"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

domingo, 27 de novembro de 2016

Carta não enviada n XXI: Quer saber?

Elis,

Quer saber?
As escolhas aprimoram o escolher... Ou pelo menos indicam vicissitudes do desejo. Quem diria um dia, você, longe de todo castelo que te colocaram na busca de um forasteiro...
Essas histórias têm o mesmo final. No cinema, no romance, no jornal...
As águas identificam no moinho possibilidade de movimento, mas o moinho está lá, fincado, com suas raízes profundas. Como pode existir tantos calabouços fora do castelo? Calabouços, arcabouços, memórias frágeis e suas esperanças e apatias.
Que a chuva não leve os sonhos nem as possibilidades de viagens. Que não sejamos indiferentes a nossas Saudades. Mas que não vivamos tão somente da fantasia de doces nos trôpegos do desse dar passagem...

Stella Graal

sábado, 15 de outubro de 2016

Fim de Tarde

Leia esta poesia escutando esta canção:
 Sons de Carrilhões - Choro das 3


A cigarra 'esberra' seu canto palerma
nuvens esparsas no céu faber castell
não chove, mas tem choro dedilhado.
Eu poderia estar ao seu lado, sim,
mas não,
eu não tenho coração!
O tempo é sanguíneo aqui,
sem obrigação
se vê obrigado
a escrever,
mais necessário que limpar fogão.
Mais difícil, sobretudo,
para quem não tem coração.
Eu poderia estar ao seu lado, sim,
mas não.
Vivo a poeira do instante
não limpado.
Vida é coisa que vai ficando antiga,
mas não condiz com verbo no passado.
Já se foram as luzes e a noite é uma devoradora
Onipresente, Comunista, Come gente!
Estrelas brilham charmosas
Danadinhas!
Pra gente comum que nem sabe
que são planetinhas...
É Vênus de amor!
É Marte de guerra!
Ta tudo certo!
Tudo na perfeita sincronia cósmica
Lógica sem lógica
e eu,
Poderia estar ao teu lado, sim
mas não,
eu não tenho coração!


(raquel amarante) 



Manga - MG 2016 (varanda)

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Carta não enviada nº 28: Paciência

Bento,

Paciência!


Dizem que é uma virtude. Nunca fui muito virtuosa... Talvez, mais virtual. Um dia eu aprendo a soltar mensagens na fumaça. Enquanto isso, apenas reflito meus crimes que não estão no código penal, mas que penalizam do mesmo jeito. Quando lhe digo que é melhor não mexer na caixa de escorpiões, é porque sei o que digo... Uma crença quase delirante e fixa de crer estar sempre certa nessas pequenas profecias do dia-a-dia. Já vi esse filme, sei onde vai dar. Quase que um conhecimento acumulado ao longo dos séculos, da memória genética, da ancestralidade herdada junguiana... Algumas certezas fundamentais... Como a certeza que tudo se transforma... Nada tende a ficar com está.
Tenho essa coisa certa de não saber nunca o que esperar de você... Portanto, nada espero. 


Stella Graal


Saiba mais sobre esta e as outras cartas: Sobre as "Cartas não enviadas" 








sábado, 20 de agosto de 2016

peça íntima cor de pele

eu que na distancia me projeto
aceno no espelho diferença
eu que me despi de toda crença
fiz da entranha o mundo predileto.

eu que nunca fui de olhar pro lado
em tudo que vivi fui tão discreto
eu que me embebi de todo o resto
e escandalizei paredes do tablado

eu que machuquei o lado machucado (da vida)
por azar ou por necessidade
de deixar escorrer alguma verdade
de me despedir de alguma dor (comprimida)

eu que vi nascer no corpo - uma atitude
uma opção pelo anseio ser mulher
eu que ainda não sei qual é que é
o traço, o risco, o caminhar desta virtude

eu que me mantive aprisionada
numa prisão tão livre e sem celas
eu que não compreendi – nunca! Elas...
mas que sempre fui, assim, uma aliada

eu que aqui estou só de passagem
que nunca avistei onde ancorar
ando tão assim, sem bagagem
levo coração que é pra amar...
(mas às vezes eu esqueço onde ele está!)

(Raquel Amarante)





segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Sobre a Psicologia


Sobre a Psicologia, dizem:
entender de cabeça
saber o que se passa na cabeça
mudar a cabeça.

sem pretensão
sem incisão
sem bisturi
digo:


O que há na sua cabeça?
_Boné
Bom, né...
_Sim, tampa o sol quente. É do Neymar!
do Neymar?!
_o jogador! Melhor que todos os outros!

(o joga a dor melhor que todos os outros!)


*Queixa inicial (mãe): "Esse muleque me dá muita dor de cabeça"



O que não cabe ao psicólogo?

Cortar o mal pela raiz - pois não há mal!
Bem e Mal é moral, 

Cada sujeito se arranja
de um jeito,

Cabe sempre - Acompanhamento...


(Raquel Amarante)

Dia dos PSIS ta chegando - parabéns a todxs!


P.S: Caso fictício pincelado de Real do ser Psi

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Faz tempo que a gente não entende...

Faz tempo que a gente não entende... Não entende muita coisa dos jornais, da televisão, dessa coisa toda aí de operações... A gente nunca soube mesmo como operar na bolsa de valores, tampouco sabemos sobre as operações da intocável Medicina, fugíamos das operações matemáticas, muito menos de Ópera entendemos.
Enquanto nossos impostos aumentam, nossas esperanças, por vezes, degringolam. Experimentamos o lado B do não saber como, talvez,  reverter.
Como descobrir o Brasil novamente, de outra maneira. 
Faz tempo que a bandeira quadrilátera-equilátera positivista entediou os ventos. Já meio parados, sem entender coisa alguma, argumentamos aqui e ali e dispersamos, levantamos o dia com alguma poesia de facebook porque não dá pra viver dessa gastura desse tanto de trem deslavado. 
Sem gostar de alardes e diagnósticos modernos, sentimos a depressão maior (CID-F33) do Brasil nessas fontes líquidas de informações gasosas. Observamos as promessas de remediar esse adoecimento da nossa estrutura política por medicamentos já bem conhecidos, tão fabricantes das próprias doenças que se alastram. E há muitas pílulas e aécis revertidos de solução há temer! Há sim!
Não dá para viver sem chama, sem luz, e cá estou eu à procura de um Charmander. 
Charmander, eu escolho você!

(Raquel Amarante)


sábado, 25 de junho de 2016

PRETA

Eu que não sei sua história
me proponho a escutar
Diga... Diga o que quiser dizer.
(...)
Seus afetos... Suas memórias...
suas crenças,  alegrias, suas lutas
suas sagas, suas iras, seus temores
seus desejos,  poesias,  seus amores,
suas revoltas, sua fé, sua origem
tão pura
simplesmente sua!

Eu, que te desconheço
não tenho do que lembrar
não te faria notícia
de jornal qualquer
eu que nunca fui
na tua pele - mulher
eu que não perdi nada
nesse jogo entre nascer e crescer
eu que não velei  negros corpos
filho - sobrinho - irmão - pai.

Eu que não tenho palavras! (...)

_ Eu tenho!
   E lhe falo
   quero celebrar o ayo de PODER SER PRETA!





domingo, 19 de junho de 2016

Estranha

                                   à Thereza

quando me dizem: estranha
sinto-me dentro de um oculto vestido
com abotoaduras dorsais incapazes de alcance
alfaiataria manual, molde antigo.

estranha, quando me dizem,
sinto a imensidão desse adjetivo...
sei que não caibo no pasto, na tendência
vivo interrogando o porquê de estar vivo...

quando estranha, me dizem
sei que estou aquém do esperado
feito vestido rasgado por anárquicas traças.
quem me costura? quem curará minha loucura?

sei também que eu me estranho
como quem se olha no espelho
               no escuro
               - vê o vão -
guardo o incompreensível na lembrança
escrevo na esperança de advir algum elo...
desse já desbotado, mas belo - Mistério -
-linho-onde-se-fia-inspiração-

(raquel amarante)

Salvador Dalí - 1945 - "Mi mujer desnuda"

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