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Tons reais

"Esse jeito esquisito que Jesus tinha, de preferir os piores, né?

Me faz pensar, sabe gente, na beleza dos avessos... às vezes, a gente na pressa de encontrar, a gente não vê. Quantas vezes na minha vida eu desprezei as pessoas, porque eu considerei o agora. É tão doído né, a gente ser visto somente a partir do presente.
Quando as pessoas olham pra gente e só enxergam aquilo que a gente tem no momento.

Isso é fascinante em Jesus...Por isso ele era capaz de preferir quem ele preferia. Porque Jesus não era um homem que se prendia no presente. Eu acredito e acho interessante isso: que os amantes nunca esgotam as criaturas amadas, porque o amor sobrevive de futuro, né?
Ele consegue enxergar o que a gente ainda não viu, a pessoa que ama consegue enxergar o que outro ainda não é, vê o avesso, vê o contrário da situação.

É tão bonito a gente pensar que a beleza do tecido tem um sustento, uma trama está por trás de tudo isso. Compreender as pessoas, amá-las, só é possível a partir do momento que a gente entra na trama do avesso. Quando a gente não enxerga somente aquilo que os olhos podem revelar, podem conhecer, mas, sobretudo, aquilo que ainda está oculto.

Deus nos ama assim, porque consegue enxergar o que a gente ainda não é, mas que a gente ainda pode ser..."

Pe. Fábio de Melo



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