Pular para o conteúdo principal

Fones de ouvido

Há um silêncio surreal indômito.
Há um pulsar de sensações trôpegas.
Há uma rebeldia à revelia de olhares pudicos.
Há um som alto, estridente, ligado aqui dentro.
Há uma canção áspera que arrepia meus pelos.
Há uns graves e agudos crônicos, e épicos.
Há um subterfúgio na identificação dos instrumentos.
Há um orgão tornando lúgubre a melodia, ritmo e harmonia.
Há um "When you feel so tired, but you can't sleep"
"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia."
Não ouço ninguém.
Ninguém ouve o som que emana aqui em alto e sensível tom.
Ainda bem que

fones de ouvido.

(Raquel Amarante)

Comentários

  1. Seria uma ode a 'high tech age'?

    Ou seria apenas uma esplêndida de uma expressão de uma alma magnífica
    que artisticamente vai descrevendo e construindo o deleitável e angustiante mistério no "subterfúgio na identificação dos instrumentos"?

    Fones de ouvido cujos olhos, no momento da audiência, são o porta-voz ensurdecedor do alto-falante em claro e bom som da alma que reverbera a sua silente eloquência irreprimível, indômita e inconfessável à flor da pele...

    P.S.I: Que nunca sejam olvidados os teus individuais fones de ouvido que em sua descrição e silêncio são muito mais escandalosos e chamativos que os que ouvem a música inaudível em viva-voz.

    P.S. II: Ainda bem que por alguns instantes tiraste os fones de ouvido e viste ao socorro dos leitores que te clamam há tempos... rsrs

    ResponderExcluir
  2. Ainda bem que

    leitores que nos interessam.

    Compartilho meus dissabores versos da tenra idade, me presenteia com sabores significativos de quem parece que nasceu há 10 mil anos atrás, tamanha sapiência.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Você pode fazer comentários mesmo sem ter uma conta do Google ou sem ter um site. Basta clicar em Nome/URL, colocar seu nome e comentar. Sejam bem vindos! ;)

Postagens mais visitadas deste blog

Será se...

Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...

incólume

todos os dias é um arrependimento diferente eu nunca canso de me arrepender queria apenas ter ficado ali onde a coragem me bastava mas não houve jeito inquieta e não aceita um mental trejeito de retomar o que não faz canoa andar. será que eles não olham para trás? Para o rastro, para o erro Houve erro? Eu só queria não ter perguntas.