"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Luís Gustavo

Luís Gustavo.
Maconheiro
Ninfomaníaco
Geminiano
com seus alelos de gene recessivo
na pigmentação.
Cultuava o Sabbath Negro
e um olhar hipnótico.
Pensador desde o colegial
- debates, embates, pontos de vista. -
Um cara a frente de qualquer tempo...
Que cultivava o deletério do seu ano serpente.
Gusta conheceu Joana.
Joana,
faz uso do chá ayahuasca.
Abençoada pela cruz caravaca
apadrinhada pelo Mestre Irineu
morena bela
de peitos fartos
boa de cama
coração bom.
Tiveram Nina
menina de olhar profundo...
Nina é cara de Gustavo.
Nina era tudo que Gustavo precisava.
Gustavo encontrou no amor
o Eu Superior que ele procurava.
Gustavo não terminou sua narrativa neste fragmento não
Gustavo tem muita história pra contar e pra viver
os dentes permanentes de Nina acabaram de nascer.

(Raquel Amarante)




segunda-feira, 23 de junho de 2014

Lembra


lembra
dos sonhos imperfeitos
que a gente traçou
para galgar uma atenção
copiosamente hipócrita.

lembra
das juras que a gente fez de amor
eu com meus sete receios
pois já sabia que daria em erro.
Mas mesmo assim eu fiz
no afã do sentimento,
do desejo.
porque sou toda isso mesmo...

lembra
do quanto que te amei
dos micos que paguei
na ébria adolescência sem éter
porque erámos aqui-agora por inteiro.
Hoje não.

lembra
das cartas...
as tenho até hoje
e não sei o que faço com elas
porque não sou a mesma canceriana,
aquela...
Que guardava papéis de bala icekiss
que via o amor como um chão de giz...


(Raquel Amarante - 2012-2014)










Parêntese que não se fecha

(Você
no meu parêntese.
Abri uma brecha.
se eu quis te prender
me convenci
(Você
é parêntese que não se fecha.

(Raquel Amarante)


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Mistério

Mistério
do grego,
mystérion.

do verbo
calar.

no sentido
do segredo.


Olha pro céu...

o noturno céu
onde se pôs o sol.

repara no mistério
incessante...
profundo...

coisa maior
não há no mundo...


Eu sei
que o meu querer saber
é do tamanho do céu.
Nem menor, nem maior.

e se me calo
eu sou o mesmo mistério das estrelas
travestido de criatura.

eu tenho o oculto da noite nos olhos
a sensível noção de tempo lunar
o silêncio alentador e a solidão do infinito
eu sou um universo inteiro de poesia
incompreensível a olho nú.


nem a melhor luneta
nem o melhor divã

nem o mais longínquo olhar
nem as mais demasiadas palavras

poderiam mensurar
a extensão da existência
e seu mistério.


(Raquel Amarante)






domingo, 15 de junho de 2014

Haikai de onde a ética dos apaixonados escorrega

                às musas todas
 
Ela errou e feio.
Mas ela é linda
então está perdoada.

(Raquel Amarante)







sexta-feira, 6 de junho de 2014

Escrevi escrevi e nada escrevi

às vezes a gente
 para.
A vida tem certa coisa
de nostálgica...
Parece até que já
conhecemo-na de algum lugar,
mas,
não sabemos de onde...

às vezes eu queria ser um míssil teleguiado
não pelo estrago,
mas pelo sentido...

Ele tem um caminho traçado. _ _ _ _ _

Mas que triste seria ter um caminho traçado!
Que não o das reticências...

Todavia,
não se usa todavia em poesia]
todavia,
com incertezas também não se faz coisa alguma.

Fadiga de andar num chão tão despedaçado
que se desfaz com o caminhar.
Fadiga do amanhã que tenho que buscar
Fadiga do amor que não sabe que tempo verbal assume
Fadiga de poesia que não se usa todavia
Fadiga de escrever essas bobagens importantes
mas esteticamente feias!

(Raquel Amarante)






quarta-feira, 4 de junho de 2014

Déjà Vu

Eu já estive ali
onde seus braços fazem curva.
Eu me senti bem
ali.
Mas daí, as vozes vêm..
Acorda!
Pra ser alguém...

(Raquel Amarante)




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