"Quem medirá o calor e a violência do coração dos poetas, quando capturados e aprisionados no corpo de uma mulher?" Virgínia Woolf

sábado, 30 de julho de 2011

A mulher que não exprimia

à Ignácio de Loyola Brandão

Ela espremia com suas mãos, seu jeito materno, todas as laranjas que via... Passava o dia inteiro espremendo... Foi quando um dia, não tinha mais laranjas em sua casa para espremer e então viu-se espremendo suas próprias mãos. Seu marido, quando chegou do trabalho, não acreditou no que viu. Como pode, mulher burra! Esbravejou. Como pode espremer suas próprias mãos!!! Calada, consentiu a perturbação do marido, afinal, ele estava mais do que certo. No dia seguinte, a mulher de dedos machucados deu sua última espremida. Nada disse, apenas espremeu-se toda, virou suco. Seu marido ao chegar do trabalho notou sua falta e estranhou...
Ao ver o suco sobre a mesa, levou-lhe à garganta e bebeu sedento. Levado pelo descontentamento, não hesitou em dizer: Some e ainda faz um suco ruim desses!

(Raquel Amarante)

Conheça ou relembre de uma postagem irmã dessa (clique aqui >>): O homem que bebia cianureto


Imagem extraída das fotos do *Grupo de Ninguém, clique na foto para ter mais informações.

16 Comentários:

Bel Rech disse...

Muito interessante e ao mesmo tempo irritante com um pensamento desses.
Paz e bem

Van disse...

hahahaha

tanta mulher virando suco por aí, é preciso sair desta condição de laranja.

Beijos Raquel!

Anônimo disse...

Será-me preciso espremer um pouco da cacholinha pra colher uma única gotinha de entendimento d "A mulher que não exprimia"???
Figurativamente pensando é concreto que não, mas, uso desses termos, senhora escritora, por não encontrar outros mais propícios à gravidade do conto e que ao mesmo tempo condizente à natureza dele.
Natureza de um gênero que você lança mão, não, melhor, discorre grafia e colhe-a na mão com primazia uma representação chocante, verdadeira metáfora absurda sobre uma situação da vida que em realidade nunca se poderia acontecer, pois impossível e louca que é. Mas, ela existe e acontece, verdadeiramente,
na realidade louca e absurda da vida.

Se das tripas, coração. De limões, limonada, a mulher que não exprima o seu ser espremeu e com amor, esponsal e materno, o seu doce, insulso e inexpressivo sumo colheu, e ao bom marido se lhe ofereceu, que tanta incompreensão, ingratidão e amargor lhe bebeu...

Anônimo disse...

Neste momento, estou acompanhando - não seria testemunhando?- a desvairada mixórdia do seu blog, frenético e impulsivo a trocar de layouts como a uma mulher diante de uma guarda-roupa, indo e voltando em frente ao espelho, experimentando todas as roupas e combinações e sentindo-se abismalmente insatisfeita. rsrsrs...

No entanto, confio em seu bom gosto.

Fernanda Fraga disse...

Gostei do texto.
mas nós mulheres temos disso.

Espremer, exprimir, expressar.
De todos os jeitos...
Que gosto vai dar? Que fim sucederá ql ação ou descontentamento?

Gostei tb da mudança layont. Mas parece que vc ta mudando toda hora, rs...

Um beijo,
Fernanda Fraga.

Lara Amaral disse...

Nossa, muito interessante. Expressivo, metaforicamente angustiante. Adorei!

Beijo.

Raquel Amarante disse...

Amiga anônima e Nanda,

kkkkkkkkkkkkkkkkk Rindo mto dos comentários de vocês!

Este layout foi o menos pior que achei... Mas estou descontente... Solicitei a um amigo meu web designer que faça um layout ao meu gosto... A princípio ele hesitou... Rsrsrs rss Mas fará, por enquanto eu vou usando este que não tem nada a ver com a proposta do título do blog... Se eu ñ mudar de idéia, né... Cancerianas são assim mesmo.. Se ñ tiverem satisfeitas com a decoração da casa elas morrem... Rs :( comentários de vocês!

Este layout foi o menos pior que achei... Mas estou descontente... Solicitei a um amigo meu web designer que faça um layout ao meu gosto... A princípio ele hesitou... Rsrsrs rss Mas fará, por enquanto eu vou usando este que não tem nada a ver com a proposta do título do blog... Se eu ñ mudar de idéia, né... Cancerianas são assim mesmo.. Se ñ tiverem satisfeitas com a decoração da casa elas morrem... Rs :(

Raquel Amarante disse...

Eita Bel e Van...

Às vezes não se encontra outra forma de se experimentar a presença senão na ausência ou sendo bebida...tra outra forma de se experimentar a presença senão na ausência ou sendo bebida...

Raquel Amarante disse...

Comentários duplicados... Só acontece comigo...rs

Raquel Amarante disse...

Prazer enorme recebê-la Lara! Agradeço a visita! Sua presença poética é sempre mto perspicaz e estimuladora... Bjo querida!

Raquel

Anônimo disse...

Por que será que seu amigo web designer hesitou em aceitar seu pedido? Afinal, não há mais estável que o desejo de uma poetisa psico-neo -marxista de alma lispectoriana, imutável como as nuvens...

Pra todo caso, confio em seu inquietante e 'volúvel' bom gosto.

Raquel Amarante disse...

kkkkkkkkkkkkkkkk
Adorei a descrição que vc deu a minha pessoa..rss Usarei-a, com os devidos créditos...

Alê disse...

Que triste: nessas caminhadas, quantas mulheres deixam de ser quem são e se transformam em suco, perdendo sua essência e se tornando insossas...

Triste realidade,


*Achei o texto muito, muito sútil, adorei!

Anônimo disse...

hahaha
Tudo bem, disponha-se livremente da citação caso, e como mesma diz, se ela lhe compraz bem. Reparo, no entanto, que em meu entender ela é inexpressiva demais pra espremer um pouco da sua grande expressão.

Marceli Andresa Becker disse...

Menina, tua prosa é demais!!! Adorei, invista! Que imagem a dela espremendo as próprias mãos!
Surreal, do fundo de tudo, umbilical.
Amei.
Beijos,
Mar

Raquel Amarante disse...

=) Obrigada Amore!!!
Fico feliz que tenha apreciado.

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