Pular para o conteúdo principal

Nos braços da existência

De tão existencial
pôs mais vidas em seu varal
do que poderia caber.

Não cabe em lugar nenhum
coisa alguma, vagueia...
É do tipo que joga cartas pra entender de destino
e acaba por embaralhá-lo mais.
Tem uma queda pelo mistérios das coisas.
Quer a tudo conhecer, quer a nada dominar
Mas vez ou outra tropeça em sua própria sombra.
Gosta de coisas diferentes quando são todas iguais,
busca a semelhança, quando tá tudo assim, diferentão.
Some, aparece,
some.
Devia gostar de esconde-esconde quando criança.
Avança - com o outro pé no freio.
Muito madura quando criança,
foi rejuvenescendo/ ficando mais menina ao longo dos anos...
De tanta compreensão, tornou-se condescendente demais,
andou voltando atrás...
Considera seu gosto musical perfeito,
aprimorado ao longo das vidas...
Ama o harmônico,
é o mais puro caos.
Não gostaria de ser outra pessoa no mundo,
mesmo com seus carmas nada leves.

Alguns abraços lhe tocam profundamente.

E sabe, mundo, gentes,
veio-me aqui...
talvez seja por isso que vivemos,
entre intervalos... fissuras... interstícios existenciais...
Abraços..!
Ternos braços
nos embalam.
Vive-se num ato,
O Eterno
ao qual reivindicamos por direito de nascimento.



Amanhã, muda de ideia de novo
sobre a existência,
mas, por  enquanto, é isso.


(Raquel Amarante)



Comentários

Postar um comentário

Você pode fazer comentários mesmo sem ter uma conta do Google ou sem ter um site. Basta clicar em Nome/URL, colocar seu nome e comentar. Sejam bem vindos! ;)

Postagens mais visitadas deste blog

Escurice Lispector

Se a palavra sangra o verso. É feminina! Vai homem abraçar seu protesto, que a mulher escreve mesmo é com a vagina. Escreve oh mulher no ápice da sinapse epiléptica. Escreve para além da forma estética. Escreve para além de qualquer forma... Na imensidão da quarta dimensão, diverge em nós, converge em nós, cega-nos! Tal clareia convidativa da fala hermética acende em nós, doce e poética escuridão do caminho que também é perder-se. Jazem poetinhas tolos. Jazem bárbaros e mouros. Ela, último espetáculo. Último crepúsculo. Da vírgula audaz. Do lirismo intacto. Da febre tão voraz de alma, de corpo, do existir para além dos dois. Sob sua palavra absorta, exorto: “Ou toca ou não toca” Mas se tocar, é morte em sentença apoplexia em aorta. Pois não se vive tamanho arroubo em vida medíocre. II Cai a noite escura Sobe estrela pura agora é a sua  hora. (Raquel Amarante) “Se eu tivesse mais alma pra dar eu daria , isso pra mim é viver ...”  (Linha do Equador - Comp.: D...

Será se...

Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...