"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

domingo, 6 de dezembro de 2015

Solicitação em anexo

Permita-te te amar
menos e melhor
amar sem atropelos.

Diminuir os batimentos
A pressão arterial.
As cartas. Os selos.

Permita-me o banal
O todo dia, o rotineiro
Minhas tranças, teus pelos.

Se achegue na minha história
Na minha memória e desassossego.
Permita-me te amar

Permita-me.pdf
Permita-me.doc
Permita-me.jpeg

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SETE

Salomão era rei
Nem se importava!
Pois namorava, dentre todas
Aquela - que não se enamorava.
Que relação mais bonita
quando não se tem posse de nada...
Certas coisas se dão
sem pressão, nem esforço
Como um contemplar de rosto
E o céu da estrada...
A ciência conta a areia
A sabedoria sente as arestas
Viajar pelo céu é científico
Viajar pelo sou é clareira
Só se chega ao céu mesmo
por um único veículo...
Foguetes não vão muito longe
O universo é um espiral a esmo...
O sentir tem um gosto cíclico
Somos o que em nós se esconde.
A saber...
Dor
Ria!

(Raquel Amarante)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Quando te olho

Essa procissão de ideias
que segue o caminho sem pensar...
Esse pendor pelo que não é banal
Esse afeto pelo que gera mal
estar.

Nunca pensou que sumir
seja uma forma de aparecer?
Que a distância seja uma forma
segura, de lhe ter?

De que adianta eu te querer
se você é vento, poeira...
E eu não poderia te guardar nos meus braços...
De que adianta eu mergulhar nos seus passos
Se você está sempre à beira
de abismos, pedras, vôos altos...

Não sei acompanhar seu ritmo
Mas observo com amor sua meninice e sua adultez
Dos males, o menor, é o meu talvez.
Dos bens, quando te olho, é tão legítimo...

(Raquel Amarante)

domingo, 6 de setembro de 2015

Carne crua

                              à Bhagwan Shree Rajneesh

Duro é descobrir que brisa não é vento. Que o ar que eu respiro não é autêntico. Que não estamos crús, fomos temperados. Salgados, apimentados por outros... Como me livro deste sabor agora?  Esse sabor que não fui eu que dei à vida. Esse gosto de carne mal passada, prato predileto de quem come minha entrada, sem acompanhamento. O prato principal de mim nunca vai ser servido. Ele não é para ser admirado, degustado. Ele está sendo cozido em fogo baixo e é pra ser comido no silêncio do quarto.

(Raquel Amarante)


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Carta não enviada n. 27: quase 35 invernos

Eu disse que tornaria a lhe escrever... Cedo ou tarde. Pra você pode ser tarde, meu tempo não tem governo... Não queria ficar me justificando. Isto é pra quem errou.
Talvez eu não seja a melhor pessoa, por certo não sou a pior...
Nosso erro é nunca está pronto e esperar que os outros estejam.

Ando tão ciente de tudo. Cienteza nada vale. O bom sabedor sabe o que fazer,
eu não sei.

Nosso erro vital é não está pronto, a gente vem mesmo pra cá pra aprender... De repente a gente vai dançando conforme o ritmo, cantando conforme o tom, vivendo conforme o bater do peito. Não espero mais muita coisa não. Faz chuva ou faz sol aí? 

Stella

Saiba mais sobre esta e as outras cartas: Sobre as "Cartas não enviadas" 

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