"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Parceiro-Sintoma

Não convida pra dançar
Faz dançar com ou sem vida.

(Raquel Amarante)

P.S: Não serviu pra ser haicai :(


Noite espiral (reflexões)

a profecia
é a estatística intuitiva.

a filosofia
surgiu da natureza.

quem dera eu,
ser anti natural.
indiferente 
à única certeza.

A quem se remeteria
um enfadonho texto
sem fim?

Sem fim parece
nem ter lugar na língua

Talvez o céu
seja um primo carnal
dessa ideia romântica

ou talvez, seja eu, demasiadamente,
terrena,
pequena,
finita.

Mas acho a vida até bonita.
em espiral
além do bem e do mal.
com os ciclos 
de ALTOS e baixos
de transformações profundas,
dolorosas.
de alívios e suspiros.
de serenidades,
por que não?

Sempre haverá ponto final .-)

Mas o que podemos fazer com isso?



(Raquel Amarante)


(A espiral é a associação livre em formato de rabisco mais presente em meus cadernos. JUNG explica.)















terça-feira, 30 de maio de 2017

Novembro

eu não sei quanto tempo faz
meu tempo não tem nada ver  com cronologia
eu sinto mais você hoje
que naquele dia.
Mas vou levando a vida como um tanto faz.

E tanto faz a dor como a alegria
eu sei reinventar tudo na memória
nos buracos de lembrar sombreio de nostalgia
infância me ensinou a colorir minha história

Viver o passado no presente
sem medo de ser julgado por ser feliz de novo
para alguns a surpresa do Kinder ovo
para mim a alegria de um velho fato nov.o


lembrado, vivido, sentido
sentir é o estado mais acordado do corpo!


Novembro, 2016   - Raquel Amarante








quinta-feira, 4 de maio de 2017

segundo plano

quando um motivo sobressai
e o fundo fica opaco
o foco fica quase automático
nítido feito ato falho em análise.

eu me pergunto o que me motiva
dentro do corpo e tempo que me resta
quais as palavras que me fazem viva?
quais  os sentidos que a vida me empresta?

uma chuvarada me vem como resposta
eu inclinada molhando a cabeça
não há gota d'água que em mim prevaleça
são tantos motivos que vivo predisposta

mas tantos motivos não cabem numa foto
e a busca é pra além do olho humano
interessa-me o que não vejo e a falta de luz
interessa-me o não motivo e o segundo plano

Se fotografia não se faz sem foco
vida se faz de todo jeito.
No manual, no automático,
no equivoco, 
na barroca ambígua
composição do imperfeito

Vida é destino de barco no horizonte
onde não há luz, nem guia turístico.
Se a imensidão da noite
não cabe nas linhas de grade
Tampouco eu,  
em relacionamento sério com a liberdade.

Isso de não caber em nenhum porta retrato
de ser universo ilimitado em expansão
recobre a vida de vazio e razão.

há de se desbravar e se aventurar...
pois só assim, contrastes e cores
amores, tão estrelares e intergalácticos
vidas abundantes, 
experiências vastas
vão me capturando
os ares e ares e ares...
Assim eu respiro.
Assim me respeito.

(Raquel Amarante)














quinta-feira, 16 de março de 2017

Read overdose vinho

aromatizado nos campos de concentração
fermentado em temperaturas infernais
intenso, jovem, frutado, pornô
amado amargor cereja morango
baunilha tostado em estado ébrio
complexo, harmônico, potente, selvagem
limitado, mas sem limitações
feminino, surpreendente na boca e adendos
exuberante, muito encorpado, coxas e bundas
com notas de couro
acompanha amores verdes
amores maduros
amores de vênus retrogrado.



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