Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...
Mas será também que de tanto ler, criam-se bolsas sob os olhos - mas de olhos sem bagagem?! - ó olho gordo!
ResponderExcluirUma dieta maluca beleza:
"Olho meus livros na estante
que nada me dizem de importante
e só servem pra quem não ler..."
P.S: Ai, poetisa, este haicai é um soco por demais certeiro na gulosa vaidade dos ávidos leitores cuja compleição só encontra algum conteúdo na lombada dos livros, dada que a sua própria é uma costela desfolhada, descarnada.
Adorei seu comentário..
ResponderExcluirLivros são pessoas.
Pessoas são livros.
Há os que nos fatigam e os que nós amamos por toda a vida...