Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...
"Quem medirá o calor e a violência do coração dos poetas quanto capturados e aprisionados no corpo de uma mulher?" (Virginia Woolf)
Adorei !!
ResponderExcluirÀs vezes me sinto nesse mundo ao avesso.
Beijos linda !
Obrigada Thami!
ResponderExcluirBjão
Multicolorido e bem aventado o seu varal.
ResponderExcluirUm achado revelar peças íntimas levantando a saia dos psicologismos.
Mas há que se ter a delicadeza do lírico e a irreverência do humor para fazer isso sem configurar atentado violento ao pudor. E você tem os dois, Raquel, de sobra - força de expressão, é claro: longe de mim querer insinuar que suas saias e decotes sejam pouco generosos.
Um abraço
Tuca, nossa! Obrigada e Mto bem vindo!!
ResponderExcluirAdorei suas palavras!!!
#Guardarei nas minha lista de favoritas!!
Abraço
vôo infinito
ResponderExcluirah ! poeta !
porque brincas
com um disparo na testa ?
se nas frinchas
do silêncio se infiltra
um vento farpado
não é por acaso
que o céu registra
versos sem prazo
que ornam o hálito
de estrelas súbitas
ao inimigo tácito