Pular para o conteúdo principal

Postagens

incólume

todos os dias é um arrependimento diferente eu nunca canso de me arrepender queria apenas ter ficado ali onde a coragem me bastava mas não houve jeito inquieta e não aceita um mental trejeito de retomar o que não faz canoa andar. será que eles não olham para trás? Para o rastro, para o erro Houve erro? Eu só queria não ter perguntas.

Poemínimos

poefeminino Oscila na rima porque esse amor é de menina. poexagerado Amou errado deu-se todo. poemusicinternational Fui me buscar me achei nas canções que não sei cantar. Ando parado no sinal fechado poeansioso cheguei cedo à frente do medo. Estou errada quando estou certa de estar apaixonada. Estava apaixonada por sua saudosa imagem que agora foi pixada. Não sei se te limpo ou te deixo aí manchada. Cansada de sonhar foi ver telenovela ela era ela. Esta casa tem mais alicerces que eu. Teimosia Tomou algumas doses só não contava com uma lucidez que insistia. A gente finaliza muita coisa Mas não conclui nadinha. Tira a roupa que a roupa pesa e só quero a leveza do nosso amor. Tinha letra de pornô grafia amor pra dar em tempos de capital privado. Triângulo amoroso tenho a impressão que A3 é papelão. Não tem medo da morte porque não tem nem ...

Será se...

Uma formiga agonizante na pia remexe as pernas como se pedisse ajuda. Luta para viver. Luta para escapar. Como se desculpar com uma formiga que escolhe um caminho que ela nunca imaginaria que pudesse lhe matar? O que leva essa distraída, essa louca dessa formiga a se aventurar num braço humano assim?! Seria pra fugir da água? Seria para fugir de outro tipo de morte? Perdoe-me formiga, quando dei por mim já lhe tinha esfregado minha mão direita sem jamais imaginar que lhe atingiria os órgãos vitais. Não, não me sinto alguém maior, superior, um deus capaz de recortar seu ciclo de vida. Na verdade, sinto uma fatalidade tão profunda que parece que era minha vida ali extraída. Na verdade, me dói, você viu! Você viu que eu tentei de modo bem desajeitado uns primeiros socorros. Eu tinha uma esperança enquanto você mexia os membros inferiores de que haveria possibilidade de reatar a vida, você lutou por ela! Quem diria, nem eu, nem você, que a vida findaria ali, no mais simples e nu do cotidia...

Roda da Fortuna

Se o fogo testa a alma e pede calma e a terra finca os pés atola os sonhos se o nado é pesado de braçadas e o ar da graça tornou-se rarefeito se as leis de Moros não podem ser lidas a não ser por oráculos. "Se nem mesmo os deuses podem lutar contra anánkê" É... É preciso fé... e é preciso, também, o agora. e escutar os mais velhos mais bem afeiçoados com a natureza. de resto, o mundo gira. (Raquel Amarante)

Postal

Etiquetas não tenho nem nas roupas nem na mesa. Mas se eu pudesse minha vida seria uma encomenda rumo ao lado de lá com selos e carimbos de quem se encaminha de quem experimenta respirar novos ares novas crenças novas presenças. Etiquetas não tenho nem nas roupas nem na mesa. E às vezes, nem sinal a não ser dos pássaros a não ser dos gafanhotos a não ser das libélulas a não ser de Deus. e uma vontade de me endereçar ao espiral do mundo pra chegar a qualquer canto pra sentar em qualquer meio fio pra sentir aquelas saudades e voltar meia lua crescente pr'algum ninho. (Raquel Amarante)

O céu é o limite

Vazio do mundo um eu tão profundo num aquário. O céu é o limite ou o limite é o cel ou será o cel o céu e o limite limite mesmo? O vazio é ilimitado só sei. Os sonhos tive que guardar ou acho que perdi, ou sei lá Continuo inculta arredia e teimosa  Sei de muita coisa E desconfio ainda mais ainda o que não sei é o meu fundamental interesse Tenho poucos livros hoje Pouco tempo para lê-los Uma vida medíocre capitalista. Os sentidos me envolvem A música precisa voltar para minha vida Ou a morte é certa. A apreciação da arte, das culturas, das filosofias Sem elas, não há porque viver. (Raquel Amarante)

Pai (a meu pai Antônio)

Me reconheço na brochura de um caderno não escrito, não lido, mas dito. Concreto! Pensar em você é ter na emoção  um teto. Posso chorar por te amar, me permito, dizer talvez o que nunca foi dito Bem dizer tudo que você é por ser tão simples e tão complexo! Por todo quanto amor desceu em seu suor Pelo nó que dá quando enxergo na sua história tal sobrevivência tal fidelidade tamanha verdade! Honestamente, me engrandeço por ser sua semente. Nós dois somos áridos e ávidos Basta uma gota no solo quente amamos tão profundamente! Àquele que me ensina sobre ser tão desejo a chuva mais serena e os mais doces araçás! Te amo, meu pai! Quel

Carta não enviada n° 29 - Retorno de Saturno

Caro(a) desconhecido(a), Escrevo-lhe porque você reside em todos nós. Esta semana, em um atendimento, perguntei a uma paciente "O que te faz querer viver?" Eu não seria irresponsável ao perguntar sobre a vida, se não fosse para aprofundar em alguma sombra ou ampliar perspectivas. Eu não seria eu também se esse não fosse um dos meus maiores enigmas e aquilo porque me procuram... Quando criança eu pedia sabedoria. Sabia que era algo difícil, mas não recuava em pedir a Deus. Eu sempre tive interesse em saber de onde as coisas vêm, para onde vão. Eu sempre observei a natureza do meu quintal. Eu, quando criança, tentei  muitas vezes ajudar as roseiras nos seus ciclos, podando como meu pai fazia, mas muitas vezes não observava o tempo delas e matei inúmeras! Claro, não contei para ninguém! rs Meus pais pouco entendiam meu dom de inter(ferir), quando eu tava mesmo era querendo descobrir, ser... O tempo de cada um é um ensaio para a sabedoria, entender o mundo e seus ciclos, a...

Quem sabe

Quanto tempo leva para apagar o desejo? Quanto tempo leva para as amnésias, tão alcóolicas, fazerem efeito? Quanto tempo leva para o pescador pegar o timo da razão e vencer o mar? Não importa quanto tempo demore para picotar as memórias em ínfimos pedaços De repente, tão de repente O corpo sente de novo e o corpo é sentido como jamais foi! Outra vez. Outra vez água fervente lama, lodo, chama inferno! Inverno... O frio e o calor Não adianta achar que se está imune A certeza é uma mãe que só pune Eu tenho fome e sede E é como se eu caminhasse sem ser vista nas proximidades da Estação da Luz de SP perdendo o jeito de viver. Morrendo de amor por inteiro. Quem sabe, talvez, a palavra, me salve. Outra vez. (Raquel Amarante)

À sombra das mangueiras

Os rascunhos que fazíamos toda aquela história em diagramas dá pra deixar pro vento. os anéis e alianças só existem pra cair no chão. ainda mora, à sombra das mangueiras algumas cicatrizes de tempo invisíveis em evidência. Alguém chama meu nome lá fora e eu, aqui dentro repetindo as mesmas vestes inadequadas Força do hábito. Coisa de velho. Eu não tenho a menor ideia de como usar as espadas que tenho. Ainda há fragmentos de assassinato na memória. Mas é preciso alguma revolução pra mudar essa história. Cores rubras Lágrimas alguma fé, quiçá, aquela canção de toda hora. Talvez as horas Me tornem sensível Talvez a natureza Me leve há alguma fluência Talvez a razão Me reconduza impassível Talvez, quem sabe, o horizonte Me transfigure. (Raquel Amarante) Idade do Céu - Paulinho Moska

Redesenho

Pobres rascunhos de vida esquecidos numa gaveta qualquer que insistem em avisar  que a potência não pode acabar no extremo de nenhum lugar. Pobres rascunhos de vida com cores tão vibrantes e festivas que insistem em carnavalizar. Se não há liberdade e invenção, O coração se esvaziará... Pobres rascunhos de vida quando têm medo da juventude, da Diversidade e do Desejo E seguem em vida tolhida Num destino trôpego, amiúde. Traz à tona os papéis tão livres, tão essenciais. As tintas, os pincéis os poemas, o sabor a beleza, o redesenho. Só assim...

1995

Desconfio que de vez em quando é necessário pertencer a este vazio... Aos tons mais agudos do piano À melancolia da noite fria Ao silêncio À fantasia Acho que sou sim cristã em demasia. Sem cruz na parede Mas com cultivo de alguma resignação. algumas lágrimas alguns segredos Todos muito solenes Todos muito pátrios Todos muito presentes e alguma lembrança, sim das paredes. Às vezes eu preciso me lavar por inteiro As vezes preciso chorar feito mãe quando recebe a notícia do filho... Eu, desenharia tudo de novo. A escola, as crianças, os livros Eu viveria como vivi Tenho muitas memórias que já esqueci. Mas eu tenho tudo muito guardado. Num baú Num espelho Num aconchego. O velho espaço minúsculo no quarto O amor tão maiúsculo, tão vasto As palavras ralé Porque jamais As palavras não dizem As palavras viram poeira Não há palavra! Não saberiam girar como bailarina Não saberiam deslizar a tinta no quadro Não saberiam se aplicar ao que se sente Nu e ...

Sobre a morte e a Vida

Deve haver algum trunfo ao morrer. Mas eu não quero que estas palavras tenham poder. Deve haver uma cor diferente que eu me recuso a enxergar. Preferimos o conforto de onde a gente tá, e o amor! Ah, o amor... O amor (re)ssuscita! O amor é o que nos faz vivos! (Raquel Amarante)

Algum crepúsculo

Saudades daquela mulher que em mim existia. Um pouco mais vulnerável Um pouco mais envolvente Um pouco mais fantasiosa Um pouco mais apreensiva Uma mulher repleta. Primavera inteira de dúvidas Saudades daquela mulher que em mim existia. Um pouco mais competitiva Um pouco mais insegura Um pouco mais relax Um pouco mais alheia Uma mulher pela metade. Morava nela mesma Do ventre daquela mulher o enigma Na varanda ela acompanha algum crepúsculo. (Raquel Amarante)

Vida agreste

torrões, glebas, açudes solo calcário. eu planto eu rego eu colho sementes rudes água pouca sol extraordinário. eu fui construindo de argila a esperança viver, sempre me fui sozinha sem ter ajuda. mais vale a fé em Deus que em galho seco a luta de quem não cansa tem valentia que acende a vela de noite que mantém ela acesa de dia. (raquel amarante)

Astrologia

Eu não sei quantas vezes li a mesma coisa sobre "o mesmo" aspecto do céu, ou quantas vezes me reconheci à porta do destino, tão perto, tão íntima, tão acolhedora feito casinha de interior. Eu não sei quantas vezes vivi a palidez de quem percebeu que a morte chegou, tão nítida, tão jovem, tão certeira! Sempre à beira... Eu não sei quantas vezes meditei aquele plutão tão complexo feito neurose obsessiva, obsessiva, obsessiva... Eu não sei quantas vezes compreendi e ao mesmo tempo hesitei em crer no que li, e tão incrédula, e tão perplexa, e tão resignada, e tão... Eu não sei quantas vezes pedi para a lua voltar duas ou mais casas, ou pra ficar mais um pouquinho, só mais um pouquinho, por favor! Ah! Quantas e quantas vezes a um passo de atropelar o universo na expressão intensa canceriana com passionalidade obtusa e fervente de escorpião - segurei a bola por causa daquele transitozinho pedindo vá com calma, refrigério sim da alma! Eu não sei ao certo o que as pe...

Casa 8

pobre sol na casa 8. mergulha tão profundo com ímpeto e violência paixão e veneno faz qualquer mundo ficar pequeno amplia as dimensões obscuras críticas, mórbidas, lúgubres. sem medo de alturas mergulha uma duas três vezes  no abismo destroi o que ama ama o que destroi sopra acende apaga vai embora reclama não ama não pode amar. desvia o olhar e habita a tranquilidade de uma fantasia de uma outra casa supostamente. casa oito só sente. muito. casa oito é oito oitenta. onde impera casa oito não há, não é possível existir  o outro. (raquel amarante)

Noite espiral (reflexões)

a profecia é a estatística intuitiva. a filosofia surgiu da natureza. quem dera eu, ser anti natural. indiferente  à única certeza. A quem se remeteria um enfadonho texto sem fim? Sem fim parece nem ter lugar na língua Talvez o céu seja um primo carnal dessa ideia romântica ou talvez, seja eu, demasiadamente, terrena, pequena, finita. Mas acho a vida até bonita. em espiral além do bem e do mal. com os ciclos  de ALTOS e baixos de transformações profundas, dolorosas. de alívios e suspiros. de serenidades, por que não? Sempre haverá ponto final .-) Mas o que podemos fazer com isso? (Raquel Amarante) (A espiral é a associação livre em formato de rabisco mais presente em meus cadernos. JUNG explica.)

Novembro

eu não sei quanto tempo faz meu tempo não tem nada ver  com cronologia eu sinto mais você hoje que naquele dia. Mas vou levando a vida como um tanto faz. E tanto faz a dor como a alegria eu sei reinventar tudo na memória nos buracos de lembrar sombreio de nostalgia infância me ensinou a colorir minha história Viver o passado no presente sem medo de ser julgado por ser feliz de novo para alguns a surpresa do Kinder ovo para mim a alegria de um velho fato nov.o lembrado, vivido, sentido sentir é o estado mais acordado do corpo! Novembro, 2016   - Raquel Amarante