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Será se...

Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia
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Roda da Fortuna

Se o fogo testa a alma e pede calma e a terra finca os pés atola os sonhos se o nado é pesado de braçadas e o ar da graça tornou-se rarefeito se as leis de Moros não podem ser lidas a não ser por oráculos. "Se nem mesmo os deuses podem lutar contra anánkê" É... É preciso fé... e é preciso, também, o agora. e escutar os mais velhos mais bem afeiçoados com a natureza. de resto, o mundo gira. (Raquel Amarante)

Postal

Etiquetas não tenho nem nas roupas nem na mesa. Mas se eu pudesse minha vida seria uma encomenda rumo ao lado de lá com selos e carimbos de quem se encaminha de quem experimenta respirar novos ares novas crenças novas presenças. Etiquetas não tenho nem nas roupas nem na mesa. E às vezes, nem sinal a não ser dos pássaros a não ser dos gafanhotos a não ser das libélulas a não ser de Deus. e uma vontade de me endereçar ao espiral do mundo pra chegar a qualquer canto pra sentar em qualquer meio fio pra sentir aquelas saudades e voltar meia lua crescente pr'algum ninho. (Raquel Amarante)

O céu é o limite

Vazio do mundo um eu tão profundo num aquário. O céu é o limite ou o limite é o cel ou será o cel o céu e o limite limite mesmo? O vazio é ilimitado só sei. Os sonhos tive que guardar ou acho que perdi, ou sei lá Continuo inculta arredia e teimosa  Sei de muita coisa E desconfio ainda mais ainda o que não sei é o meu fundamental interesse Tenho poucos livros hoje Pouco tempo para lê-los Uma vida medíocre capitalista. Os sentidos me envolvem A música precisa voltar para minha vida Ou a morte é certa. A apreciação da arte, das culturas, das filosofias Sem elas, não há porque viver. (Raquel Amarante)

Pai (a meu pai Antônio)

Me reconheço na brochura de um caderno não escrito, não lido, mas dito. Concreto! Pensar em você é ter na emoção  um teto. Posso chorar por te amar, me permito, dizer talvez o que nunca foi dito Bem dizer tudo que você é por ser tão simples e tão complexo! Por todo quanto amor desceu em seu suor Pelo nó que dá quando enxergo na sua história tal sobrevivência tal fidelidade tamanha verdade! Honestamente, me engrandeço por ser sua semente. Nós dois somos áridos e ávidos Basta uma gota no solo quente amamos tão profundamente! Àquele que me ensina sobre ser tão desejo a chuva mais serena e os mais doces araçás! Te amo, meu pai! Quel

Carta não enviada n° 29 - Retorno de Saturno

Caro(a) desconhecido(a), Escrevo-lhe porque você reside em todos nós. Esta semana, em um atendimento, perguntei a uma paciente "O que te faz querer viver?" Eu não seria irresponsável ao perguntar sobre a vida, se não fosse para aprofundar em alguma sombra ou ampliar perspectivas. Eu não seria eu também se esse não fosse um dos meus maiores enigmas e aquilo porque me procuram... Quando criança eu pedia sabedoria. Sabia que era algo difícil, mas não recuava em pedir a Deus. Eu sempre tive interesse em saber de onde as coisas vêm, para onde vão. Eu sempre observei a natureza do meu quintal. Eu, quando criança, tentei  muitas vezes ajudar as roseiras nos seus ciclos, podando como meu pai fazia, mas muitas vezes não observava o tempo delas e matei inúmeras! Claro, não contei para ninguém! rs Meus pais pouco entendiam meu dom de inter(ferir), quando eu tava mesmo era querendo descobrir, ser... O tempo de cada um é um ensaio para a sabedoria, entender o mundo e seus ciclos, a

Quem sabe

Quanto tempo leva para apagar o desejo? Quanto tempo leva para as amnésias, tão alcóolicas, fazerem efeito? Quanto tempo leva para o pescador pegar o timo da razão e vencer o mar? Não importa quanto tempo demore para picotar as memórias em ínfimos pedaços De repente, tão de repente O corpo sente de novo e o corpo é sentido como jamais foi! Outra vez. Outra vez água fervente lama, lodo, chama inferno! Inverno... O frio e o calor Não adianta achar que se está imune A certeza é uma mãe que só pune Eu tenho fome e sede E é como se eu caminhasse sem ser vista nas proximidades da Estação da Luz de SP perdendo o jeito de viver. Morrendo de amor por inteiro. Quem sabe, talvez, a palavra, me salve. Outra vez. (Raquel Amarante)