Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...
Bela poema em homenagem ao grande M. Bandeira. Poderia jurar que, se ele o lesse - ou talvez o leia! -, provavelmente que, do seu modo, daria uma taciturna gargalhada, bandeiramente dando bandeira, melancolicamente, por estes belos versos...
ResponderExcluirEngraçado o que você faz brotar em mim neste comentário anônimo...
ResponderExcluirEm primeiro lugar, me incita a curiosidade de saber de quem se trata, inerente, né...
Em segundo, mesmo no anonimato, com o "rosto tapado", sinto sua presença transfigurada nas suas palavras. Aprecio a forma rítmica,com que me comunica sua mensagem..
Feliz por recebê-lo(a)... Seja muito bem vindo(a) não sei quem...
... Mas, se eu me revelar, se eu te disser quem eu não sou, prometa-me antes guardar meu anonimato como um segredo...
ResponderExcluirBrigado pela boa recepção,(vou tentar não ser indesejado, talvez quando muito um inconveniente anônimo...)
Guardar Segredo é a minha profissão.
ResponderExcluirPor outro lado, é tbm o anônimo bem vindo...
Não incomodaria se ficasse...