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A quarta trombeta apocalíptica: o que revelam as reticências

Insisto nas reticências. São a porta do inconsciente... O primeiro ponto diz Fim (É a barra de recalque) O segundo ponto diz depois de um ponto um novo conto uma insistência. Repetição de fins... No terceiro ponto ressuscito a intenção da libido morta. Me achego ao inominável e paro, atônita. Não sei o que dizer Não sei nem o que sei Mas continuo reticentiando... Como quem não se retém na significância das palavras. Porque quer expressar a dor e deleite todo. Porque quer esgotar o incômodo de finalizar-se num ponto. Para além da palavra, as reticências... Ocultando e revelando a essência do indizível. O silêncio destes três pontinhos é o essencial do meu texto-vida. Perscrutando este dizer misterioso minha existência em palavra se fará entendida. (Raquel Amarante) Oléo sobre tela: A luz vem da escuridão ( Ubirajara Rodrigues - Clique em seu nome e conheça seu trabalho)

Mulher

Ser o que não se pode ser avessa ao existir qual buraco que engole os passos qual vácuo, fissura que não cabe em si. Coser uma torneira no corpo só pra desaguar um poder frouxo, fingir um pouco de prazer com o outro só pra sustentar um lugar de sentir. A onipresença do falo conjugou ao corpo não fálico um lugar de anti-verbo e a palavra mulher fez-se vento como o próprio pensamento expatriado não conseguiu compor-se em corpo. O poder despojado do corpo fez nascer fluidez visceral e inquietante nos seios, vestidos e sentimentos e a mulher fez-se dançante, errante... no bravio mar de inconstância num amar tempestuoso... E toda falta de essência conduz-lhe a dançar qualquer música que se encarregue de tanger um molde de existência. Redundante é o vazio do ventre completude é o germinar do feto é o aceitar a falta é o afaga a dor do parto o partir do epitélio. Mas há seres oblíquos que abstêm-se de crias de faltas, de nexo... Longínquos desgostos... ...