Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...
"Quem medirá o calor e a violência do coração dos poetas quanto capturados e aprisionados no corpo de uma mulher?" (Virginia Woolf)
Cara poetisa,
ResponderExcluirdecerto que no ano que se finda pintamos telas, desenhamos aquarelas,
escrevemos em papiros secretos poemas revelados de sentimentos, pensamentos e suspiros.
Decerto, mesmo, é que nossa existência em afã, borramos telas, rabiscamos aquarelas e rasuramos poemas. Ah, viver é fazer crer que tudo é uma tentativa vã?!
(...) No ano que se termina seus bons ventos levaram-nos ao quintal dos seus varais de peças íntimas. Varais tão capciosos que de varonil intimação falocrática se rendia ao perspicaz e frágil poder íntimo da mulher.
Obrigada poetisa pelo espaço acolhedor cujo nicho nos propiciou a convivência, companhia e aprendizagem da autora, seus escritos e poemas.
Poetisa, feliz ano novo em que reinauguremos a esperança do sonho de viver e que a criança de todos desenhe e escreva o seu limite no ano que vai nascer.
O prazer é unicamente meu de poder ter minha amiga anônima neste varal que tem pendurado poucas peças..
ResponderExcluirMas com certeza, um dos maiores estímulos para a continuação desta minha poesia errática é ter uma leitora tão fantástica e inspiradora.
Obrigado amiga!
Um ótimo ano repleto de luz e poesias..