"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Astrologia

Eu não sei quantas vezes li a mesma coisa sobre "o mesmo" aspecto do céu,
ou quantas vezes me reconheci à porta do destino, tão perto, tão íntima, tão acolhedora feito casinha de interior.
Eu não sei quantas vezes vivi a palidez de quem percebeu que a morte chegou, tão nítida, tão jovem, tão certeira! Sempre à beira...
Eu não sei quantas vezes meditei aquele plutão tão complexo feito neurose obsessiva, obsessiva, obsessiva...
Eu não sei quantas vezes compreendi e ao mesmo tempo hesitei em crer no que li, e tão incrédula, e tão perplexa, e tão resignada, e tão...
Eu não sei quantas vezes pedi para a lua voltar duas ou mais casas, ou pra ficar mais um pouquinho, só mais um pouquinho, por favor!
Ah! Quantas e quantas vezes a um passo de atropelar o universo na expressão intensa canceriana com passionalidade obtusa e fervente de escorpião - segurei a bola por causa daquele transitozinho pedindo vá com calma, refrigério sim da alma!
Eu não sei ao certo o que as pessoas desejam quando me procuram para dar uma olhadinha no mapa delas, mas imagino que se a Astrologia trata de signos, talvez, seja isso.
de signo se espera significações, sinais, e como precisamos brevemente de sinalização quando tudo parece meio sei lá, desbaratinado, ou meio turvo, meio incerto, meio estressante, meio enigmático.
Enigma... Todo mapa astral não é um enigma qualquer... É difícil não se encantar por todos aqueles símbolos que nada dizem para quem prefere silencia-los, mas que sim, arrebatam aqueles que desconfiam de muita coisa...
Desconfiam até o último segundo, mas esbarram numa incontestável relação de Sentido!

(Raquel Amarante)







quarta-feira, 28 de junho de 2017

Casa 8

pobre sol
na casa 8.
mergulha tão profundo
com ímpeto e violência
paixão e veneno
faz qualquer mundo ficar pequeno
amplia as dimensões obscuras
críticas, mórbidas, lúgubres.
sem medo de alturas
mergulha uma duas três
vezes
 no abismo
destroi o que ama
ama o que destroi
sopra
acende
apaga
vai embora
reclama
não ama
não pode amar.
desvia o olhar
e habita a tranquilidade de uma fantasia
de uma outra casa
supostamente.
casa oito só sente.
muito.
casa oito é oito oitenta.
onde impera casa oito
não há, não é possível existir 
o outro.

(raquel amarante)






quarta-feira, 21 de junho de 2017

Parceiro-Sintoma

Não convida pra dançar
Faz dançar com ou sem vida.

(Raquel Amarante)

P.S: Não serviu pra ser haicai :(


Noite espiral (reflexões)

a profecia
é a estatística intuitiva.

a filosofia
surgiu da natureza.

quem dera eu,
ser anti natural.
indiferente 
à única certeza.

A quem se remeteria
um enfadonho texto
sem fim?

Sem fim parece
nem ter lugar na língua

Talvez o céu
seja um primo carnal
dessa ideia romântica

ou talvez, seja eu, demasiadamente,
terrena,
pequena,
finita.

Mas acho a vida até bonita.
em espiral
além do bem e do mal.
com os ciclos 
de ALTOS e baixos
de transformações profundas,
dolorosas.
de alívios e suspiros.
de serenidades,
por que não?

Sempre haverá ponto final .-)

Mas o que podemos fazer com isso?



(Raquel Amarante)


(A espiral é a associação livre em formato de rabisco mais presente em meus cadernos. JUNG explica.)















terça-feira, 30 de maio de 2017

Novembro

eu não sei quanto tempo faz
meu tempo não tem nada ver  com cronologia
eu sinto mais você hoje
que naquele dia.
Mas vou levando a vida como um tanto faz.

E tanto faz a dor como a alegria
eu sei reinventar tudo na memória
nos buracos de lembrar sombreio de nostalgia
infância me ensinou a colorir minha história

Viver o passado no presente
sem medo de ser julgado por ser feliz de novo
para alguns a surpresa do Kinder ovo
para mim a alegria de um velho fato nov.o


lembrado, vivido, sentido
sentir é o estado mais acordado do corpo!


Novembro, 2016   - Raquel Amarante








quinta-feira, 4 de maio de 2017

segundo plano

quando um motivo sobressai
e o fundo fica opaco
o foco fica quase automático
nítido feito ato falho em análise.

eu me pergunto o que me motiva
dentro do corpo e tempo que me resta
quais as palavras que me fazem viva?
quais  os sentidos que a vida me empresta?

uma chuvarada me vem como resposta
eu inclinada molhando a cabeça
não há gota d'água que em mim prevaleça
são tantos motivos que vivo predisposta

mas tantos motivos não cabem numa foto
e a busca é pra além do olho humano
interessa-me o que não vejo e a falta de luz
interessa-me o não motivo e o segundo plano

Se fotografia não se faz sem foco
vida se faz de todo jeito.
No manual, no automático,
no equivoco, 
na barroca ambígua
composição do imperfeito

Vida é destino de barco no horizonte
onde não há luz, nem guia turístico.
Se a imensidão da noite
não cabe nas linhas de grade
Tampouco eu,  
em relacionamento sério com a liberdade.

Isso de não caber em nenhum porta retrato
de ser universo ilimitado em expansão
recobre a vida de vazio e razão.

há de se desbravar e se aventurar...
pois só assim, contrastes e cores
amores, tão estrelares e intergalácticos
vidas abundantes, 
experiências vastas
vão me capturando
os ares e ares e ares...
Assim eu respiro.
Assim me respeito.

(Raquel Amarante)














quinta-feira, 16 de março de 2017

Read overdose vinho

aromatizado nos campos de concentração
fermentado em temperaturas infernais
intenso, jovem, frutado, pornô
amado amargor cereja morango
baunilha tostado em estado ébrio
complexo, harmônico, potente, selvagem
limitado, mas sem limitações
feminino, surpreendente na boca e adendos
exuberante, muito encorpado, coxas e bundas
com notas de couro
acompanha amores verdes
amores maduros
amores de vênus retrogrado.



domingo, 27 de novembro de 2016

Carta não enviada n XXI: Quer saber?

Elis,

Quer saber?
As escolhas aprimoram o escolher... Ou pelo menos indicam vicissitudes do desejo. Quem diria um dia, você, longe de todo castelo que te colocaram na busca de um forasteiro...
Essas histórias têm o mesmo final. No cinema, no romance, no jornal...
As águas identificam no moinho possibilidade de movimento, mas o moinho está lá, fincado, com suas raízes profundas. Como pode existir tantos calabouços fora do castelo? Calabouços, arcabouços, memórias frágeis e suas esperanças e apatias.
Que a chuva não leve os sonhos nem as possibilidades de viagens. Que não sejamos indiferentes a nossas Saudades. Mas que não vivamos tão somente da fantasia de doces nos trôpegos do desse dar passagem...

Stella Graal

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