Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...
"Quem medirá o calor e a violência do coração dos poetas quanto capturados e aprisionados no corpo de uma mulher?" (Virginia Woolf)
Dentre outras coisas, mas das mais importantes, sua "Imensa idade" tem o tato de trazer-me à lembrança dois colossais poetas portugueses, que não obstante por mim serem muito pouco conhecidos, despertam-me imaginar que:
ResponderExcluirA sua imensa idade é de alma doce e serena porque ouve ao Pessoa, que lhe soa: "tudo vale a pena se a alma não é pequena".
E se sua pequena imensa idade encontrou por um segundo uma pequena imensidade, é porque Camões, como você hoje, outrora descobria e desde aquele tempo lhe dizia: "numa hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar uma hora."
Nossa...
ResponderExcluirE diz conhecer pouco deles...
Parece íntimo...
Adoro ler seus comentários...
Fico num deslumbramento...
"Deslumbramento..."
ResponderExcluirObra da leitura inspirada
nos poemas inspiradores
de Pessoa, Camões
e Rachel...
("serrana e bela", do pastor Jacob e do poeta Camões.) rs.
AD.: Devo encerrar por aqui, pois como já te informei, pouco conheço da obras desses dois imortais vates do linguajar luso, prova disso é não ter mais citações a fazer. he.
rs
ResponderExcluirAdorei..