Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...
"Quem medirá o calor e a violência do coração dos poetas quanto capturados e aprisionados no corpo de uma mulher?" (Virginia Woolf)
Console-se, no entanto, com o fato de vc poder ser alguém inteiro ao menos do ponto de vista estatístico do nosso quadro sobre o problema social. Não, não, engano-me enganando-te, de fato vc não é um ser inteiro, pois a estatística é matematicamente quebrada, e tem restos fracionais para mais ou para menos.
ResponderExcluirMas, console-se, avante, "maior abandonada, em frente a porta de uma casa", pois ainda assim, sabe que, "família e, família a, família! Nunca perde essa mania..." rsrs.
Agora menos sério, diz-se que a palavra família, de origem latina, tem seu significado justamente na natureza de escravo, em toda sua acepção de ser posse do outro. Portanto, seus "N fatos reais" conduzem realmente a prisão da família.
(Ó explicação inútil e enfadonha, pois isso vc deve saber muito mais que eu.)
Eita...
ResponderExcluirNão...
I know nothing!
Nem conheço direito estes "n fatos reais" que nos cercam.
Junto então à sua voz, e ambos nós poderemos cantarolar juntos como os Beatles:
ResponderExcluir"Nothing is Real..." ' no N reals facts'
Da música pra poesia, poderemos recitar Quintana também:
"Eu nada entendo da questão social.
Eu faço parte dela, simplesmente...
E sei apenas do meu próprio mal,
Que não é bem o mal de toda a gente..."
N.:Topa o nosso dueto cético-alienado?
HAHAHAHAHA...
ResponderExcluirTopO!
É preciso não saber
viver!!
Hahaha
ResponderExcluir"Venha ver como viver é bom.
Não é a vida como está,
e sim, as pessoas como são." LUrb.
Pois da escola de "não saber viver", imagino que você será minha jovial mestra de primeiras letras... letras infinitas...
Obrigada.
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