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segundo plano

quando um motivo sobressai
e o fundo fica opaco
o foco fica quase automático
nítido feito ato falho em análise.

eu me pergunto o que me motiva
dentro do corpo e tempo que me resta
quais as palavras que me fazem viva?
quais  os sentidos que a vida me empresta?

uma chuvarada me vem como resposta
eu inclinada molhando a cabeça
não há gota d'água que em mim prevaleça
são tantos motivos que vivo predisposta

mas tantos motivos não cabem numa foto
e a busca é pra além do olho humano
interessa-me o que não vejo e a falta de luz
interessa-me o não motivo e o segundo plano

Se fotografia não se faz sem foco
vida se faz de todo jeito.
No manual, no automático,
no equivoco, 
na barroca ambígua
composição do imperfeito

Vida é destino de barco no horizonte
onde não há luz, nem guia turístico.
Se a imensidão da noite
não cabe nas linhas de grade
Tampouco eu,  
em relacionamento sério com a liberdade.

Isso de não caber em nenhum porta retrato
de ser universo ilimitado em expansão
recobre a vida de vazio e razão.

há de se desbravar e se aventurar...
pois só assim, contrastes e cores
amores, tão estrelares e intergalácticos
vidas abundantes, 
experiências vastas
vão me capturando
os ares e ares e ares...
Assim eu respiro.
de ser universo ilimitado em expansão
recobre a vida de vazio e razão.

há de se desbravar e se aventurar...
pois só assim, contrastes e cores
amores, tão estrelares e intergalácticos
vidas abundantes, 
experiências vastas
vão me capturando
os ares e ares e ares...
Assim eu respiro.
Assim me respeito.

(Raquel Amarante) Assim me respeito.

(Raquel Amarante)














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