"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

sábado, 20 de agosto de 2016

peça íntima cor de pele

eu que na distancia me projeto
aceno no espelho diferença
eu que me despi de toda crença
fiz da entranha o mundo predileto.

eu que nunca fui de olhar pro lado
em tudo que vivi fui tão discreto
eu que me embebi de todo o resto
e escandalizei paredes do tablado

eu que machuquei o lado machucado (da vida)
por azar ou por necessidade
de deixar escorrer alguma verdade
de me despedir de alguma dor (comprimida)

eu que vi nascer no corpo - uma atitude
uma opção pelo anseio ser mulher
eu que ainda não sei qual é que é
o traço, o risco, o caminhar desta virtude

eu que me mantive aprisionada
numa prisão tão livre e sem celas
eu que não compreendi – nunca! Elas...
mas que sempre fui, assim, uma aliada

eu que aqui estou só de passagem
que nunca avistei onde ancorar
ando tão assim, sem bagagem
levo coração que é pra amar...
(mas às vezes eu esqueço onde ele está!)

(Raquel Amarante)





segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Sobre a Psicologia


Sobre a Psicologia, dizem:
entender de cabeça
saber o que se passa na cabeça
mudar a cabeça.

sem pretensão
sem incisão
sem bisturi
digo:


O que há na sua cabeça?
_Boné
Bom, né...
_Sim, tampa o sol quente. É do Neymar!
do Neymar?!
_o jogador! Melhor que todos os outros!

(o joga a dor melhor que todos os outros!)


*Queixa inicial (mãe): "Esse muleque me dá muita dor de cabeça"



O que não cabe ao psicólogo?

Cortar o mal pela raiz - pois não há mal!
Bem e Mal é moral, 

Cada sujeito se arranja
de um jeito,

Cabe sempre - Acompanhamento...


(Raquel Amarante)

Dia dos PSIS ta chegando - parabéns a todxs!


P.S: Caso fictício pincelado de Real do ser Psi

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Faz tempo que a gente não entende...

Faz tempo que a gente não entende... Não entende muita coisa dos jornais, da televisão, dessa coisa toda aí de operações... A gente nunca soube mesmo como operar na bolsa de valores, tampouco sabemos sobre as operações da intocável Medicina, fugíamos das operações matemáticas, muito menos de Ópera entendemos.
Enquanto nossos impostos aumentam, nossas esperanças, por vezes, degringolam. Experimentamos o lado B do não saber como, talvez,  reverter.
Como descobrir o Brasil novamente, de outra maneira. 
Faz tempo que a bandeira quadrilátera-equilátera positivista entediou os ventos. Já meio parados, sem entender coisa alguma, argumentamos aqui e ali e dispersamos, levantamos o dia com alguma poesia de facebook porque não dá pra viver dessa gastura desse tanto de trem deslavado. 
Sem gostar de alardes e diagnósticos modernos, sentimos a depressão maior (CID-F33) do Brasil nessas fontes líquidas de informações gasosas. Observamos as promessas de remediar esse adoecimento da nossa estrutura política por medicamentos já bem conhecidos, tão fabricantes das próprias doenças que se alastram. E há muitas pílulas e aécis revertidos de solução há temer! Há sim!
Não dá para viver sem chama, sem luz, e cá estou eu à procura de um Charmander. 
Charmander, eu escolho você!

(Raquel Amarante)


sábado, 25 de junho de 2016

PRETA

Eu que não sei sua história
me proponho a escutar
Diga... Diga o que quiser dizer.
(...)
Seus afetos... Suas memórias...
suas crenças,  alegrias, suas lutas
suas sagas, suas iras, seus temores
seus desejos,  poesias,  seus amores,
suas revoltas, sua fé, sua origem
tão pura
simplesmente sua!

Eu, que te desconheço
não tenho do que lembrar
não te faria notícia
de jornal qualquer
eu que nunca fui
na tua pele - mulher
eu que não perdi nada
nesse jogo entre nascer e crescer
eu que não velei  negros corpos
filho - sobrinho - irmão - pai.

Eu que não tenho palavras! (...)

_ Eu tenho!
   E lhe falo
   quero celebrar o ayo de PODER SER PRETA!





domingo, 19 de junho de 2016

Estranha

                                   à Thereza

quando me dizem: estranha
sinto-me dentro de um oculto vestido
com abotoaduras dorsais incapazes de alcance
alfaiataria manual, molde antigo.

estranha, quando me dizem,
sinto a imensidão desse adjetivo...
sei que não caibo no pasto, na tendência
vivo interrogando o porquê de estar vivo...

quando estranha, me dizem
sei que estou aquém do esperado
feito vestido rasgado por anárquicas traças.
quem me costura? quem curará minha loucura?

sei também que eu me estranho
como quem se olha no espelho
               no escuro
               - vê o vão -
guardo o incompreensível na lembrança
escrevo na esperança de advir algum elo...
desse já desbotado, mas belo - Mistério -
-linho-onde-se-fia-inspiração-

(raquel amarante)

Salvador Dalí - 1945 - "Mi mujer desnuda"

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Um país sem livros

Que pena!
que a cena
é de livros queimados.
Muitas desesperanças
couberam às paginas acolhimento.
Muitas também lembranças
da infância e suas nostalgias.
Muitos amores e mágoas
compondo sorrisos nos olhos
de que lhes lia.
Muitos desejos datilografados
rimas paupérrimas, emoções insignes!
Muita ressureição
no terceiro, quarto ou
vigésimo primeiro dia.

Mas que pena!
que a meta é cortar os punhos
de quem escreve
de quem permite pensar
o peso como leve...
de quem apoia a greve
e não se cala na sala de jaula...
Que pena!
Que continuam inquisidores
os tribunais, os parlamentos,
os homo sapiens
queimando o sexo com as palavras
o sexo com as ideias
porque não é simplesmente
sexo por reprodução.
por ser transa mesmo!
por escorrer porra da letra!
pela ejaculação espetacular de ideias!
por orgasmos múltiplos de teorias safadas
que se safam dessa moral hipócrita
aturdida pelos livres
digo, livros.

Que pena!

(Raquel Amarante)








quinta-feira, 28 de abril de 2016

Pousse à la femme (Empuxo-à-mulher)

Ao passo que sobe o elevador...
é leve a dor ou ela eleva?
a cada andar, até o oitavo.
Impasse - tantos espelhos!
Eleva a dor ou ela é leve?
Leves cabelos
Leves andares
Ao passo que a nudez 
se descabela, e a beleza dela 
é bela - impasse!
Não se nasce
mulher - mas também Elo
sê-lo ela, também ela sê-la
s(elo) - postal - carta
sem endereço
senão o próprio sexo
sem nexo - espelho convexo
deslocaliza, desfoca, desvaria
estranho sentido - entranhas
sem razão, faz coração
ser hipérbole
 -   estranho   -
conforme as leis
   sem leis
 do empuxo.

(Raquel Amarante)


Pintura do Gustav Klimt -  "Water Snakes II"







sábado, 19 de março de 2016

Versos soltos no espaço

Sou uma chuva de paradoxos
que chove e seca os céus e terras.
Céus e terras é tom tão religioso...
que me regenero em ser barroco.
Tão apegado ao deus-tempo
Tão flagelado pelas horas que se repetem.

Sou Maiusculamente Romântica
Sentimental, escapista, do ideal.
Namoro o medo do amor, mal secular...
Inatingível. Confessional. Cá estou lá...

Meu realismo é tão psicológico
que vago pela imensidão de motivos
e compreendo demais quem amo
e quem não amo.
Perdoo antes do erro.
Conserto o que não está quebrado.
Estou me curando desse assédio à perfeição
E não pontuo mais direito
Não grafo direito, não faço desenhos parnasianos.
O modernismo me trouxe à desconstrução
Sou um prédio em ruínas de estruturas sólidas...
Calcadas no Bom, no Belo e Verdadeiro.
Tenho sintomas de equilíbrio.
Tenho breves estados ébrios
Tenho ferozes causas!
De tantas poesias e prosas,
me endereço feito carta
ao universo  desconhecido
Sou eu e o mundo
jogados no espaço
e a alteridade das estrelas...


(Raquel Amarante)

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