Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...
Arguto retrato histórico, crítico e poético de um horizonte que não mais, e que talvez agora jaz somente na lembrança amarela de montes que outrora clareou, clareou...
ResponderExcluirCanta a tua aldeia, querida poetisa, para assim acalentá-la, assim despertá-la, assim transformá-la... Aldeia esta que, apesar dos coronéis, apesar dos picaretas, jazida e engolida em buracos que, no entanto, dizem tremer imprevisivelmente.
:) Que belo...
ResponderExcluirEm mim se inscrevem montes claros de alegria, quando aos varais concede a presença em poesia.
Gracías...
ResponderExcluirPois no trem azul, com o sol na cabeça, um dia eu vou-me embora
pro rincão dos varais poéticos
encontrar também montes claros de alegria...
É já não tão claros os horizontes, mas a esperança há de persistir.
ResponderExcluirBelo final de semana! Bjs Eloah
sob picaretas já não são tão belos os horizontes.
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