Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...
"Quem medirá o calor e a violência do coração dos poetas quanto capturados e aprisionados no corpo de uma mulher?" (Virginia Woolf)
"Caro ancião que bebia cianureto, sua longeva idade veio do vital Gênesis? ou será que sua pequenina morte veio da letal Genética?"
ResponderExcluirMais uma vez, seu bom verso parece brincar melindrosa e habilmente ao traçar sérias reflexões sobre a paradoxal história do salutar e inofensivo cianureto com a venenosa e fatal ervilha, em muitas situações e sentidos.
Se bem que a ciência já se levanta, curiosa e atenta, concatenado hipóteses mil sobre a herança e a natureza da ervilha estriada: não seria ela transgênica?
hehehe..
ResponderExcluirVocê me ultrapassa, sempre!
Transgênica?
Assim seja!
Transgênica, por que não?
ResponderExcluirAgora, bem entendo que julguei errado, não era essa a situação em hipótese alguma, porque a ervilha estriada é, antes de tudo, a leguminosa "fruta" do pecado no jardim. Injustiçada maça.
Vc me atropela, sempre!
Transgência? Não!
Atopela-me sim por sua intransigência criativa, ó poetisa.
Mas, assim seja!
Vou continuar com as ervilhas!
ResponderExcluirBjs.
rs Vou continuar com a poesia...
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