Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...
"Quem medirá o calor e a violência do coração dos poetas quanto capturados e aprisionados no corpo de uma mulher?" (Virginia Woolf)
Que artesta você é querida!
ResponderExcluirAdorei.
Beijos
Obrigada Marly!
ResponderExcluirMuito gentil! =)
bjim
O sangue que corre atesta aquele que na arte, vivo mergulha. O sangue que para atesta a morte do artista. Logo, a arte é sangue que corre. Sem sangue, sem olhos, sem testa, sem se atestar. Atestado de morte da Arte.
ResponderExcluiré arte que faz escorrer sangue..
ResponderExcluire atesta a força do artista..
muito bom!
beijos perfumados..e um lindo dia.
Atesto que aqui há poesia de fato.
ResponderExcluirBjs!
"Atesto. Arte é testa na parede.
ResponderExcluir(...) Parede quebra testa.
Testa derrama tinta na parede"...
Arte é ação na sua abstração, testa na parede concreta, abstrato-concretização, mas que doar-te!!!
Raquel, seus versos ajudam-nos a pensar sobre esta abstrata e concreta dor e vida da arte que, tão concretamente chega a abstrair-se que é concreta, que concretamente se abstrata vida "doar-te"... Parabéns.
Obrigada a todos vcs, tbm artestas...
ResponderExcluirbjoS
Bah, este poema é tudo de bom, som e sentido caminhando juntos!
ResponderExcluirParabéns!!!
O sangue é visível, e o final, dolorido, este "doar-te" é lírico demais, coisa linda...
ResponderExcluirObrigada querida! ;)
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