que tá aí, parado, ultrapassado,
datilografando suas emoções.
Meu filho, fica aí.
Vem pra esse mundo tecnológico não.
Aqui tem uma tal de fonte, que muda as letrinhas de jeito
quando a única fonte mesmo
deveria ser aquela
que faz coração bater no peito.


Liberdade pulsa na velocidade
do carrinho de roleman.
Com o tempo, vai-se o carrinho
fica só o man.
Meu filho, fica aí.
Não era direção hidráulica
que fazia seu carrinho voar.
Eram teus sonhos.


Meu filho, fica aí.
Não deixe morrer
teus valores
por bens materiais.
Não te deixe morrer, meu filho.
Não te deixe morrer.


(Raquel Amarante)



sábado, 16 de agosto de 2014

Saturno - Senhor do tempo - Senhor do karma

Quando eu vim para este mundo
eu devia saber porque.
Eu devo ter lido umas instruções
sobre a vida
porque sou prevenida.
Prevenida de fazer tudo
ao contrário
de errar em todas as chances
de erro.

Ninguém quer errar.
Há certas coisas que a gente não entende
coisas tão brutas como saber para que
como a criança que pergunta
o que é, para que serve
me sinto.

Sinto uma urgência de desvendar
toda a história e porquês
toda a vida, todos os sentidos.
Não basta sentir.

Isso não me torna nada além
de alguém que anda em círculos
presa em sua própria órbita
girando em torno de si mesma.

Isso não é o caminho...
Mas é preciso, às vezes,
assentar sobre si e escutar seus próprios
motivos.

Cansada dos erros de outrora
reflito, sem aflição,
faço o que devo.
Estou no limite da minha busca
eu tenho a plenitude da incerteza
do vão das coisas que emitem sons sem dizer.


Não existe pouco caos...
E há quem seja louco
de guiar as pessoas estando cego.

Não me apetece
fazer alguém se perder de si.
Talvez eu nem deva
me pronunciar.
Talvez não tenho nada a dizer,
além do quanto sou eu,
numa experiência
pouco passível de alteridade.

A natureza
esta, talvez,
tenha muito a dizer.
Afinal, dizem que ela ainda existe.
Andam dizendo por aí
que se a terra for arada,
a semente for plantada,
regada,
iluminada,
cuidada,
amada,
dizem até  que ela nasce...
Coisas sem explicação
deste mundão de Deus...
Quem é que tem tempo para isso!

(Raquel Amarante)




quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ensaio sobre o amor nos tempos de propriedade privada

Fico pensando... Quais espíritos a gente alimenta? Quais amores a gente aumenta? Quais saudades são impossíveis de se distrair? Quais livros nos chamam a atenção na livraria, na biblioteca...? É o amor e o que amamos que nos caracteriza nesta vida. Nosso espirito é tão livre e abissal que temos, por vezes, que contorná-lo de algumas indicações e contra-indicações.

Um velho, uma vez, me disse: Padece o que tiver de padecer por amor, mas jamais deixe de amar. 

Meu camarada, e tem como? Não amar? Como é isso?

Minha filha, vocês jovens, tatuam o amor nas costas, escrevem cartas derramando corações, vocês são só o engodo! O amor é tão maior que tudo isso que essa minha barba de 40 anos de contra-cultura “arrepeia” e ora interroga: quem vocês amam e por quê?

Pense menina, no afeto, que se desdobra. O afeto é a dobradiça da porta, ele a movimenta, abre, fecha. Se não houver a dobradiça, não há porta. Mas há quem encha esta porta de trancas, cadeados, placas de perigo. Portas não foram feitas para fechar, foram feitas para abrir.

_Creio estar equivocado, senhor... As portas sinalizam que há algo de particular sendo guardado, um território, com donos. As portas não podem abrir para quem quiser, minha portas eu não abro a qualquer um.

Foi imputado a vocês jovens um grande mal. O de que o amor é uma propriedade privada. O que há na privada, a não ser merda? 

Brinco, mas se não é capaz de ver para além dos muros da sua casa, minha cara... Se ama o que soa belo apenas, não traz a consciência do que é mesmo fonte de vida. Quando pergunto a quem você ama não é retorica... Para quem você fecha sua porta? 

Eu não deixo minha porta aberta para todos, nem os programas do governo, que se diz democrático, fazem isso. (risos)

Todos é um conceito inatingível, que nos afasta do que há de mais próximo, pois parece impossível... Digo de manter sua porta entre aberta, capaz da ternura, capaz da febre juvenil de amar sem medida, mas, capaz também do amor a quem lhe fomenta um notável descrédito, a quem seria incapaz de um negócio com essa sua propriedade privada, até que não hajam propriedades privadas e nem portas e sejam livres os amores...

Eu acho mesmo, senhor que não sei o nome, acho que o amor sim é um conceito inatingível...

Você tem boas capacidades de amor, mas você está muito patológica, menina. Veja bem, o amor tornou-se propriedade privada. Segue, derrubando-a. O amor não precisa de cercas. Por muito tempo eu lutei contra o sistema político que nos outorga o direito ao ‘ter, mantendo o ter’. Hoje vejo que ter é sim preciso, mantendo, sobretudo, o ser... Não vejo como vãs as lutas materiais. São propícias nos tempos propícios. Mas não só de pão vive o homem disse um sábio... Esfacelar a propriedade privada começa em nós. Amamos de forma desigual e pleiteamos direitos à igualdade... Se o amor começa em nós, porque tantas lutas para galgar mais e mais fora de nós? As pessoas se fizeram escravas da propriedade privada, do amor aos seus, apenas... O trabalho é a grande crucifixão dos nossos tempos, mas, sem qualquer apelo a uma salvação, é demasiado pena... Pena de morte... Repara nos seus rins, eles vão te matar... Mas você, só se preocupa com ganhos, com o olhar do outro, porque nesta sociedade de privadas, não basta tê-las, é preciso que sejam banhadas a ouro, para sei lá, as fezes boiarem mais bonitas, por certo...

O amor começa no cuidado! Cuida assim, de si. Pare de se matar. Isso é urgente! Os alicerces da sua propriedade ficarão, você não. Esse cuidado com você é o primeiro passo para cuidar de qualquer coisa que tenha vida. Respira melhor os teus ares. 

As pessoas temem parar, parar nos tempos atuais é algo melindroso, é perder tempo, e tempo é... Prefiro não dizer. Eis uma crença de grande bestialidade social a nós imputada. Pare, se aquiete, não confunda lugar ao sol com morrer chamuscado. Apreende o amor querida, que está no cuidado. Não jogue seu amor na privada. Se egoísta o for, já não é amor... Cuide das dobradiças que ainda existem, desses afetos inveterados que travam suas portas.

Há em extensas crenças a máxima de que o amor no seu afã se concede no paraíso, no Reino do céus. Cuide do seu céu, que não está na metáfora do horizonte ou do amanhã. Este amanhece com você a cada dia. Seu ser é seu céu. Cuide dele e faça deste um lugar de cuidado, pois então nem portas terá, mas portal, sempre aberto e capaz de receber e dar amor indistintamente. 



(Raquel Amarante - 20/07/2014)

All you need is love -  The Beatles

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Luís Gustavo

Luís Gustavo.
Maconheiro
Ninfomaníaco
Geminiano
com seus alelos de gene recessivo
na pigmentação.
Cultuava o Sabbath Negro
e um olhar hipnótico.
Pensador desde o colegial
- debates, embates, pontos de vista. -
Um cara a frente de qualquer tempo...
Que cultivava o deletério do seu ano serpente.
Gusta conheceu Joana.
Joana,
faz uso do chá ayahuasca.
Abençoada pela cruz caravaca
apadrinhada pelo Mestre Irineu
morena bela
de peitos fartos
boa de cama
coração bom.
Tiveram Nina
menina de olhar profundo...
Nina é cara de Gustavo.
Nina era tudo que Gustavo precisava.
Gustavo encontrou no amor
o Eu Superior que ele procurava.
Gustavo não terminou sua narrativa neste fragmento não
Gustavo tem muita história pra contar e pra viver
os dentes permanentes de Nina acabaram de nascer.

(Raquel Amarante)




segunda-feira, 23 de junho de 2014

Lembra


lembra
dos sonhos imperfeitos
que a gente traçou
para galgar uma atenção
copiosamente hipócrita.

lembra
das juras que a gente fez de amor
eu com meus sete receios
pois já sabia que daria em erro.
Mas mesmo assim eu fiz
no afã do sentimento,
do desejo.
porque sou toda isso mesmo...

lembra
do quanto que te amei
dos micos que paguei
na ébria adolescência sem éter
porque erámos aqui-agora por inteiro.
Hoje não.

lembra
das cartas...
as tenho até hoje
e não sei o que faço com elas
porque não sou a mesma canceriana,
aquela...
Que guardava papéis de bala icekiss
que via o amor como um chão de giz...


(Raquel Amarante - 2012-2014)










Parêntese que não se fecha

(Você
no meu parêntese.
Abri uma brecha.
se eu quis te prender
me convenci
(Você
é parêntese que não se fecha.

(Raquel Amarante)


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Mistério

Mistério
do grego,
mystérion.

do verbo
calar.

no sentido
do segredo.


Olha pro céu...

o noturno céu
onde se pôs o sol.

repara no mistério
incessante...
profundo...

coisa maior
não há no mundo...


Eu sei
que o meu querer saber
é do tamanho do céu.
Nem menor, nem maior.

e se me calo
eu sou o mesmo mistério das estrelas
travestido de criatura.

eu tenho o oculto da noite nos olhos
a sensível noção de tempo lunar
o silêncio alentador e a solidão do infinito
eu sou um universo inteiro de poesia
incompreensível a olho nú.


nem a melhor luneta
nem o melhor divã

nem o mais longínquo olhar
nem as mais demasiadas palavras

poderiam mensurar
a extensão da existência
e seu mistério.


(Raquel Amarante)






domingo, 15 de junho de 2014

Haikai de onde a ética dos apaixonados escorrega

                às musas todas
 
Ela errou e feio.
Mas ela é linda
então está perdoada.

(Raquel Amarante)







sexta-feira, 6 de junho de 2014

Escrevi escrevi e nada escrevi

às vezes a gente
 para.
A vida tem certa coisa
de nostálgica...
Parece até que já
conhecemo-na de algum lugar,
mas,
não sabemos de onde...

às vezes eu queria ser um míssil teleguiado
não pelo estrago,
mas pelo sentido...

Ele tem um caminho traçado. _ _ _ _ _

Mas que triste seria ter um caminho traçado!
Que não o das reticências...

Todavia,
não se usa todavia em poesia]
todavia,
com incertezas também não se faz coisa alguma.

Fadiga de andar num chão tão despedaçado
que se desfaz com o caminhar.
Fadiga do amanhã que tenho que buscar
Fadiga do amor que não sabe que tempo verbal assume
Fadiga de poesia que não se usa todavia
Fadiga de escrever essas bobagens importantes
mas esteticamente feias!

(Raquel Amarante)






quarta-feira, 4 de junho de 2014

Déjà Vu

Eu já estive ali
onde seus braços fazem curva.
Eu me senti bem
ali.
Mas daí, as vozes vêm..
Acorda!
Pra ser alguém...

(Raquel Amarante)




quarta-feira, 28 de maio de 2014

O parque

Vivo com tal encantamento
de criança em parque de diversões.
Os altos e baixos da montanha russa...
Os ciclos da roda gigante...
As maçãs de um vermelho amor...
Tudo isso é infância
nos ensinando a viver.

(Raquel Amarante)





segunda-feira, 19 de maio de 2014

Soneto de AMOR DE VERDADE

Amo-te a ponto de fazer um soneto
De me prender no encalço da palavra
Sinto ternura, enquanto sentes raiva
Bebo o amor, e você? Cianureto.

Na minha praça tinha um coreto
Sentávamos sorrindo e um rouxinol pairava
Com essa imagem eu me comprometo
A superfície não move as minhas águas.

Talvez eu mate todos os amores
Não por querer, mas por necessidade
de ver de longe a beleza das flores.

Coisa bonita essa tal de saudade
nas cartas, nos cheiros, nas lápides e aqui
É dizer EU TE AMO a quem se foi sem ir.

(Raquel Amarante)

(rouxinol)


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Vale mais o coração

meus olhos
esqueci calados
no horizonte
sem paisagem.

prontuários
atendimentos
e o meu sigilo.

o coração é tudo o que vale
entre as razões da civilização selvagem.

o encanto de olhar nos teus olhos belos
acolher esta tua dor que sente em carne viva
te incentivar a escrever sobre a ferida
te apontar para os seus laços e seus elos.

aqui, você tem um lugar.
aqui, você pode falar o que você quiser
aqui, você tem uma lixeira
para jogar fora o que te corta
aqui, você pode ser de fato quem você é.

eu ficaria te escutando toda a tarde
pois vale mais o coração
que qualquer coisa
e a ferida que lhe sangra
é tão Real
que até falar é um Merthiolate, também arde.

Vale mais o coração
e não o outro lado da morte.
Mas se for pra te preservar
que haja inferno, que haja!

(Raquel Amarante)











Memórias da vida antes da vida

O ventre materno
que era eterno
nem durou.
Que dirá os outros...



(Raquel Amarante)

sábado, 19 de abril de 2014

Vida em flor

Hoje eu faria até três poesias à vida
e cantaria gracias a ela com Mercedes Sosa.

porque felicidade é a cor do lápis
que a gente vai colorindo
pelos caminhos da folha...

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Eu tive que apagar a luz
e ler com o cinza do abajur
as letras miúdas
quase mudas
que compactuavam com meu silêncio.
Paciência!


Eu não me arrependo
das flores que sepultei ainda jovem
Dos amores que abandonei
à beira do porto.

Eu fui atrás do arco-íris
e atrás do arco-íris há mesmo um tesouro.
as cores da estrada, do arco
fui eu quem pintei.

da vida não esperei nada
além do que eu plantei.

(Raquel Amarante)


sexta-feira, 11 de abril de 2014

segunda-feira, 31 de março de 2014

Amor perene falta

O amor é mesmo o que sobra
o que resta, depois que tudo acaba...
é a lacuna que ficou entre os amantes
é o sonho impertinente
que a repressão permitiu lembrar
é uma lembrança vaga, mas acesa
é certa melancolia na madrugada
é o que escapa aos dedos
é uma vontade de aproximar...

Amor é isso que nos desperta para o sonho,
que nos acorda pra dentro.
É o que nos faz desejar...

(Raquel Amarante)

domingo, 23 de março de 2014

As chuvas da Capital

A leveza das águas me levam
me lavam
e as avenidas voltam a ser grandes
e eu não me perco mais nas ruas vagas
e eu já não tenho mais nenhuma lágrima
só tenho canções e sutilezas
e a beleza dos livros,
regada a risos e a absinto
com os amigos zapatistas.

A vida é leve
a gente canta e toca djavan
a vida é vã
mas a gente acerta a melodia
e isso é o que importa.

A vida é leve
não toda.
mas o horizonte anda belo.
a gente fala de amores e desamores
de música e sexo
de Rimbaud a Baudelaire
A gente brinda a vida
com nostalgias de outrora

A gente critica os novos jovens
como se fôssemos veteranos no mundo
a gente quer amores de caminhar de mãos dadas na pracinha.
e a gente também quer amores onde haja sexo o tempo todo.

A gente quer a liberdade sem vazio
e olhar nos olhos apaixonadamente
A gente quer justiça social e equidade
A gente tem quase a mesma idade e os mesmos anseios.

A gente discute política e concordância verbal
A gente não é neutro em relação ao mundo
"A gente" é mais certo que alguns "Nós"...
E a leveza está na congruência...

(Raquel Amarante)



domingo, 16 de março de 2014

Carta não enviada nº 26: Considerações finais de texto de amor...

Sir. Pudim,

Infindáveis eram meus pensamentos imaginando nós... Um laço belo que construí no âmago do meu ser. Diante de inúmeros fatores tive que interromper o meu desejo principal e investir nos secundários... Mas, você não entendeu ou entendeu e quis viver sua vida. Até aí eu entendo... Ninguém é obrigado a esperar por ninguém. Agora, emoções e sentimentos foram implicados nesta escolha. Dizer a alguém que o ama tem sido banalizado... Pois num dia se ama alguém, no outro se ama outro alguém... Eu confesso não entender isso... A inconstância no amor, a necessidade de estar com alguém. Porque eu não sou assim... Eu não preciso estar com ninguém pra ser mais feliz, ou pra ser mais eu. Eu não preciso mostrar que estou feliz pra ninguém, nem preciso divulgar uma vida de felicidade aparente em redes sociais. 
Eu procuro e vou adiante no que acho que faz sentido para minha vida e achava o máximo que você estivesse nela. Mas agora não. Gosto de exclusividade no amor... Você, por seus motivos, escolheu fazer o que você achava que era melhor para você e o fez. Não pense agora que pode voltar e reivindicar um lugar na minha vida ou mesmo algum contato, só porque, já diziam os astros, "água apaga fogo" (risos). Ter escolhido pelo que escolheu, sendo um final de semana ou um mês, para mim não importa, fez com que eu perdesse todo o encanto que eu sentia por você, todo o desejo que eu tinha por você, foi como se atirasse uma pedra e estilhaçasse o espelho que continha nossa imagem. Estilhaçado, não é possível recompor... Logo, acabou. 
Não consigo enxergar o nós que eu enxergava nas idas e vindas, não vejo mais nada. Sinto apenas as incompatibilidades.
Não há erros! Cada um priorizou o que achou melhor e ambas as priorizações têm consequências. Culminaram no fim.
Assim seja.

Stella Graal




Saiba mais sobre esta e as outras cartas: Sobre as "Cartas não enviadas" 



sexta-feira, 14 de março de 2014

Ainda bem

Falo de amor baixinho
como quem quer rimar com o silêncio
Bebo vinho tinto feito água
como quem vive sangrando por dentro
Rezo uma prece com a fé de criança
que acredita em bicho papão
Sinto saudades das festas juninas
festejadas no mês de julho.
Quero um amor que goste mais de livros
que de mim.
Eu tenho todas as cores de lápis Faber :)
Mas nem se comparam aos koh i noor :(
Ainda bem que hoje é sexta
e amanhã é sábado
e depois é domingo.
Ainda bem...

(Raquel Amarante)

O dia em que comprei um telescópio

No dia em que comprei um telescópio
me aproximei de marte, vênus e saturno
e estrelas com brilho tão fascinante...
Eu sabia que a vida era boa
para quem é capaz de ver além das nuvens.

(Raquel Amarante)



quarta-feira, 12 de março de 2014

quem sabe...

vai ver se eu tô na esquina
do seu coração.

(raquel amarante)

Vida e outras drágeas

de tempos em tempos
sinto o querer
vadio
pleno de si
resolveu viver aqui...

querido querer,
nem te quero
nem te obrigo
só mesmo um rosto amigo
eu levo.

presença é falta
navego no oblíquo do eu
quem dera eu ser meu ego
quem era você, que não eu?

os livros
deliberam.
meu ciclo vermelho é vivo
me acho no traço lento
num tempo escasso
de estar vivo.

Mãe, mulher,
temo não sê-la.
mas se fosse,
nem quereria.
eu me gosto demais
pra não me dar alforria.

Vade Mecum
porque talvez chova
não tenho piedade das nuvens,
enquanto elas choram
me alegro.

Amanhã
teremos a anatomia de velhos
estarei me perguntando por onde andei.
por hoje,ando.

Carisma
é coisa pra poucos
coisa de signos do fogo
a vida não me deu trégua
teria que nascer de novo.

Mas nasço
todo dia
quando durmo.
dormir, esse hábito sempiterno
que lembra o útero materno.

Um dia eu fui boa
Em todos os outros eu quis ser
Mas a gente erra sem saber
e mesmo sabendo, sem querer
e mesmo querendo, é por amor
não me pergunte a quê
errar é mesmo sinônimo de nascer...

Persisto no erro
Vivo.
Viver é tão definitivo...
que eu me pergunto se vale a pena
ter vindo da costela.
e amar no infinitivo.

A gente reclama
mas a vida tá boa
tem até sinal da Tim.
Se um dia a vida tiver muito chata
vou buscar uma telenovela
pra esquecer um pouco de mim.

(Raquel Amarante)



sábado, 8 de março de 2014

Tons reais

"Esse jeito esquisito que Jesus tinha, de preferir os piores, né?

Me faz pensar, sabe gente, na beleza dos avessos... às vezes, a gente na pressa de encontrar, a gente não vê. Quantas vezes na minha vida eu desprezei as pessoas, porque eu considerei o agora. É tão doído né, a gente ser visto somente a partir do presente.
Quando as pessoas olham pra gente e só enxergam aquilo que a gente tem no momento.

Isso é fascinante em Jesus...Por isso ele era capaz de preferir quem ele preferia. Porque Jesus não era um homem que se prendia no presente. Eu acredito e acho interessante isso: que os amantes nunca esgotam as criaturas amadas, porque o amor sobrevive de futuro, né?
Ele consegue enxergar o que a gente ainda não viu, a pessoa que ama consegue enxergar o que outro ainda não é, vê o avesso, vê o contrário da situação.

É tão bonito a gente pensar que a beleza do tecido tem um sustento, uma trama está por trás de tudo isso. Compreender as pessoas, amá-las, só é possível a partir do momento que a gente entra na trama do avesso. Quando a gente não enxerga somente aquilo que os olhos podem revelar, podem conhecer, mas, sobretudo, aquilo que ainda está oculto.

Deus nos ama assim, porque consegue enxergar o que a gente ainda não é, mas que a gente ainda pode ser..."

Pe. Fábio de Melo



terça-feira, 4 de março de 2014

Psicografia de Chico Xavier sobre a Eternidade

O que eu tenho não me pertence, embora faça parte de mim. Tudo o que sou me foi um dia emprestado pelo Criador para que eu possa dividir com aqueles que entram na minha vida. Ninguém cruza nosso caminho por acaso e nós não entramos na vida de alguém sem nenhuma razão. Há muito o que dar e o que receber; há muito o que aprender, com experiências boas ou negativas. Tente ver as coisas negativas que acontecem com você como algo que aconteceu por uma razão precisa. 
E não se lamente pelo ocorrido; além de não servir de nada reclamar, isso vai te vendar os olhos, dificultando assim, continuar seu caminho. Quando não conseguimos tirar da cabeça que alguém nos feriu, estamos somente reavivando a ferida, tornando-a muitas vezes bem maior do que era no início. Nem sempre as pessoas nos ferem voluntariamente. Muitas vezes somos nós que nos sentimos feridos e a pessoa nem mesmo percebeu; e nos sentimos decepcionados porque aquela pessoa não correspondeu às nossas expectativas. E sabemos lá quais eram as nossas expectativas? Decepcionamo-nos e decepcionamos outras pessoas também. Mas, claro, é bem mais fácil pensar nas coisas que nos atingem. Quando alguém te disser que te magoou sem intenção, acredite nela! Vai te fazer bem. Assim, talvez, ela poderá entender quando você, sinceramente, disser que "foi sem querer". Dê de você mesmo o quanto puder! Sabe, quando você se for, a única coisa que vai deixar é a lembrança do que fez aqui. Seja bom, tente dar sempre o primeiro passo para a reconciliação, nunca negue uma ajuda ao seu alcance, perdoe e dê de você mesmo. Seja uma bênção a todos que o cercam! Deus não vem em pessoa para abençoar, Ele usa os que estão aqui dispostos a cumprir essa missão. Todos nós podemos ser Anjos. A eternidade está em nossas mãos. Viva de maneira honrada, para que quando envelhecer, você possa falar só coisas boas do passado e sentir assim, prazer uma segunda vez ... e ter a certeza de que quando você se for, muito de você ainda fique naqueles que tiveram a boa ventura de te encontrar.

(Chico Xavier)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Apreciando as estrelas

Na varanda dormi
apreciando as estrelas
que piscam.

Lembrei-me dos meninos
que apreciavam uma tal piscada minha.

Arguta, cheia de lógica, não aristotélica
lanço uma asserção:
Tudo que pisca é vivo,
portanto, belo.
E a beleza,
está no abrir e fechar
no ser e não ser
estar e não estar
em cada sentir que pisca
e torna a vida viva.

(raquel amarante)




sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Epifania

Estou assim,
inspirada
pela vida
pela música
pelo amor
pela Liberdade
pelo dia que veio hoje nublado.
pelo folk de Sam Phillips, novamente.
Lúcida e serena
como Berta Young 
e sua epifania em "Bliss".

(Raquel Amarante)


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Carta não enviada n° 25: Para minha filha

Filha,

Não entenda isto como um manual de princípios. Eu não escrevo para afastar ninguém de si mesmo. Se tivesse um minuto lúcido nesta minha estadia neste mundo, seria para lhe dizer para você se apaixonar pela vida. A vida e os rios surgem com propósitos, ir ao encontro do profundo, do inteiro, do perene. Sinta a imensidão do que lhe toca, e vai... 


Stella




Saiba mais sobre esta e as outras cartas: Sobre as "Cartas não enviadas" 



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Nos braços da existência

De tão existencial
pôs mais vidas em seu varal
do que poderia caber.

Não cabe em lugar nenhum
coisa alguma, vagueia...
É do tipo que joga cartas pra entender de destino
e acaba por embaralhá-lo mais.
Tem uma queda pelo mistérios das coisas.
Quer a tudo conhecer, quer a nada dominar
Mas vez ou outra tropeça em sua própria sombra.
Gosta de coisas diferentes quando são todas iguais,
busca a semelhança, quando tá tudo assim, diferentão.
Some, aparece,
some.
Devia gostar de esconde-esconde quando criança.
Avança - com o outro pé no freio.
Muito madura quando criança,
foi rejuvenescendo/ ficando mais menina ao longo dos anos...
De tanta compreensão, tornou-se condescendente demais,
andou voltando atrás...
Considera seu gosto musical perfeito,
aprimorado ao longo das vidas...
Ama o harmônico,
é o mais puro caos.
Não gostaria de ser outra pessoa no mundo,
mesmo com seus carmas nada leves.

Alguns abraços lhe tocam profundamente.

E sabe, mundo, gentes,
veio-me aqui...
talvez seja por isso que vivemos,
entre intervalos... fissuras... interstícios existenciais...
Abraços..!
Ternos braços
nos embalam.
Vive-se num ato,
O Eterno
ao qual reivindicamos por direito de nascimento.



Amanhã, muda de ideia de novo
sobre a existência,
mas, por  enquanto, é isso.


(Raquel Amarante)



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