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Versos soltos no espaço

Sou uma chuva de paradoxos
que chove e seca os céus e terras.
Céus e terras é tom tão religioso...
que me regenero em ser barroco.
Tão apegado ao deus-tempo
Tão flagelado pelas horas que se repetem.

Sou Maiusculamente Romântica
Sentimental, escapista, do ideal.
Namoro o medo do amor, mal secular...
Inatingível. Confessional. Cá estou lá...

Meu realismo é tão psicológico
que vago pela imensidão de motivos
e compreendo demais quem amo
e quem não amo.
Perdoo antes do erro.
Conserto o que não está quebrado.
Estou me curando desse assédio à perfeição
E não pontuo mais direito
Não grafo direito, não faço desenhos parnasianos.
O modernismo me trouxe à desconstrução
Sou um prédio em ruínas de estruturas sólidas...
Calcadas no Bom, no Belo e Verdadeiro.
Tenho sintomas de equilíbrio.
Tenho breves estados ébrios
Tenho ferozes causas!
De tantas poesias e prosas,
me endereço feito carta
ao universo  desconhecido
Sou eu e o mundo
jogados no espaço
e a alteridade das estrelas...


(Raquel Amarante)

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